Mapa de questões · 1º dia
Questão 19 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

No período de 1964 a 1985, a estratégia do Regime Militar abordada na charge foi caracterizada pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Regime Militar (1964-1985), "milagre econômico" e endividamento externo
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de uma charge de época com o conhecimento histórico sobre a política econômica do regime militar
- 🎯 Tema/Habilidade: Estratégia econômica do governo militar baseada em empréstimos externos; competência de leitura crítica de fontes históricas (charge)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que estratégia econômica do Regime Militar (1964-1985) a charge está retratando?"
- Palavras-chave decisivas: estratégia, charge, 1964 a 1985
- Armadilha típica: confundir a "Doutrina de Segurança Nacional" (repressão política, censura, AI-5) — muito associada ao regime militar em outras questões — com o que a charge de fato mostra, que é um assunto econômico
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de extrair da fala dos personagens o dado concreto (entrada de dólares, pagamento futuro) e relacioná-lo ao conceito histórico correto de captação de recursos externos
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- "Milagre econômico" (1968-1973): período de altíssimo crescimento do PIB brasileiro sob os governos Costa e Silva e Médici, sustentado por grandes obras de infraestrutura (Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, Itaipu) financiadas majoritariamente por capital externo.
- Endividamento externo: estratégia de captar empréstimos junto a bancos internacionais e organismos multilaterais para financiar investimentos, sem depender apenas da arrecadação interna — a dívida brasileira saltou de cerca de US$ 3 bilhões em 1964 para mais de US$ 100 bilhões no início dos anos 1980.
- Doutrina de Segurança Nacional: pilar político-repressivo do regime (perseguição a opositores, censura, AI-5), voltado ao controle social e não à política econômica — é o conceito usado como "isca" na alternativa A.
- Choque do petróleo (1973): elevou o custo das importações e pressionou o governo a tomar ainda mais empréstimos externos para sustentar o crescimento, aprofundando a dependência da dívida.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "SÓ ESTE ANO JÁ ENTRARAM NO PAÍS TRÊS BILHÕES DE DÓLARES" (fala da mãe, lendo o jornal) → revela o volume expressivo de capital estrangeiro que ingressava no Brasil na época, na forma de empréstimo/financiamento internacional.
- Evidência 2: "O PAGAMENTO COMEÇA A SER FEITO DAQUI A DEZ ANOS" → deixa explícito que se trata de dívida de longo prazo — o dinheiro não é doação nem investimento produtivo imediato, é crédito a ser quitado no futuro.
- Evidência 3: o pai olha para o filho pequeno e diz apenas "TADINHO!" (coitadinho) → ironiza que será a geração futura — representada pela criança — quem arcará com o peso dessa dívida contraída no presente.
- Síntese: a charge, assinada por Ziraldo e datada de 24-8-1974 (ápice do "milagre econômico"), satiriza o modelo de crescimento sustentado por empréstimos estrangeiros cujo ônus seria transferido às futuras gerações.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Situar a charge no tempo histórico
A data "24-8-74" posiciona a cena no auge do "milagre econômico brasileiro" (1968-1973) e no início do governo Geisel, período em que o regime militar financiou grandes obras de infraestrutura recorrendo maciçamente a empréstimos de bancos e organismos internacionais, já que a poupança interna era insuficiente para sustentar as taxas de crescimento anunciadas pela propaganda oficial.
Subpasso 4.2 — Traduzir a fala dos personagens em conceito histórico
A notícia lida pela mãe — "três bilhões de dólares" entrando no país "só este ano", com pagamento adiado para "daqui a dez anos" — descreve, em linguagem de charge, exatamente o mecanismo do endividamento externo: o governo capta recursos financeiros junto a credores estrangeiros para financiar seus projetos, comprometendo o orçamento público das décadas seguintes.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao revisar as cinco alternativas, apenas a ideia de "captação de financiamentos estrangeiros" corresponde literalmente ao que está escrito no jornal fictício da charge (dólares entrando + pagamento futuro). Não há qualquer menção, na imagem, a segurança nacional, corte de gastos, nacionalização de empresas ou distribuição de renda — a resposta correta converge, portanto, para a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) priorização da segurança nacional.
❌ Incorreta: a Doutrina de Segurança Nacional dizia respeito à repressão política, à censura e ao combate a opositores do regime — um eixo autoritário-institucional, não econômico. A charge não faz nenhuma referência a controle político ou repressão; seu foco é exclusivamente financeiro (dólares e dívida).
B) captação de financiamentos estrangeiros.
✅ Correta: é exatamente o que o texto da charge descreve — bilhões de dólares entrando no país como empréstimo, com prazo de pagamento fixado para dez anos depois. Essa foi a estratégia central do "milagre econômico": crescer com base em capital externo tomado emprestado, endividando o país no longo prazo.
C) execução de cortes nos gastos públicos.
❌ Incorreta: o período retratado foi marcado pelo oposto — expansão de gastos e investimentos em grandes obras públicas (rodovias, usinas, pontes), viabilizados justamente pelos empréstimos estrangeiros mencionados na charge, e não por austeridade fiscal.
D) nacionalização de empresas multinacionais.
❌ Incorreta: o regime militar adotou postura de abertura ao capital estrangeiro, atraindo multinacionais e financiamentos externos para acelerar a industrialização, e não de estatização ou nacionalização de empresas estrangeiras.
E) promoção de políticas de distribuição de renda.
❌ Incorreta: o "milagre econômico" ficou historicamente associado à concentração de renda, simbolizada na célebre frase atribuída ao ministro Delfim Netto de que era preciso "fazer o bolo crescer para depois repartir" — divisão essa que, na prática, não ocorreu. A charge, além disso, nada comenta sobre distribuição de renda.
🏆 Gabarito: B — a charge retrata literalmente a entrada maciça de dólares como empréstimo estrangeiro, com pagamento programado para dez anos depois, ilustrando a estratégia de captação de financiamentos externos que sustentou o "milagre econômico" do regime militar.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa B traduz com fidelidade o conteúdo textual da charge — entrada de dólares hoje, pagamento amanhã —, que é a definição prática de captação de financiamento externo.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma usar charges e textos de época sobre o regime militar (1964-1985) tanto para o eixo político-repressivo (censura, AI-5, Doutrina de Segurança Nacional) quanto para o eixo econômico (milagre econômico, endividamento externo, arrocho salarial) — é essencial identificar qual desses dois eixos a fonte está explorando antes de escolher a alternativa.
- Generalização: em questões com charge ou caricatura, a resposta deve ser extraída dos elementos textuais e visuais efetivamente presentes na imagem, e não do conhecimento genérico "esperado" sobre o período — a fonte é a prova, não um pretexto.
- Dica de eliminação rápida: identifique se a charge fala de dinheiro/dívida (economia) ou de repressão/controle (política): aqui, dólares e prazo de pagamento eliminam de cara a alternativa A (segurança nacional); em seguida, C, D e E descrevem ações opostas ao que de fato ocorreu no período, sobrando apenas B.
- Conexões: "milagre econômico" brasileiro (1968-1973), crise da dívida externa latino-americana dos anos 1980, e o contraste entre crescimento econômico e concentração de renda durante o regime militar.
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