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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 48ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

Muitos estudos de síntese e endereçamento de proteínas utilizam aminoácidos marcados radioativamente para acompanhar as proteínas, desde fases iniciais de sua produção até seu destino final. Esses ensaios foram muito empregados para estudo e caracterização de células secretoras.

Após esses ensaios de radioatividade, qual o gráfico que representa a evolução temporal da produção de proteínas e sua localização em uma célula secretora?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Citologia (organelas membranosas e via secretora de proteínas)
  • ⚡ Nível: Médio — exige integrar a função de três organelas (retículo endoplasmático, Golgi, vesículas) com a leitura de um gráfico de radioatividade ao longo do tempo.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Rota intracelular de síntese e secreção de proteínas (RE → Golgi → vesícula); competência de relacionar dados experimentais a estrutura e função celular.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual gráfico mostra, corretamente, por quais organelas passa — e em que ordem no tempo — uma proteína recém-sintetizada até ser secretada?"
  • Palavras-chave decisivas: radioatividade, endereçamento, célula secretora
  • Armadilha típica: inverter mentalmente a ordem cronológica das organelas (achar que a marcação "volta" do Golgi para o retículo) ou imaginar que as três acumulam radioatividade ao mesmo tempo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a marcação migra no tempo de uma organela para a seguinte, na ordem física real do tráfego de membranas: retículo (síntese) → Golgi (processamento) → vesícula (exportação).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Retículo Endoplasmático Rugoso (RER): local de síntese das proteínas destinadas à secreção; ribossomos aderidos à sua membrana traduzem o mRNA e translocam a cadeia polipeptídica para o lúmen do RE, onde ela começa a ser modificada.
  • Complexo Golgiense: recebe, por vesículas de transporte, as proteínas vindas do RE; processa essas moléculas (glicosilação, clivagem) e as reempacota em novas vesículas dirigidas a seus destinos finais.
  • Vesículas de secreção: armazenam a proteína já madura, aguardando um sinal (hormonal, nervoso etc.) que desencadeie a exocitose — a fusão da vesícula com a membrana plasmática e a liberação do conteúdo para fora da célula.
  • Radioautografia / pulso-caça: técnica consagrada nos experimentos de George Palade (Nobel de Fisiologia ou Medicina, 1974): aminoácidos radioativos são oferecidos por um curto intervalo ("pulso") e depois se acompanha, no tempo, onde a radioatividade se concentra ("caça") — reconstruindo o trajeto intracelular da proteína.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "aminoácidos marcados radioativamente para acompanhar as proteínas, desde fases iniciais de sua produção até seu destino final" → indica o experimento clássico de pulso-caça: a proteína é "fotografada" em instantes sucessivos enquanto atravessa a via secretora.
  • Evidência 2: "empregados para estudo e caracterização de células secretoras" → confirma que a célula exporta proteínas (o modelo histórico é a célula acinar do pâncreas), logo passa necessariamente por RE, Golgi e vesícula de secreção.
  • Síntese: a alternativa correta precisa mostrar o pico de radioatividade migrando, no eixo do tempo, primeiro pelo retículo, depois pelo Golgi e, por último, pelas vesículas — reproduzindo a ordem física real de trânsito das membranas dentro da célula.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituir a rota da proteína

Na célula secretora, a proteína começa a ser sintetizada nos ribossomos do RE rugoso; a cadeia polipeptídica entra no lúmen do RE, onde recebe as primeiras modificações. Como o pulso de aminoácidos radioativos é incorporado justamente durante a síntese, é no RE que a radioatividade estará concentrada logo nos primeiros minutos (por volta de 5 min).

Subpasso 4.2 — A "caça" ao longo do tempo

Com o passar do tempo, vesículas de transporte brotam do RE e se fundem à face cis do Golgi; a radioatividade "sai" do RE e "entra" no Golgi. Isso corresponde a um instante intermediário (por volta de 10 min): pico de marcação no complexo golgiense, enquanto o RE já perdeu boa parte da radioatividade e as vesículas de secreção ainda não a receberam de forma significativa.

