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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 21ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

Atualmente, as represálias econômicas contra as empresas de informática norte-americanas continuam. A Alemanha proibiu um aplicativo dos Estados Unidos de compartilhamento de carros; na China, o governo explicou que os equipamentos e serviços de informática norte-americanos representam uma ameaça, pedindo que as empresas estatais não recorram a eles.

SCHILLER, D. Disponível em: www.diplomatique.org.br. Acesso em: 11 nov. 2014 (adaptado).

As ações tomadas pelos países contra a espionagem revelam preocupação com o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica da informação e das telecomunicações no mundo contemporâneo
  • ⚡ Nível: Médio — exige conectar o texto a um contexto histórico recente (espionagem digital) e diferenciar conceitos próximos, como segurança de dados e protecionismo econômico
  • 🎯 Tema/Habilidade: Vigilância digital, soberania de dados e disputas de poder entre Estados no espaço cibernético; competência de interpretar conflitos internacionais contemporâneos ligados à tecnologia
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que preocupação motiva Alemanha e China a restringirem produtos de tecnologia dos Estados Unidos?"
  • Palavras-chave decisivas: espionagem, ameaça, equipamentos e serviços de informática
  • Armadilha típica: confundir a restrição imposta pelos governos com protecionismo comercial, já que "proibir" e "evitar" empresas estrangeiras lembram, à primeira vista, barreiras de mercado
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que a justificativa explícita das ações é o risco de vazamento/coleta indevida de informações, não a defesa da indústria nacional frente à concorrência

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Vigilância em massa e espionagem cibernética: prática de coleta sistemática de dados de comunicações por agências de inteligência, revelada ao mundo em 2013 pelo ex-analista da NSA Edward Snowden, que expôs o programa PRISM.
  • Segurança dos dados / soberania informacional: capacidade de um Estado, empresa ou cidadão de proteger informações sensíveis contra acesso não autorizado por terceiros, sobretudo agentes estrangeiros.
  • Protecionismo dos mercados: conjunto de medidas comerciais (tarifas, cotas, barreiras regulatórias) adotadas para proteger a produção nacional da concorrência externa, motivado por interesse econômico, não por segurança.
  • Hegemonia cultural: conceito ligado à difusão de valores, hábitos de consumo e padrões simbólicos de um país sobre outros, associado ao poder brando (soft power), distinto de uma ameaça técnica concreta.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "as represálias econômicas contra as empresas de informática norte-americanas continuam" → indica uma sequência de medidas de retaliação, sinal de desconfiança já consolidada, não um episódio isolado.
  • Evidência 2: "a Alemanha proibiu um aplicativo dos Estados Unidos de compartilhamento de carros" → país diretamente afetado pelo escândalo de espionagem (o telefone da chanceler Angela Merkel foi monitorado pela NSA) age concretamente contra um serviço digital americano.
  • Evidência 3: "o governo explicou que os equipamentos e serviços de informática norte-americanos representam uma ameaça, pedindo que as empresas estatais não recorram a eles" → a China usa explicitamente a palavra "ameaça" associada a equipamentos de TI, não a preço, qualidade ou concorrência.
  • Síntese: O fio condutor de todo o texto é a espionagem: as ações de Alemanha e China respondem ao temor de que a infraestrutura tecnológica americana funcione como canal de coleta indevida de dados sigilosos, apontando diretamente para a segurança da informação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituir o contexto histórico do texto

Em 2013, o ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden, revelou a existência de um amplo programa de vigilância em massa, o PRISM, por meio do qual a NSA coletava dados de comunicações de cidadãos, empresas e governos ao redor do mundo, contando com a cooperação — voluntária ou compulsória — de grandes empresas de tecnologia sediadas nos EUA. Descobriu-se, inclusive, que líderes estrangeiros, como a chanceler alemã Angela Merkel, tiveram seus telefones monitorados. Esse episódio tornou público que produtos, aplicativos e serviços de informática norte-americanos podiam operar como portas de entrada para espionagem estatal, abalando a confiança internacional nesse setor.

