Mapa de questões · 1º dia
Questão 27 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

De acordo com as figuras, a intensidade de intemperismo de grau muito fraco é característica de qual tipo climático?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Climatologia e Pedologia (intemperismo)
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar dois gráficos/mapas (diagrama de dispersão + mapa temático) e associar o resultado a um tipo climático brasileiro.
- 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre elementos do clima (temperatura e precipitação) e intensidade do intemperismo — leitura e interpretação de linguagem cartográfica e gráfica aplicada à Geografia Física.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual tipo climático brasileiro corresponde à área de intemperismo de intensidade muito fraca nas figuras apresentadas?"
- Palavras-chave decisivas: intemperismo, muito fraco, tipo climático
- Armadilha típica: confundir "litorâneo" com um tipo climático oficial (não é uma classificação climática reconhecida, é apenas um adjetivo de localização) ou associar erroneamente calor intenso a fraca intensidade de intemperismo, ignorando o papel decisivo da água (precipitação).
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ler o eixo de precipitação da Figura 1, identificar a faixa correspondente ao grau "1. Muito Fraco" e localizar geograficamente essa mesma faixa na Figura 2, reconhecendo o clima que ali predomina.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Intemperismo: conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que desagregam e decompõem as rochas na superfície terrestre, dando origem ao regolito e, posteriormente, ao solo.
- Intemperismo químico x físico: o intemperismo químico (o mais relevante para a intensidade "forte/fraco" do diagrama de Peltier) depende diretamente da presença de água e de calor, pois reações como hidrólise, oxidação e dissolução só ocorrem de forma intensa em ambiente úmido e quente.
- Diagrama de Peltier (1950): ferramenta clássica da pedologia que cruza temperatura média (eixo Y) e precipitação média anual (eixo X) para classificar a intensidade do intemperismo em quatro graus: 1. Muito Fraco, 2. Fraco, 3. Moderado e 4. Forte.
- Clima semiárido: caracteriza-se por baixos totais pluviométricos (em geral inferiores a 800 mm anuais, concentrados em poucos meses) e irregularidade das chuvas, típico do interior do Nordeste brasileiro (o Sertão).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Figura 1. Diagrama das regiões de intemperismo para as condições brasileiras (adaptado de Peltier, 1950)" → mostra que a intensidade do intemperismo é função de duas variáveis climáticas: temperatura e precipitação média anual, não de uma isolada.
- Evidência 2: no diagrama, a faixa "1. Muito Fraco" ocupa toda a extensão vertical de temperatura (de 0 °C a 35 °C), mas fica restrita a valores de precipitação muito baixos (aproximadamente abaixo de 400 mm anuais) → revela que, para o intemperismo ser muito fraco, o fator decisivo não é a temperatura (que varia livremente nessa faixa), e sim a escassez de água.
- Evidência 3: "Figura 2. Mapa das regiões de intemperismo do Brasil, baseado no diagrama da Figura 1" mostra a área branca (grau 1) concentrada no interior do Nordeste brasileiro, dentro do polígono onde se localiza o Sertão → conecta diretamente a região de baixíssima precipitação do diagrama a uma área real do território brasileiro conhecida por seu déficit hídrico crônico.
- Síntese: cruzando as duas figuras, conclui-se que o grau "muito fraco" de intemperismo está associado a baixíssima precipitação anual, e essa condição pluviométrica no Brasil corresponde ao clima semiárido do interior nordestino.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar a variável determinante no diagrama de Peltier (Figura 1)
Observando a Figura 1, note que a faixa "1. Muito Fraco" é a única categoria que se estende por toda a variação de temperatura, do eixo 0 °C ao eixo 35 °C, permanecendo estreitamente colada ao eixo vertical, ou seja, restrita às precipitações mais baixas do gráfico (grosso modo, inferiores a 400 mm anuais). Isso mostra que, independentemente de calor, quando a precipitação é muito baixa, o intemperismo é necessariamente muito fraco, porque praticamente não há água disponível para promover reações químicas de decomposição das rochas.