Subpasso 4.3 — Verificação

No instante mais tardio (por volta de 15 min), o Golgi já empacotou a proteína em vesículas de secreção, que se acumulam junto à membrana plasmática aguardando exocitose — é aí que a radioatividade deve estar concentrada. O gráfico correto precisa exibir três picos sucessivos, e não simultâneos: RE alto em 5 min → Golgi alto em 10 min → vesículas altas em 15 min, cada organela perdendo marcação exatamente quando a seguinte a ganha. Esse é o único padrão compatível com o trajeto anterógrado da via secretora — exatamente o que a alternativa C representa.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Gráfico com radioatividade crescendo ao mesmo tempo nas três organelas, convergindo para valores semelhantes em 15 min.

❌ Incorreta: ignora a natureza sequencial e direcional do transporte vesicular. Se as três organelas acumulassem marcação simultaneamente, síntese, processamento e secreção ocorreriam em paralelo, sem trânsito real entre compartimentos — contrariando o próprio princípio do pulso-caça, que só faz sentido havendo deslocamento da marcação no tempo.

B) Gráfico com pico nas vesículas de secreção em 5 min, pico no complexo golgiense em 10 min e pico no retículo endoplasmático em 15 min — ordem invertida em relação à via secretora.

❌ Incorreta: inverte o sentido real do fluxo de membranas, descrevendo uma proteína que apareceria primeiro já secretada, depois "voltaria" ao Golgi e, por fim, retornaria ao RE. Esse trajeto retrógrado não corresponde à via anterógrada (RE → Golgi → vesícula) evidenciada pelos ensaios de radioatividade em células secretoras.

C) Gráfico com pico no retículo endoplasmático em 5 min, pico no complexo golgiense em 10 min e pico nas vesículas de secreção em 15 min.

✅ Correta: reproduz fielmente a ordem cronológica real da via secretora — síntese no RE, processamento no Golgi e armazenamento final nas vesículas de secreção — tal como demonstrado nos experimentos clássicos de radioautografia de Palade em células glandulares.

D) Gráfico em que o complexo golgiense concentra a maior parte da radioatividade nos três instantes de tempo, com RE e vesículas praticamente constantes e baixos.

❌ Incorreta: trata o Golgi como compartimento estático de acúmulo permanente, e não como estação intermediária de passagem. Não há migração da marcação entre organelas, o que contradiz o conceito de organela processadora dentro de um fluxo contínuo de membranas.

E) Gráfico em que a radioatividade total decresce igualmente nas três organelas ao longo do tempo, sem que nenhuma se destaque.

❌ Incorreta: sugere apenas degradação ou diluição da marcação, sem indicar direcionamento da proteína a um destino final. Não retrata o "endereçamento" citado no enunciado, que exige concentração progressiva da radioatividade em um compartimento específico a cada instante.

🏆 Gabarito: C — apenas essa alternativa reproduz a ordem cronológica real (retículo endoplasmático → complexo golgiense → vesícula de secreção) revelada pelos experimentos de radioautografia com aminoácidos marcados radioativamente.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: C é a única opção em que os três picos de radioatividade aparecem em sequência lógica e crescente no tempo — RE (síntese) primeiro, Golgi (processamento) depois, vesícula (exportação) por último — replicando o trajeto físico real da proteína dentro da célula.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa experimentos clássicos de Biologia Celular (aqui, o de George Palade com pulso-caça radioativo) para testar se o aluno entende a função de cada organela por meio da interpretação de dados experimentais, não apenas a memorização isolada de nomes.
  • Generalização: em questões sobre "rota" ou "endereçamento" de uma molécula na célula, desenhe mentalmente o fluxo de membranas (RE → Golgi → vesícula → membrana plasmática) e verifique se o gráfico respeita essa ordem física — não basta conter os nomes certos das organelas, a sequência temporal é que decide a resposta.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer gráfico em que todas as organelas mudem de forma simultânea (picos juntos ou quedas paralelas) — a via secretora é sequencial, nunca simultânea — e qualquer gráfico com ordem invertida ou com uma organela de passagem tratada como acúmulo permanente.
  • Conexões: revise também exocitose/endocitose, a função dos lisossomos na via degradativa e o conceito de peptídeo-sinal, que direciona a proteína recém-sintetizada para o RE logo no início da tradução.

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