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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 24ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

A participação da África na Segunda Guerra Mundial deve ser apreciada sob a ótica da escolha entre vários demônios. O seu engajamento não foi um processo de colaboração com o imperialismo, mas uma luta contra uma forma de hegemonia ainda mais perigosa.

Para o autor, a “forma de hegemonia” e uma de suas características que explicam o engajamento dos africanos no processo analisado foram:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Colonialismo europeu na África e Segunda Guerra Mundial (nazifascismo)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a leitura atenta do texto-base com conhecimento histórico sobre a diferença entre o imperialismo colonial "clássico" e o projeto racial nazifascista.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Participação africana na Segunda Guerra Mundial; competência de interpretar textos historiográficos e relacionar processos e ideologias políticas do século XX.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o autor, qual foi a 'forma de hegemonia' mais perigosa que levou os africanos a se engajarem na Segunda Guerra Mundial, e qual característica dela justifica essa escolha?"
  • Palavras-chave decisivas: escolha entre vários demônios, não foi um processo de colaboração com o imperialismo, hegemonia ainda mais perigosa
  • Armadilha típica: marcar a alternativa que fala em "colonialismo/missão civilizatória", pois ela repete literalmente o que o próprio texto já negou ser a explicação — confundir o "demônio conhecido" (o imperialismo europeu que os africanos já viviam) com o "demônio pior" que de fato motivou o engajamento.
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que o texto opõe dois males distintos — o imperialismo colonial europeu e o nazifascismo — e aponta o segundo, fundamentado na hierarquização biológica das raças, como a ameaça que levou africanos a lutar ao lado das próprias potências coloniais.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Imperialismo/colonialismo europeu: dominação política, econômica e territorial da África por potências como Reino Unido, França e Bélgica desde o fim do século XIX (consolidada na Partilha da África, Conferência de Berlim 1884-85), justificada pelo discurso da "missão civilizatória".
  • Nazifascismo: regimes totalitários (Alemanha nazista, Itália fascista) que uniam ultranacionalismo, expansionismo territorial e racismo institucionalizado como política de Estado, indo além da exploração econômica típica do colonialismo liberal.
  • Determinismo biológico (racismo científico): doutrina que hierarquiza povos a partir de supostas características raciais "naturais", atribuindo superioridade a uns e inferioridade radical a outros — base ideológica do projeto nazista de expansão e extermínio.
  • Tropas coloniais na Segunda Guerra: contingentes africanos (como os tirailleurs sénégalais franceses e os King's African Rifles britânicos) combateram nas frentes do norte da África e da Europa ao lado dos Aliados, muitas vezes recrutados dentro do próprio sistema colonial que os subjugava.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "escolha entre vários demônios" → o autor reconhece que havia mais de uma força opressora em disputa: o imperialismo europeu, já conhecido e sofrido pelos africanos, e uma nova hegemonia que se erguia com a expansão nazifascista.
  • Evidência 2: "não foi um processo de colaboração com o imperialismo, mas uma luta contra uma forma de hegemonia ainda mais perigosa" → o autor separa explicitamente as duas hegemonias, descartando a leitura simplista de que os africanos apenas serviram ao império colonizador, e afirmando que combateram outra força, mais grave.
  • Síntese: a "hegemonia ainda mais perigosa" só pode ser o nazifascismo, cuja característica definidora — o determinismo biológico — tornava o domínio projetado ainda mais desumanizante do que o colonialismo europeu tradicional, pois não apenas explorava territórios e mão de obra, mas hierarquizava e desumanizava biologicamente povos considerados "inferiores", abrindo caminho para políticas de subjugação extrema.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar os dois "demônios" em disputa

O texto trabalha com a metáfora de uma escolha entre males. De um lado está o imperialismo europeu, sistema que os africanos já conheciam e sofriam na pele — dominação colonial britânica, francesa, belga, com exploração econômica e controle político dos territórios. De outro lado, emerge uma "hegemonia ainda mais perigosa": o nazifascismo, que ganhava força na Europa das décadas de 1930 e 1940 e ameaçava se espalhar pelo continente africano caso o Eixo vencesse a guerra.

