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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 72ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

Tanto a febre amarela quanto a dengue são doenças causadas por vírus do grupo dos arbovírus, pertencentes ao gênero Flavivirus, existindo quatro sorotipos para o vírus causador da dengue. A transmissão de ambas acontece por meio da picada de mosquitos, como o Aedes aegypti. Entretanto, embora compartilhem essas características, hoje somente existe vacina, no Brasil, para a febre amarela e nenhuma vacina efetiva para a dengue.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Fundação Nacional de Saúde. Dengue: Instruções para pessoal de combate ao vetor. Manual de Normas Técnicas. Disponível em: http://portal.saude.gov.br. Acesso em: 7 ago. 2012 (adaptado).

Esse fato pode ser atribuído à

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Virologia e Imunologia (imunização e diversidade antigênica de vírus)
  • ⚡ Nível: Médio — exige conhecimento específico sobre sorotipos virais e o mecanismo pelo qual vacinas geram imunidade, além de interpretar o texto de apoio.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre variabilidade genética/antigênica de patógenos e a eficácia de estratégias de imunização (Competência de área 4 — compreender processos biológicos aplicados à saúde coletiva).
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que existe vacina eficaz contra a febre amarela, mas não contra a dengue, mesmo os dois vírus sendo do mesmo gênero e transmitidos pelo mesmo mosquito?"
  • Palavras-chave decisivas: quatro sorotipos, nenhuma vacina efetiva, Flavivirus
  • Armadilha típica: associar a ausência de vacina a uma suposta "fraqueza" do sistema imune diante da dengue (alternativa E) ou a diferenças estruturais inexistentes, como tipos de ácido nucleico (alternativa D) — o candidato tenta explicar o fenômeno por características do hospedeiro ou por erros biológicos grosseiros, quando a resposta está na diversidade do próprio vírus.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que uma vacina eficaz depende de o patógeno apresentar antígenos estáveis e uniformes; quando o vírus circula em múltiplas formas antigenicamente distintas (sorotipos), fica muito mais difícil desenvolver uma única vacina protetora contra todas elas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Sorotipo (variante antigênica): subgrupo de um mesmo vírus ou bactéria que apresenta proteínas de superfície (antígenos) suficientemente diferentes entre si para serem reconhecidas separadamente pelo sistema imunológico. Anticorpos produzidos contra um sorotipo podem não neutralizar os demais.
  • Vacina e memória imunológica: a vacina expõe o organismo a antígenos do patógeno (atenuado, inativado ou de subunidades) para induzir a produção de anticorpos específicos e células de memória. Sua eficácia depende de esses antígenos serem representativos de todas as formas do vírus circulantes na população.
  • Gênero Flavivirus: grupo de arbovírus de RNA fita simples de polaridade positiva que inclui os vírus da febre amarela, dengue, zika e do Nilo Ocidental. Todos compartilham a mesma estrutura básica de genoma e mecanismo de replicação — a diferença crucial entre eles não está no tipo de material genético, mas na variabilidade antigênica de cada espécie/sorotipo.
  • Vírus da febre amarela: possui um único sorotipo estável, o que permite que uma única formulação vacinal (a vacina 17D, com vírus vivo atenuado, usada no Brasil desde a década de 1930) confira imunidade duradoura e de amplo espectro contra praticamente todas as cepas circulantes.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "existindo quatro sorotipos para o vírus causador da dengue" → o texto já entrega, de forma explícita, o dado central para resolver a questão: a dengue não é "um vírus", mas quatro variantes antigenicamente distintas (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).
  • Evidência 2: "hoje somente existe vacina, no Brasil, para a febre amarela e nenhuma vacina efetiva para a dengue" → reforça o contraste: mesmo pertencendo ao mesmo gênero (Flavivirus) e sendo transmitidos pelo mesmo vetor, os dois vírus diferem justamente na dimensão que mais importa para a produção de vacinas — a uniformidade antigênica.
  • Síntese: o enunciado constrói deliberadamente uma comparação "vírus parecidos, resultados vacinais diferentes" cuja única variável relevante mencionada no texto é o número de sorotipos da dengue. A resolução, portanto, deve conectar "quatro sorotipos" a "maior dificuldade de gerar imunidade cruzada e vacina única eficaz".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a diferença estrutural real entre os dois vírus

Febre amarela e dengue são causadas por vírus do mesmo gênero (Flavivirus), com genoma de RNA fita simples e organização genômica semelhante. Isso elimina, de saída, qualquer alternativa que aponte diferenças de composição básica do material genético (como tipos de ácido nucleico) — ambos são vírus de RNA, sem exceção para nenhum dos dois.

Subpasso 4.2 — Relacionar sorotipos com resposta imune e eficácia vacinal

O vírus da dengue existe em quatro sorotipos antigenicamente distintos. Isso significa que uma pessoa infectada (ou vacinada) contra o sorotipo 1, por exemplo, desenvolve anticorpos que reconhecem bem esse sorotipo, mas que são pouco eficientes — ou até problemáticos — contra os sorotipos 2, 3 e 4. Para ser realmente protetora, uma vacina contra a dengue precisaria induzir imunidade balanceada e duradoura simultaneamente contra os quatro sorotipos (vacina tetravalente), o que é tecnicamente muito mais difícil do que proteger contra um único sorotipo estável, como ocorre com a febre amarela. Esse é justamente o motivo histórico pelo qual o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a dengue demorou décadas e enfrentou insucessos: imunizações parciais podem até favorecer quadros mais graves em infecções subsequentes por outro sorotipo (fenômeno relacionado à resposta imune cruzada incompleta).