Subpasso 4.2 — Relacionar cada ação descrita ao motivo comum

A Alemanha proíbe um aplicativo de compartilhamento de carros: mesmo sendo uma medida com efeitos econômicos, o texto a enquadra na onda de desconfiança pós-Snowden em relação a serviços digitais americanos capazes de coletar e transmitir dados de usuários. Já a China orienta suas estatais a evitarem equipamentos e serviços de TI dos EUA, classificando-os expressamente como "ameaça" — termo que remete a risco de segurança nacional, e não a preço ou desempenho de produto. Em ambos os casos, o denominador comum não é a defesa do mercado interno, mas o receio de que a infraestrutura tecnológica controlada por empresas americanas seja usada para acessar informações sensíveis — governamentais, empresariais e pessoais — sem autorização.

Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação conceitual

Ao confrontar essa síntese com as cinco alternativas, "subsídio industrial" e "desemprego tecnológico" não aparecem em nenhum ponto do texto; "hegemonia cultural" trataria de valores e costumes, não de vigilância; "protecionismo dos mercados" seria plausível apenas se a justificativa fosse concorrência comercial, mas o enunciado usa explicitamente os termos "espionagem" e "ameaça" ligados a dados. A única alternativa compatível com essas evidências é a preocupação com a segurança dos dados.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) subsídio industrial.

❌ Incorreta: subsídio industrial refere-se a apoio financeiro ou fiscal do Estado a setores produtivos internos para estimular produção e competitividade. O texto não menciona qualquer incentivo às empresas nacionais, apenas restrições às empresas estrangeiras justificadas por risco de espionagem.

B) hegemonia cultural.

❌ Incorreta: hegemonia cultural diz respeito à dominação simbólica exercida pela difusão de valores, hábitos de consumo e produtos culturais de um país sobre outros. O texto não discute imposição de padrões culturais, mas o risco concreto de coleta indevida de dados por meio de canais tecnológicos.

C) protecionismo dos mercados.

❌ Incorreta: é a armadilha mais forte da questão, pois proibir e evitar empresas estrangeiras lembra barreiras comerciais. Contudo, o texto justifica as ações explicitamente pelo temor de espionagem e pela palavra "ameaça", e não por defesa da indústria nacional diante da concorrência de preço ou mercado — protecionismo mira competitividade econômica, não sigilo de informações.

D) desemprego tecnológico.

❌ Incorreta: refere-se à perda de postos de trabalho provocada pela automação e pela substituição de mão de obra humana por máquinas, tema completamente alheio ao recorte de espionagem e restrição de equipamentos de informática tratado no texto.

E) segurança dos dados.

✅ Correta: as duas medidas citadas — a Alemanha proibindo um aplicativo de compartilhamento de carros e a China orientando suas estatais a evitarem equipamentos e serviços de TI americanos — são reações diretas ao temor de que a tecnologia dos Estados Unidos sirva de instrumento de coleta indevida de informações sigilosas, receio amplificado pelas revelações de espionagem em massa promovidas pela NSA. A proteção de dados sensíveis, governamentais e empresariais, é a motivação central explicitada no texto.

🏆 Gabarito: E — as ações de Alemanha e China contra empresas de informática dos EUA são respostas diretas ao temor de espionagem, revelando preocupação com a segurança dos dados e a soberania sobre informações sensíveis.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra E é a única alternativa que corresponde à motivação explicitamente relatada no texto — os termos "espionagem" e "ameaça" apontam diretamente para o receio de acesso indevido a dados, não para disputa comercial ou cultural.
  • Padrão de cobrança: o ENEM explora com frequência a geopolítica contemporânea associada à tecnologia, à vigilância digital e aos fluxos de informação como novo campo de disputa de poder entre Estados-nação, muitas vezes usando reportagens ou artigos jornalísticos como base textual.
  • Generalização: sempre que o enunciado mencionar espionagem, vigilância ou vazamento de informações como motivação explícita de uma ação estatal, a resposta tende a girar em torno de soberania ou segurança da informação — não de proteção comercial, ainda que a forma da medida (proibir, restringir) se pareça com protecionismo.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas sem qualquer ancoragem temática no texto (subsídio industrial e desemprego tecnológico); em seguida, separe "motivação econômica" (protecionismo dos mercados) de "motivação de segurança" (espionagem), atentando às palavras literais usadas pelo autor — "ameaça" e "espionagem" indicam segurança, não concorrência ou preço.
  • Conexões: o caso Snowden/NSA e a chamada "Guerra Fria cibernética"; debates atuais sobre soberania de dados e regulação de big techs (como a LGPD no Brasil e o GDPR na União Europeia) no cenário geopolítico contemporâneo.

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