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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 15ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia ensina indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais a empregar o GPS e técnicas modernas de georreferenciamento para produzir mapas artesanais, mas bastante precisos, de suas próprias terras.

LOPES, R. J. O novo mapa da floresta. Folha de S. Paulo, 7 maio 2011 (adaptado).

A existência de um projeto como o apresentado no texto indica a importância da cartografia como elemento promotor da

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Cartografia social e territorialidade
  • ⚡ Nível: Médio — o vocabulário do enunciado é simples, mas a alternativa correta exige associar "mapear o próprio território" a um conceito abstrato (identidade coletiva), o que confunde quem lê a questão de forma apressada
  • 🎯 Tema/Habilidade: Cartografia social como instrumento de reconhecimento e valorização de povos e comunidades tradicionais — competência de área ligada à leitura crítica de fenômenos socioespaciais e à compreensão do papel da cartografia na organização do espaço
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que o projeto de mapeamento feito por indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais, sobre suas próprias terras, promove ou fortalece?"
  • Palavras-chave decisivas: indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais, mapas artesanais... de suas próprias terras, cartografia como elemento promotor
  • Armadilha típica: associar "GPS", "georreferenciamento" e "terras" a temas econômicos ou produtivos (agronegócio, agroindústria) só porque a questão fala em terra e tecnologia — ignorando que os sujeitos do texto são grupos tradicionais mapeando seu próprio território, não empresas ou o Estado mapeando terras para exploração
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a cartografia produzida pelos próprios grupos tradicionais tem função de autorreconhecimento, afirmação e defesa da identidade e do território desses povos, e não uma função de exploração econômica do espaço

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Cartografia social: ramo da cartografia em que as próprias comunidades — e não só técnicos externos — mapeiam seu território, seus limites, recursos e modos de vida, tornando-se autoras (e não apenas objeto) do mapa.
  • Territorialidade: relação de pertencimento e apropriação simbólica, cultural e material que um grupo estabelece com um espaço, transformando-o em "seu" território — base da identidade de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos etc.
  • Identidade coletiva: conjunto de traços culturais, históricos e sociais compartilhados que distinguem e unem um grupo; em povos tradicionais, está diretamente ligada ao território ocupado e às práticas nele realizadas.
  • Amazônia como espaço de disputa territorial: historicamente, o mapeamento "oficial" da região foi feito de fora para dentro (Estado, empresas), muitas vezes invisibilizando territórios tradicionais; o Projeto Nova Cartografia Social inverte essa lógica.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "ensina indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais a empregar o GPS e técnicas modernas de georreferenciamento" → revela que o sujeito ativo do mapeamento são as próprias comunidades tradicionais, não agentes externos (governo, empresas, pesquisadores de fora); a tecnologia é colocada a serviço do grupo, não usada sobre ele.
  • Evidência 2: "para produzir mapas artesanais, mas bastante precisos, de suas próprias terras" → revela que o objeto mapeado é o território de pertencimento desses grupos — "suas próprias terras" indica posse simbólica e vínculo identitário, não uma área qualquer a ser explorada economicamente.
  • Síntese: o texto descreve um processo em que comunidades tradicionais se apropriam de uma ferramenta técnica (cartografia moderna) para representar e afirmar formalmente o território que consideram seu — ou seja, a cartografia deixa de ser só uma técnica neutra e passa a ser um instrumento político-cultural de reconhecimento e fortalecimento da identidade desses grupos perante o Estado e a sociedade.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar quem produz o mapa e por quê

O texto é claro: quem aprende a usar GPS e georreferenciamento são "indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais". Não se trata de um órgão público mapeando terras para exploração agrícola ou industrial, nem de uma ação de remoção de populações — é o próprio grupo tradicional que se torna cartógrafo de seu território. Esse deslocamento de autoria (de quem é mapeado para quem mapeia) é o núcleo conceitual da questão.