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando com as cinco alternativas, apenas a ideia de "alta variabilidade antigênica" (múltiplos sorotipos do vírus da dengue versus sorotipo único da febre amarela) explica de forma coerente e biologicamente correta por que existe vacina consolidada para uma doença e não para a outra. As demais alternativas propõem mecanismos que não correspondem à biologia real desses vírus (mutação comparativa, adaptação ao hospedeiro, tipos de ácido nucleico ou capacidade de indução imune), confirmando a alternativa B como resposta.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) maior taxa de mutação do vírus da febre amarela do que do vírus da dengue.

❌ Incorreta: a alternativa inverte o raciocínio esperado — mesmo que vírus de RNA tenham, em geral, taxas de mutação elevadas, não é uma suposta "maior mutação da febre amarela" que explica a existência de vacina; o texto não fornece (e a biologia não sustenta) essa comparação de taxas de mutação como causa do fenômeno. O fator determinante citado no próprio enunciado é o número de sorotipos, não a velocidade de mutação.

B) alta variabilidade antigênica do vírus da dengue em relação ao vírus da febre amarela.

✅ Correta: os quatro sorotipos da dengue representam justamente essa alta variabilidade antigênica — cada sorotipo apresenta proteínas de superfície suficientemente diferentes para exigir resposta imune específica. Isso torna extremamente complexo desenvolver uma vacina única e eficaz contra todos eles simultaneamente, ao contrário da febre amarela, cujo vírus apresenta baixa variabilidade antigênica (sorotipo único), permitindo uma vacina consolidada e amplamente eficaz.

C) menor adaptação do vírus da dengue à população humana do que do vírus da febre amarela.

❌ Incorreta: essa afirmação contraria a realidade epidemiológica — o vírus da dengue é altamente adaptado ao ciclo urbano humano-mosquito, causando epidemias recorrentes e de grande escala no Brasil, muitas vezes maiores em número de casos do que a febre amarela. "Adaptação ao hospedeiro" não é o fator que explica a ausência de vacina eficaz.

D) presença de dois tipos de ácidos nucleicos no vírus da dengue e somente um tipo no vírus da febre amarela.

❌ Incorreta: erro conceitual grave de virologia — todos os Flavivirus, incluindo dengue e febre amarela, possuem exclusivamente RNA fita simples de polaridade positiva como material genético. Nenhum dos dois vírus tem "dois tipos de ácidos nucleicos"; essa característica nem existe na virologia desses patógenos.

E) baixa capacidade de indução da resposta imunológica pelo vírus da dengue em relação ao da febre amarela.

❌ Incorreta: o vírus da dengue induz sim uma resposta imunológica robusta — é exatamente essa resposta (específica para cada sorotipo) que torna o quadro complexo, podendo inclusive agravar infecções subsequentes por sorotipos diferentes. O problema não é "pouca resposta imune", mas sim uma resposta imune que não protege de forma cruzada contra os quatro sorotipos.

🏆 Gabarito: B — a existência de quatro sorotipos antigenicamente distintos do vírus da dengue (alta variabilidade antigênica), em contraste com o sorotipo único e estável do vírus da febre amarela, é o que torna o desenvolvimento de uma vacina amplamente eficaz muito mais difícil para a dengue.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B relaciona corretamente a causa biológica real (variabilidade antigênica/sorotipos) ao efeito observado (dificuldade histórica de criar vacina eficaz contra a dengue); todas as demais alternativas descrevem mecanismos incorretos ou inexistentes para esses vírus.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma explorar temas de imunologia e virologia associando epidemias reais (dengue, febre amarela, zika, COVID-19) a conceitos como sorotipo, variabilidade antigênica, resposta imune primária/secundária e memória imunológica — sempre pedindo que o candidato extraia a lógica biológica de um texto de apoio jornalístico ou institucional.
  • Generalização: quanto maior a variabilidade antigênica de um patógeno (múltiplas cepas, sorotipos ou variantes), maior a dificuldade de desenvolver uma vacina universalmente eficaz — é o mesmo princípio que explica, por exemplo, a necessidade de atualização anual da vacina da gripe (influenza).
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que descreva diferenças estruturais básicas incompatíveis com o enunciado (como "tipos de ácido nucleico" quando o texto já diz que ambos são do mesmo gênero viral) e qualquer alternativa que contrarie fatos epidemiológicos conhecidos (dengue é altamente disseminada, logo não há "baixa adaptação" nem "baixa indução imune"). Sobra rapidamente a opção ligada a sorotipos.
  • Conexões: compare com a vacina da gripe (variabilidade antigênica sazonal do influenza) e com os debates sobre vacinas de dengue mais recentes (como a tetravalente), que precisam justamente proteger contra os quatro sorotipos ao mesmo tempo para evitar o fenômeno de agravamento por infecção secundária heteróloga.

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