Subpasso 4.2 — Compreender por que o nazifascismo era "mais perigoso" que o colonialismo

Diferentemente do colonialismo liberal-burguês, que explorava economicamente os territórios sob um discurso — ainda que hipócrita — de "elevação civilizatória" dos povos colonizados, o nazifascismo elevava o racismo à condição de princípio científico e político central do Estado: o determinismo biológico. Nessa doutrina, as raças eram hierarquizadas por natureza, com os povos "arianos" considerados biologicamente superiores e os demais — entre eles negros, judeus, eslavos e ciganos — tratados como inferiores, descartáveis e potenciais alvos de subjugação extrema. Para os africanos, uma vitória do Eixo não representaria apenas a continuidade da dominação já existente, mas sua radicalização em bases raciais ainda mais brutais, sem sequer a retórica civilizatória que amenizava (ao menos no discurso) o colonialismo tradicional.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa conclusão com as alternativas, apenas uma opção reúne corretamente os dois elementos exigidos pelo comando: o regime político correspondente à "hegemonia mais perigosa" e a característica ideológica que explica por que os africanos se engajaram contra ela. As demais alternativas trazem sistemas políticos que não correspondem ao inimigo histórico da Segunda Guerra Mundial (comunismo, capitalismo, socialismo) ou reduzem a explicação exatamente ao imperialismo que o próprio texto já descarta como motivação central.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Comunismo / rejeição da democracia liberal.

❌ Incorreta: o comunismo não foi a força hegemônica combatida pelos africanos nesse contexto — pelo contrário, a União Soviética comunista integrava o bloco Aliado, ao lado das próprias potências coloniais europeias. "Rejeição da democracia liberal" também não é a característica discutida no texto em relação ao engajamento africano.

B) Capitalismo / devastação do ambiente natural.

❌ Incorreta: o capitalismo era, na verdade, a base econômica que sustentava o próprio imperialismo colonial já vivido pelos africanos, e não um "demônio" externo mais perigoso a ser combatido. Além disso, devastação ambiental é tema estranho ao trecho, que trata de hierarquização racial e disputa por hegemonia política.

C) Fascismo / adoção do determinismo biológico.

✅ Correta: o fascismo (nazifascismo) representa exatamente a "hegemonia ainda mais perigosa" citada no texto. Seu projeto de dominação se fundamentava no determinismo biológico — a ideia de que as raças eram naturalmente hierarquizadas —, o que tornava essa ameaça mais radical e desumanizante do que o imperialismo colonial já conhecido, justificando o alinhamento dos africanos às potências Aliadas.

D) Socialismo / planificação da economia nacional.

❌ Incorreta: o socialismo não foi o regime hegemônico enfrentado pelos africanos nesse conflito, e a planificação econômica é uma característica de política econômica sem relação com o eixo racial que estrutura o argumento do texto.

E) Colonialismo / imposição da missão civilizatória.

❌ Incorreta: é a alternativa mais tentadora, mas contraria diretamente o texto, que afirma que o engajamento africano "não foi um processo de colaboração com o imperialismo". Ou seja, o colonialismo é justamente o "demônio" que o texto descarta como motivação central, não a hegemonia mais perigosa que a questão pede para identificar.

🏆 Gabarito: C — o fascismo/nazifascismo, fundamentado no determinismo biológico das raças, configurava uma ameaça mais radical do que o colonialismo europeu, levando os africanos a se engajarem ao lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C combina corretamente o regime (fascismo) com sua característica ideológica definidora (determinismo biológico), sendo a única hegemonia que, de fato, superava o imperialismo em periculosidade para os povos africanos, segundo o argumento do autor.
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente traz textos historiográficos que revisam narrativas simplificadas sobre a Segunda Guerra Mundial, destacando o protagonismo de povos colonizados (africanos, asiáticos, magrebinos) nos exércitos aliados e suas motivações próprias, distintas da mera subordinação ao colonizador.
  • Generalização: em questões de interpretação histórica com "textos-armadilha", desconfie de alternativas que repetem quase literalmente algo que o próprio enunciado já negou explicitamente — geralmente são distratores construídos para testar a atenção do candidato à leitura.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara A, B e D, pois comunismo, capitalismo e socialismo não correspondem ao inimigo histórico enfrentado na Segunda Guerra Mundial (o Eixo); depois compare C e E lembrando que o texto nega expressamente que a motivação fosse o imperialismo/colonialismo — restando apenas C como resposta coerente.
  • Conexões: relacione com o estudo do racismo científico dos séculos XIX-XX e com a participação de tropas coloniais (tirailleurs sénégalais, tropas indianas e magrebinas) nas frentes europeias e africanas da guerra, tema recorrente em questões sobre descolonização afro-asiática do pós-1945.

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