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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 29ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

No final do século XX e em razão dos avanços da ciência, produziu-se um sistema presidido pelas técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando ao novo sistema uma presença planetária. Um mercado que utiliza esse sistema de técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa.

SANTOS, M. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2008 (adaptado).

Uma consequência para o setor produtivo e outra para o mundo do trabalho advindas das transformações citadas no texto estão presentes, respectivamente, em:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Globalização, sistemas técnicos e mundo do trabalho (pensamento de Milton Santos)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a teoria do meio técnico-científico-informacional com efeitos concretos sobre a produção e o emprego.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Globalização perversa e reestruturação produtiva — compreender as transformações no mundo do trabalho decorrentes da mundialização técnica
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual alternativa apresenta, nessa ordem, um efeito da globalização técnico-científico-informacional sobre o setor produtivo e outro sobre o mundo do trabalho?"
  • Palavras-chave decisivas: técnicas da informação, elo entre as demais técnicas, globalização perversa
  • Armadilha típica: inverter mentalmente a ordem pedida (produção primeiro, trabalho depois) ou marcar alternativas que descrevem conquistas trabalhistas — o texto já avisa que a globalização em questão é "perversa", ou seja, os efeitos citados devem ser negativos, não protetivos.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o aluno entende que a informatização da produção gera automação nas fábricas e, como consequência social direta, desemprego — não o contrário (fortalecimento sindical, ampliação de direitos etc.).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Meio técnico-científico-informacional: conceito de Milton Santos para o período atual do espaço geográfico, no qual ciência, tecnologia e informação se fundem e passam a comandar a produção e a circulação em escala planetária.
  • Globalização perversa: categoria criada por Milton Santos (em Por uma outra globalização) para descrever os efeitos reais da mundialização técnica — aumento do desemprego, das desigualdades e da pobreza relativa — em contraposição ao discurso ideológico da "globalização como fábula", que a apresenta apenas como progresso e integração.
  • Reestruturação produtiva: conjunto de mudanças (automação, robotização, produção flexível, terceirização) adotadas pelas empresas para reduzir custos e aumentar produtividade, substituindo trabalho humano por sistemas tecnológicos.
  • Desemprego estrutural/tecnológico: desemprego causado não por uma crise conjuntural passageira, mas pela substituição permanente de postos de trabalho por máquinas e sistemas automatizados de produção.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "produziu-se um sistema presidido pelas técnicas da informação... unindo-as e assegurando ao novo sistema uma presença planetária" → mostra que a informática e as telecomunicações passaram a integrar e comandar as demais técnicas produtivas, permitindo controle e produção em tempo real em qualquer ponto do planeta.
  • Evidência 2: "um mercado que utiliza esse sistema... resulta nessa globalização perversa" → o próprio texto entrega a chave interpretativa: os efeitos dessa globalização técnica são classificados como perversos, isto é, prejudiciais a boa parte da sociedade — não como avanços em direitos ou organização coletiva dos trabalhadores.
  • Síntese: a alternativa correta precisa combinar um efeito técnico-produtivo compatível com automação/informatização e um efeito social-trabalhista compatível com precarização, e não com ganhos institucionais para o trabalhador.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — O efeito sobre o setor produtivo

Quando a informática passa a comandar o processo produtivo, as fábricas incorporam máquinas, softwares e sistemas de controle automatizado (robótica, comando numérico, produção integrada por computador) para executar tarefas antes realizadas por trabalhadores. Linhas de montagem, controle de qualidade e logística interna tornam-se cada vez mais dependentes de sistemas técnico-científico-informacionais e cada vez menos de mão de obra direta. Essa automatização dos processos fabris é justamente o "sistema presidido pelas técnicas da informação" descrito por Milton Santos.

