Mapa de questões · 1º dia
Questão 12 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia
O processo de concentração urbana no Brasil em determinados locais teve momentos de maior intensidade e, ao que tudo indica, atualmente passa por uma desaceleração no ritmo de crescimento populacional nos grandes centros urbanos.
BAENINGER, R. Cidades e metrópoles: a desaceleração no crescimento populacional e novos arranjos regionais. Disponível em: www.sbsociologia.com.br. Acesso em: 12 dez. 2012 (adaptado).
Uma causa para o processo socioespacial mencionado no texto é o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Urbanização brasileira, rede urbana e desconcentração industrial
- ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um processo geográfico atual (desaceleração do crescimento metropolitano) com sua causa estrutural, sem que o texto entregue a resposta de forma explícita
- 🎯 Tema/Habilidade: Dinâmica da rede urbana brasileira e reversão da metropolização (Habilidade H21/H22 — compreender o processo de ocupação do território e as transformações da rede urbana)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual fator explica por que os grandes centros urbanos brasileiros estão crescendo mais devagar em população?"
- Palavras-chave decisivas: desaceleração, crescimento populacional, grandes centros urbanos
- Armadilha típica: confundir "desaceleração do crescimento populacional das metrópoles" com "diminuição da população total do país" — o texto fala de um fenômeno regional/espacial (redistribuição), não de queda demográfica nacional
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar uma causa socioeconômica que faça a população e as atividades econômicas migrarem das grandes metrópoles para outras localidades, reduzindo o ritmo de concentração nesses polos
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Metropolização: processo, intenso entre 1950 e 1980, de concentração de população, indústrias e serviços nas grandes capitais (especialmente São Paulo e Rio de Janeiro), impulsionado pela industrialização por substituição de importações e pelo êxodo rural.
- Desconcentração industrial: a partir das décadas de 1980-1990, empresas passam a deslocar plantas fabris da metrópole paulistana para o interior do estado e para outras regiões, em busca de terrenos mais baratos, incentivos fiscais ("guerra fiscal"), mão de obra menos onerosa e fuga das deseconomias de aglomeração (trânsito, poluição, violência, custo de vida).
- Interiorização do desenvolvimento e cidades médias: a saída da indústria das metrópoles impulsiona o crescimento de cidades médias (Campinas, Sorocaba, Uberlândia, Ribeirão Preto etc.), que passam a atrair migrantes e a crescer proporcionalmente mais rápido que as capitais, explicando a desaceleração relativa do crescimento populacional nos grandes centros.
- Melhoria da infraestrutura de transportes e comunicação: rodovias, telecomunicações e logística tornaram viável produzir longe da metrópole sem perder acesso a mercados, sendo condição facilitadora (mas não a causa central apontada pela questão) desse deslocamento.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "processo de concentração urbana no Brasil (...) teve momentos de maior intensidade" → reconhece que houve um período de forte metropolização, associado historicamente à industrialização concentrada.
- Evidência 2: "atualmente passa por uma desaceleração no ritmo de crescimento populacional nos grandes centros urbanos" → indica que esse processo perdeu força nas últimas décadas, sinalizando uma reversão ou reorganização espacial da população e das atividades econômicas.
- Síntese: se a concentração urbana nas metrópoles foi historicamente puxada pela industrialização, a lógica geográfica exige que sua desaceleração esteja ligada ao movimento inverso: a saída (realocação) dessa mesma atividade industrial para outras áreas do território, redistribuindo população e dinamismo econômico.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Recuperar a causa histórica da concentração urbana
O forte adensamento populacional nas grandes metrópoles brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte) na segunda metade do século XX foi impulsionado, sobretudo, pela industrialização concentrada nesses polos, que atraiu milhões de migrantes em busca de emprego nas fábricas e nos serviços associados a elas. Metrópole e indústria cresceram juntas.
