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Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaMédio

Questão 16ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência. Quando pensamos em uma montanha de ouro, não fazemos mais do que juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos. Podemos conceber um cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios sentimento, e podemos unir a isso a figura e a forma de um cavalo, animal que nos é familiar.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1995.

Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Teoria do Conhecimento (Empirismo de David Hume)
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretação de um texto filosófico argumentativo e domínio conceitual do vocabulário empirista (impressão, ideia, experiência)
  • 🎯 Tema/Habilidade: Empirismo humeano e a origem sensorial das ideias; competência de identificar e comparar diferentes correntes de pensamento filosófico
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto de Hume, qual é a relação que se estabelece entre o pensamento (a formação de ideias) e a impressão sensorial (a experiência dos sentidos)?"
  • Palavras-chave decisivas: sentidos e experiência, compor, transpor, aumentar ou diminuir, materiais
  • Armadilha típica: trocar a tese sobre a origem do conteúdo das ideias por uma tese sobre a organização ou classificação desse conteúdo — são operações mentais diferentes, e o texto fala apenas da primeira.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que, para Hume, a mente não cria conteúdo do nada — ela apenas recombina materiais que a sensação e a experiência já forneceram.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Empirismo: corrente filosófica que sustenta que todo conhecimento humano deriva da experiência sensível, rejeitando a existência de ideias inatas presentes na mente antes de qualquer contato com o mundo.
  • Impressões e ideias (Hume): impressões são os dados imediatos e vívidos captados pelos sentidos (ver, tocar, sentir); ideias são cópias mentais dessas impressões, que o intelecto pode depois combinar entre si.
  • Poder criativo da mente: para Hume, esse poder não é uma criação absoluta a partir do nada, mas uma faculdade puramente combinatória — compor, transpor, aumentar ou diminuir materiais que os sentidos e a experiência já entregaram à mente.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência." → revela que a mente não inventa conteúdo original: ela apenas manipula, por operações mecânicas, materiais que já vieram de fora, pela via sensorial.
  • Evidência 2: "montanha de ouro... juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos." → mostra que mesmo uma ideia inédita (nunca vista concretamente) é, na verdade, a soma de dois elementos que a experiência sensorial já havia fornecido separadamente.
  • Evidência 3: "cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nosso próprio sentimento" → reforça que até um atributo abstrato, como a virtude, tem sua matéria-prima numa vivência, e não em um conceito puramente racional ou inato.
  • Síntese: em todos os exemplos, por mais "criativa" que a ideia pareça, seu conteúdo remonta sempre a impressões sensoriais e experienciais anteriores. O vínculo que Hume estabelece entre pensamento e impressão é de origem: pensar é recombinar aquilo que os sentidos já entregaram à mente.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a tese central do texto

O trecho é a base do empirismo de Hume, exposto em "Investigação sobre o Entendimento Humano". Hume se opõe a filosofias racionalistas/inatistas (como a de Descartes), que admitem ideias presentes na mente independentemente da experiência. Para Hume, a mente é como um "artesão" que só trabalha com a matéria-prima que os sentidos lhe entregam — ela nunca fabrica matéria nova, apenas recombina.

Subpasso 4.2 — Generalizar a partir dos exemplos

Os dois exemplos do texto confirmam a tese: a montanha de ouro é a junção de "ouro" e "montanha", ambos já experimentados; o cavalo virtuoso é a combinação de um sentimento (virtude) já sentido com uma figura (cavalo) já vista. Note que o texto não menciona classificação, memória ou acaso em nenhum momento — fala exclusivamente de composição de materiais que vêm da sensação e da experiência.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa generalização com as cinco alternativas, apenas uma reproduz fielmente a tese, sem acrescentar elementos estranhos ao texto (acaso, memória, classificação) e sem restringir indevidamente a fonte das ideias a um único fator ("sentimento"): a que afirma que o conteúdo das ideias no intelecto tem origem na sensação.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na sensação.

✅ Correta: é exatamente a tese humeana explicitada no texto — o "material" das ideias (ouro, montanha, virtude, cavalo) vem da sensação e da experiência; a mente apenas compõe, transpõe, aumenta ou diminui esse material, sem jamais criar conteúdo independente dele.

B) o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível.

❌ Incorreta: o texto não descreve uma função classificatória ou taxonômica da mente (ordenar dados em categorias), mas uma função combinatória — compor, transpor, aumentar, diminuir. Classificar é uma operação cognitiva diferente, que sequer é mencionada no trecho.

C) as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso.

❌ Incorreta: embora Hume, em outras passagens, distinga impressões (mais vívidas) de ideias (cópias mais tênues), o texto citado não faz nenhuma referência a "acaso" ou aleatoriedade na origem das experiências — essa informação é inventada e não decorre do enunciado.

D) os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória.

❌ Incorreta: inverte a relação apresentada no texto. Ali, o sentimento é matéria-prima para a formação de uma ideia (como a virtude), e não um mecanismo que organiza o processamento de pensamentos na memória — aliás, o texto nem menciona memória.

E) as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na empiria.

❌ Incorreta: restringe indevidamente a fonte das ideias apenas ao "sentimento", enquanto o texto fala amplamente em "sentidos e experiência" — visão, tato e outras percepções, além de sentimentos internos. O sentimento aparece apenas como um exemplo pontual (a virtude), não como a fonte específica e exclusiva de toda ideia.

🏆 Gabarito: A — o texto de Hume estabelece que o poder criativo da mente se limita a recombinar materiais fornecidos pelos sentidos e pela experiência; logo, o conteúdo de toda ideia tem sua origem na sensação, o que é exatamente o que a alternativa A afirma.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa A é a única que expressa fielmente a tese empirista de Hume — o conteúdo das ideias no intelecto tem origem na sensação — sem acrescentar nem restringir informações que o texto não sustenta.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer trechos originais de filósofos clássicos (Hume, Locke, Descartes, Kant) e pedir a identificação da tese central pela leitura atenta do fragmento, sem exigir memorização extensa de obras completas.
  • Generalização: em questões de Filosofia com trecho de autor, a alternativa correta costuma ser uma paráfrase fiel e abrangente do texto; as erradas geralmente inserem termos ausentes (acaso, memória, classificação) ou estreitam demais o alcance de um conceito tratado de forma mais ampla no original.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que citem elementos não mencionados no texto (memória, acaso) e as que reduzem a fonte das ideias a um único fator quando o texto usa expressão mais ampla ("sentidos e experiência").
  • Conexões: compare com o racionalismo cartesiano, que admite ideias inatas independentes da experiência, e com o empirismo de John Locke, que descreve a mente como uma "tábula rasa" preenchida unicamente pela experiência sensorial.

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