Subpasso 4.2 — Localizar geograficamente essa faixa no mapa do Brasil (Figura 2)
Na Figura 2, a área identificada com o número "1" (grau Muito Fraco, cor branca na legenda) aparece isolada no interior do território, encravada na porção nordestina do país — exatamente a região reconhecida como Sertão, marcada historicamente pela escassez e irregularidade de chuvas. Esse recorte espacial coincide com a área de clima semiárido do Brasil, delimitada oficialmente pelo antigo "Polígono das Secas".
Subpasso 4.3 — Verificação: comparar com as demais faixas do mapa
Para confirmar o raciocínio, basta observar as demais regiões da Figura 2: a faixa "4. Forte" concentra-se na Amazônia (clima equatorial, quente e com precipitação elevadíssima, muitas vezes acima de 2000 mm), a faixa "3. Moderado" aparece em parte do Centro-Sul (clima tropical/subtropical com chuvas intermediárias) e a faixa "2. Fraco" ocupa uma porção de transição, também associada a menor volume pluviométrico. Esse gradiente confirma que a intensidade do intemperismo cresce à medida que a precipitação aumenta, e a área de grau "Muito Fraco" só pode corresponder ao clima com o menor volume de chuvas do país: o semiárido.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Tropical.
❌ Incorreta: o clima tropical típico apresenta precipitação anual moderada a alta (geralmente entre 1000 mm e 2000 mm, com estação chuvosa bem definida) e temperaturas elevadas o ano todo, condições que produzem intemperismo de grau moderado a forte, e não muito fraco.
B) Litorâneo.
❌ Incorreta: "litorâneo" não é um tipo climático reconhecido na classificação climática do Brasil, mas sim um qualificativo de posição geográfica; além disso, áreas costeiras tendem a receber maior umidade do oceano, o que favoreceria intemperismo mais intenso, não mais fraco.
C) Equatorial.
❌ Incorreta: o clima equatorial (predominante na Amazônia) combina altas temperaturas com precipitação muito elevada e bem distribuída ao longo do ano, exatamente as condições que geram o grau "4. Forte" de intemperismo na Figura 1 e na Figura 2 — o oposto do que a questão pede.
D) Semiárido.
✅ Correta: o clima semiárido do interior nordestino apresenta os menores índices pluviométricos do país (frequentemente abaixo de 800 mm, com trechos ainda mais secos), o que reduz drasticamente a disponibilidade de água para reações químicas nas rochas. Essa é justamente a condição que a Figura 1 associa ao grau "Muito Fraco" e que a Figura 2 localiza espacialmente no Sertão nordestino.
E) Subtropical.
❌ Incorreta: o clima subtropical, predominante no Sul do Brasil, apresenta chuvas bem distribuídas e volumes anuais consideráveis (em geral acima de 1200-1500 mm), associados na Figura 2 a graus de intemperismo moderado, e não ao grau muito fraco.
🏆 Gabarito: D — a área de intemperismo "muito fraco" no diagrama de Peltier corresponde a baixíssima precipitação anual, condição que, no mapa do Brasil, coincide exatamente com o clima semiárido do interior do Nordeste.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas o clima semiárido reúne, no território brasileiro, o cenário de precipitação extremamente baixa que o diagrama de Peltier associa ao grau "Muito Fraco" de intemperismo; nenhuma outra alternativa apresenta déficit hídrico compatível.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa diagramas e mapas temáticos (climogramas, diagramas de dispersão, mapas de biomas ou de solos) exigindo que o estudante cruze duas variáveis (geralmente temperatura e precipitação) para chegar a uma conclusão espacial sobre o território brasileiro.
- Generalização: sempre que uma questão relacionar intensidade de processos naturais (intemperismo, erosão, formação de solos) a variáveis climáticas, lembre-se de que a água (precipitação) costuma ser o fator mais decisivo para processos químicos, enquanto a temperatura atua como catalisador desses processos quando há água disponível.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que descreva clima quente e úmido (tropical, equatorial, subtropical chuvoso) quando o enunciado pedir o grau "muito fraco"/"mínimo" de um processo que depende de água; sobra apenas a opção associada a clima seco, e "litorâneo" pode ser descartado por não ser sequer uma classificação climática válida.
- Conexões: este tema se conecta diretamente com "climas do Brasil e classificação climática" e com "formação de solos e biomas brasileiros" (Latossolos na Amazônia x solos rasos e pedregosos do Sertão), assuntos frequentemente cobrados em conjunto no ENEM.
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