Subpasso 4.2 — Relacionar a autoria do mapa à função social da cartografia

Quando um grupo tradicional mapeia "suas próprias terras", produz um documento que comprova, visibiliza e legitima sua presença histórica naquele espaço — prova útil, por exemplo, em processos de demarcação de terras indígenas ou titulação de territórios quilombolas. Mais do que isso: o próprio ato de mapear reforça o vínculo identitário, pois o grupo reconhece, nomeia e registra os elementos de seu território (rios, roças, áreas sagradas), reafirmando quem ele é e onde pertence.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse raciocínio com as alternativas: nenhuma delas menciona expansão agrícola, remoção de populações, superação de pobreza ou agroindústria como efeito direto do texto — ideias que contradizem ou são irrelevantes à cena descrita. A única alternativa compatível com "grupos tradicionais mapeando seu próprio território para se autoafirmar" é a que fala em valorização de identidades coletivas, confirmando a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) expansão da fronteira agrícola.

❌ Incorreta: a expansão da fronteira agrícola associa-se ao avanço de atividades econômicas (pecuária, monocultura, mineração) sobre áreas de floresta e, com frequência, sobre terras de povos tradicionais — é o processo oposto ao descrito no texto, que trata da autodefesa territorial desses grupos, não de sua expulsão para dar lugar à agropecuária.

B) remoção de populações nativas.

❌ Incorreta: o projeto descrito faz o contrário — fortalece a permanência e o reconhecimento dos grupos tradicionais em seus territórios. Um mapa produzido pela própria comunidade, comprovando ocupação histórica, é ferramenta de resistência à remoção, não instrumento que a promove.

C) superação da condição de pobreza.

❌ Incorreta: o texto não menciona geração de renda, inclusão econômica ou combate à pobreza. A cartografia social tem finalidade territorial e identitária, não diretamente socioeconômica — misturar os dois é erro comum de quem associa "desenvolvimento" a qualquer ação com tecnologia e comunidades tradicionais.

D) valorização de identidades coletivas.

✅ Correta: ao ensinar os próprios grupos tradicionais a mapear seu território, o projeto transforma a cartografia em instrumento de autorreconhecimento e afirmação cultural. O mapa expressa a visão de mundo, os limites e os referenciais simbólicos do grupo, fortalecendo sua identidade coletiva perante o Estado e a sociedade — exatamente a "importância da cartografia" sugerida pelo enunciado.

E) implantação de modernos projetos agroindustriais.

❌ Incorreta: "técnicas modernas de georreferenciamento" não indica modernização produtiva ou industrial; a tecnologia é usada para reconhecimento territorial e cultural, não para viabilizar projetos agroindustriais, que aliás costumam gerar conflito com esses mesmos grupos.

🏆 Gabarito: D — o projeto descrito coloca a cartografia a serviço da autorrepresentação de povos tradicionais, transformando o mapeamento técnico em instrumento de reconhecimento, afirmação e valorização de suas identidades coletivas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra D é a única alternativa coerente com o fato central do texto — grupos tradicionais mapeando, eles mesmos, o próprio território; as demais invertem o sentido do texto (remoção, exploração agrícola/industrial) ou introduzem um tema ausente (pobreza).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a cartografia não como técnica neutra, mas como instrumento carregado de poder — quem mapeia controla a narrativa sobre o espaço. Questões desse tipo contrastam cartografia oficial/estatal com cartografia social/participativa, ligando o tema a povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
  • Generalização: sempre que o enunciado descrever um grupo social se apropriando de uma técnica (mapeamento, registro, documentação) para representar a si mesmo, a resposta tende a girar em torno de autonomia, reconhecimento ou valorização identitária — não de exploração econômica do espaço.
  • Dica de eliminação rápida: identifique o sujeito da ação. Se quem mapeia é o próprio grupo tradicional (não o Estado ou empresas), descarte de imediato alternativas ligadas a expansão produtiva, remoção populacional ou agroindústria — elas descrevem o papel de agentes externos, não dos grupos do texto.
  • Conexões: o tema dialoga com "geografia cultural e identidade territorial" e com "conflitos socioambientais na Amazônia".

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