Subpasso 4.2 — O efeito sobre o mundo do trabalho

Se máquinas e sistemas informacionais passam a executar etapas antes realizadas por pessoas, a consequência direta é a redução da demanda por trabalhadores, sobretudo em funções repetitivas e pouco qualificadas. Some-se a isso a lógica da "globalização perversa": empresas buscam reduzir custos, terceirizar processos e flexibilizar contratos, ampliando o desemprego estrutural e a informalidade. O aumento dos níveis de desemprego é, portanto, a contrapartida social coerente com o diagnóstico de Santos.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando os dois efeitos apurados — automação (produção) e desemprego (trabalho), nessa ordem — com as cinco alternativas, apenas a alternativa E reproduz exatamente essa relação de causa e efeito, na sequência exigida pelo comando (primeiro o setor produtivo, depois o mundo do trabalho).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Eliminação das vantagens locacionais e ampliação da legislação laboral.

❌ Incorreta: a globalização técnico-informacional não elimina vantagens locacionais — ela as reconfigura, valorizando lugares com infraestrutura de telecomunicações, mão de obra barata ou incentivos fiscais (o que Milton Santos chama de horizontalidades e verticalidades do espaço). Além disso, o período é marcado por flexibilização e desregulamentação trabalhista, não por "ampliação" de leis protetoras do trabalhador.

B) Limitação dos fluxos logísticos e fortalecimento de associações sindicais.

❌ Incorreta: ocorre exatamente o oposto — o sistema técnico-científico-informacional amplia e acelera os fluxos logísticos (rastreamento em tempo real, produção just-in-time, cadeias globais de suprimento). Quanto aos sindicatos, a ameaça de deslocalização das empresas e a terceirização enfraquecem o poder de barganha sindical, em vez de fortalecê-lo.

C) Diminuição dos investimentos industriais e desvalorização dos postos qualificados.

❌ Incorreta: os investimentos industriais não diminuem em escala global — eles se redirecionam para regiões mais vantajosas, seguindo a nova divisão internacional do trabalho. Além disso, é o trabalho pouco qualificado e repetitivo que perde valor com a automação; a mão de obra qualificada tende a ser mais valorizada, pois é ela que opera e supervisiona os próprios sistemas tecnológicos.

D) Concentração das áreas manufatureiras e redução da jornada semanal.

❌ Incorreta: a tendência observada é de desconcentração espacial da indústria — plantas fabris migram para áreas periféricas com custos menores (as chamadas indústrias "pé-leve"), e não de concentração. A jornada de trabalho, por sua vez, não se reduz como regra: a precarização tende a gerar jornadas irregulares e informais, não uma diminuição planejada do tempo de trabalho.

E) Automatização dos processos fabris e aumento dos níveis de desemprego.

✅ Correta: reproduz com precisão a relação de causa e efeito descrita no texto — a incorporação das técnicas da informação ao processo produtivo automatiza as fábricas (efeito sobre o setor produtivo) e, como consequência direta, reduz postos de trabalho, elevando o desemprego (efeito sobre o mundo do trabalho). É exatamente essa dupla consequência negativa que Milton Santos batiza de "globalização perversa".

🏆 Gabarito: E — a automação fabril e o aumento do desemprego são, respectivamente, as consequências do sistema técnico-científico-informacional sobre a produção e sobre o trabalho, coerentes com a "globalização perversa" descrita por Milton Santos.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E mantém coerência interna com a ideia de "perversidade" anunciada no próprio texto-base — um efeito técnico-produtivo real (automação) seguido de um efeito social real e negativo (desemprego).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos de Milton Santos para cobrar os conceitos de meio técnico-científico-informacional, globalização perversa/fabulosa/como possibilidade, e as consequências da reestruturação produtiva sobre o trabalho (flexibilização, terceirização, desemprego estrutural).
  • Generalização: em questões sobre globalização e trabalho, desconfie de alternativas que descrevem "fortalecimento", "ampliação" ou "conquistas" trabalhistas como efeito direto da tecnologia — historicamente, a tendência dominante é de flexibilização e precarização, não de proteção.
  • Dica de eliminação rápida: leia a expressão final do texto-base ("globalização perversa") como uma pista de tom: elimine de cara qualquer alternativa que soe positiva ou protetiva para o trabalhador (A e B caem nesse filtro em poucos segundos).
  • Conexões: compare com questões sobre a nova divisão internacional do trabalho, o toyotismo/acumulação flexível e os conceitos de "espaço banal" versus "espaço luminoso", também de Milton Santos.

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