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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 37ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

No início foram as cidades. O intelectual da Idade Média – no Ocidente – nasceu com elas. Foi com o desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e industrial – digamos modestamente artesanal – que ele apareceu, como um desses homens de ofício que se instalavam nas cidades nas quais se impôs a divisão do trabalho. Um homem cujo ofício é escrever ou ensinar, e de preferência as duas coisas a um só tempo, um homem que, profissionalmente, tem uma atividade de professor e erudito, em resumo, um intelectual – esse homem só aparecerá com as cidades.

O surgimento da categoria mencionada no período em destaque no texto evidencia o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Baixa Idade Média, renascimento urbano comercial e divisão do trabalho
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta está no próprio texto, mas exige leitura atenta para não cair em alternativas que introduzem elementos ausentes do trecho
  • 🎯 Tema/Habilidade: Surgimento do intelectual urbano na Baixa Idade Média; competência de interpretar texto historiográfico e relacionar processo social a contexto histórico
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "o que o surgimento da figura do intelectual medieval, descrito no trecho em destaque, evidencia sobre a sociedade da época?"
  • Palavras-chave decisivas: desenvolvimento urbano, divisão do trabalho, homens de ofício
  • Armadilha típica: trocar a causa apontada pelo texto (cidade + divisão do trabalho) por uma consequência institucional posterior, como corporações de ofício organizadas ou expansão da educação escolar — ideias que soam plausíveis sobre a Idade Média, mas não estão no trecho
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de extrair do próprio texto, sem inventar informação externa, qual processo histórico está sendo apresentado como origem do intelectual medieval

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Renascimento urbano e comercial (séculos XI-XIII): depois de uma Alta Idade Média marcada pela ruralização da economia europeia, o Ocidente vive a retomada das rotas comerciais, o crescimento das feiras e o fortalecimento das cidades (burgos), impulsionada pelo comércio e pelo artesanato
  • Divisão do trabalho: processo de especialização de funções que se intensifica com a vida urbana — cada habitante passa a exercer um "ofício" específico (mercador, artesão, tecelão, notário, professor), em contraste com a economia rural mais autossuficiente do feudalismo clássico
  • O intelectual medieval (leitura inspirada em Jacques Le Goff): figura que passa a viver profissionalmente de ensinar e escrever, associada ao surgimento das primeiras universidades urbanas (Paris, Bolonha, Oxford), rompendo com o modelo anterior do monge erudito, isolado nos mosteiros do campo

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Foi com o desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e industrial [...] que ele apareceu" → o texto atribui explicitamente o nascimento do intelectual ao crescimento das cidades e às suas funções econômicas, não a uma instituição religiosa ou escolar
  • Evidência 2: "como um desses homens de ofício que se instalavam nas cidades nas quais se impôs a divisão do trabalho" → a cidade é apresentada como o espaço em que a especialização das atividades se impõe, e o intelectual surge justamente como mais um "ofício" dentro dessa lógica de especialização
  • Síntese: o texto constrói uma cadeia de causa e efeito muito clara — cidade em expansão → divisão do trabalho → multiplicação de ofícios especializados → surgimento do ofício intelectual (escrever/ensinar). A alternativa correta precisa reproduzir exatamente essa cadeia, sem adicionar nem remover elos

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o trecho em destaque

O enunciado destaca justamente a abertura do texto: "No início foram as cidades. O intelectual da Idade Média [...] nasceu com elas." É essa afirmação — cidade como berço do intelectual — que a pergunta pede para explicar.

Subpasso 4.2 — Reconstituir o raciocínio do autor

Le Goff rompe com a ideia de que o saber medieval sempre existiu do mesmo modo. Ele mostra que existe um "antes" (o clérigo-monge, ligado ao mosteiro rural, à economia de subsistência e à cópia de manuscritos por devoção) e um "depois" (o intelectual urbano, que vive do próprio ofício de ensinar e escrever, remunerado, inserido no mercado de trabalho da cidade). A ponte entre esses dois momentos é exatamente o desenvolvimento urbano-comercial, que gera divisão do trabalho e, com ela, a especialização de um novo "ofício": o do professor/erudito.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando essa cadeia causal — urbanização → divisão do trabalho → surgimento do ofício intelectual — com as cinco alternativas, apenas uma reproduz fielmente os dois elementos citados literalmente pelo texto ("desenvolvimento urbano" e "divisão do trabalho"), sem acrescentar informação que o trecho não contém.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) apoio dado pela Igreja ao trabalho abstrato.

❌ Incorreta: o trecho não menciona a Igreja nem o conceito de "trabalho abstrato". É uma armadilha que explora o fato histórico de que muitos intelectuais medievais eram clérigos, mas essa relação institucional simplesmente não aparece no texto citado — é informação externa forçada sobre o enunciado.

B) relação entre desenvolvimento urbano e divisão de trabalho.

✅ Correta: reproduz com exatidão os dois processos que o texto aponta explicitamente como causa do surgimento do intelectual — "desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e industrial" e a cidade "na qual se impôs a divisão do trabalho". Nenhuma outra alternativa fica tão colada ao vocabulário e à lógica causal do trecho.

C) importância organizacional das corporações de ofício.

❌ Incorreta: o texto usa a expressão "homens de ofício", mas em nenhum momento fala em corporações organizadas (as futuras guildas e universitas medievais). Tratar isso como "importância organizacional" é uma inferência que extrapola o que está escrito — o foco do trecho é a origem urbana do ofício, não sua organização coletiva.

D) progressiva expansão da educação escolar.

❌ Incorreta: o texto descreve o surgimento de um profissional (o intelectual) dentro da divisão urbana do trabalho, não um processo de expansão da escolarização como fenômeno educacional em si. Confunde a consequência distante (mais tarde, universidades e escolas de fato se multiplicam) com a causa apontada no trecho.

E) acúmulo de trabalho dos professores e eruditos.

❌ Incorreta: inverte o sentido do conceito central do texto. "Divisão do trabalho" significa especialização e fragmentação de funções, exatamente o oposto de "acúmulo de trabalho". É um erro conceitual clássico de leitura apressada, que troca uma palavra-chave por seu quase-antônimo.

🏆 Gabarito: B — a única alternativa que espelha, com fidelidade ao vocabulário do texto, a relação de causa e efeito entre desenvolvimento urbano e divisão do trabalho como origem do intelectual medieval.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa B é a única que não acrescenta nem distorce nenhum elemento do texto — ela apenas nomeia, com as próprias palavras do enunciado, o processo histórico descrito.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos de historiadores como Jacques Le Goff, Georges Duby e Marc Bloch para cobrar a Idade Média a partir de interpretação textual, e não de memorização de datas ou nomes de reis.
  • Generalização: em questões do tipo "o trecho evidencia", a alternativa correta é quase sempre uma paráfrase direta da relação de causa e efeito construída no próprio texto — desconfie de opções que trazem termos "históricos plausíveis" mas ausentes do enunciado.
  • Dica de eliminação rápida: risque de imediato qualquer alternativa que mencione atores ou instituições não citados no trecho (aqui, "Igreja" em A e "corporações de ofício" em C); depois, desconfie de alternativas que usam um conceito quase idêntico ao do texto, mas invertido em seu sentido (aqui, "acúmulo" em E, oposto de "divisão").
  • Conexões: renascimento comercial e urbano europeu (séculos XI-XIII), surgimento das primeiras universidades medievais, ascensão da burguesia mercantil como nova força social.

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