Subpasso 4.2 — Identificar o mecanismo da desaceleração
Se a indústria foi a força motriz da concentração, o enfraquecimento dessa concentração só pode ser explicado por um enfraquecimento (ou deslocamento) dessa mesma força. É exatamente isso que ocorre a partir dos anos 1980-1990: empresas migram de São Paulo capital para o ABC, depois para o interior paulista e para outros estados, atrás de terrenos mais baratos, incentivos fiscais de governos estaduais/municipais e fuga dos problemas urbanos das grandes cidades (congestionamento, poluição, custo de vida elevado, criminalidade).
Subpasso 4.3 — Verificação
Essa realocação da atividade industrial gera empregos e atrai população para cidades médias e regiões antes secundárias, enquanto o polo metropolitano original passa a crescer proporcionalmente mais devagar — exatamente o fenômeno de "novos arranjos regionais" citado na referência de Baeninger. A alternativa que descreve esse mecanismo causal é a letra E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) carência de matérias-primas.
❌ Incorreta: as grandes metrópoles brasileiras nunca dependeram de matéria-prima local para sustentar seu crescimento urbano-industrial (a indústria de transformação importa insumos de várias regiões e países); além disso, escassez de matéria-prima não é um fenômeno recente nem constitui causa de redistribuição populacional no período descrito.
B) degradação da rede rodoviária.
❌ Incorreta: o movimento observado nas últimas décadas foi justamente o oposto — a malha rodoviária e a infraestrutura logística do país melhoraram e se expandiram, o que é condição necessária para que indústrias e serviços consigam se instalar longe das metrópoles sem perder acesso a mercados e fornecedores.
C) aumento do crescimento vegetativo.
❌ Incorreta: o crescimento vegetativo (natural) da população brasileira está em queda desde meados do século XX, em razão da transição demográfica (redução das taxas de natalidade e fecundidade); um "aumento" do crescimento vegetativo, além de contrariar os dados demográficos reais, tenderia a aumentar, não a desacelerar, o crescimento populacional das cidades.
D) centralização do poder político.
❌ Incorreta: o período de desaceleração da metropolização coincide, ao contrário, com um movimento de descentralização político-administrativa, reforçado pela Constituição de 1988, que ampliou a autonomia de estados e municípios — o que favoreceu, inclusive, a atração de investimentos por cidades médias via incentivos fiscais próprios.
E) realocação da atividade industrial.
✅ Correta: a saída de indústrias das grandes metrópoles em direção ao interior e a outras regiões do país — em busca de menores custos, incentivos fiscais e fuga das deseconomias de aglomeração — é a causa estrutural que reduz a atração populacional das metrópoles e impulsiona o crescimento de cidades médias, explicando diretamente a desaceleração do crescimento populacional nos grandes centros urbanos.
🏆 Gabarito: E — a realocação (desconcentração) da atividade industrial para fora das grandes metrópoles é o motor que antes concentrava população nesses centros e que, ao se deslocar, reduz o ritmo de crescimento populacional deles, redistribuindo dinamismo econômico e migração para cidades médias e regiões do interior.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a realocação da atividade industrial estabelece uma relação de causa e efeito coerente com o enunciado, pois foi exatamente a industrialização concentrada que gerou a metropolização; sua saída das metrópoles explica a desaceleração desse crescimento.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a relação entre industrialização, urbanização e rede urbana brasileira, incluindo temas como desconcentração industrial, ascensão das cidades médias, guerra fiscal entre estados/municípios e reversão da polarização metropolitana.
- Generalização: sempre que uma questão de Geografia associar "desaceleração" ou "reversão" de um processo espacial, procure a causa no enfraquecimento ou deslocamento do fator que originalmente impulsionou esse processo — em urbanização brasileira, esse fator quase sempre é a atividade industrial.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que descrevam tendências contrárias aos dados reais do período (crescimento vegetativo em alta, centralização política, infraestrutura em degradação) — nas décadas de 1980 a 2010 o Brasil viveu justamente transição demográfica, descentralização política e melhoria de infraestrutura, o oposto do que essas alternativas afirmam.
- Conexões: revise os temas "guerra fiscal e incentivos regionais" e "hierarquia urbana e cidades médias no Brasil", frequentemente cobrados em conjunto com desconcentração industrial.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.