Mapa de questões · 1º dia
Questão 39 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia
Na sociedade contemporânea, onde as relações sociais tendem a reger-se por imagens midiáticas, a imagem de um indivíduo, principalmente na indústria do espetáculo, pode agregar valor econômico na medida de seu incremento técnico: amplitude do espelhamento e da atenção pública. Aparecer é então mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado. Nesse âmbito, a lógica circulatória do mercado, ao mesmo tempo que acena democraticamente para as massas com supostos “ganhos distributivos” (a informação ilimitada, a quebra das supostas hierarquias culturais), afeta a velha cultura disseminada na esfera pública. A participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, tanto falar e ser falado quanto ser visto são índices do desejo de “espelhamento”.
A crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → cultura de massa, sociedade do espetáculo e construção midiática da identidade
- ⚡ Nível: Médio — o erro não está em não entender o texto, mas em confundir os elementos citados como pano de fundo (mercado, democratização, informação) com o alvo real da crítica
- 🎯 Tema/Habilidade: Crítica à sociedade midiática contemporânea; leitura e interpretação de texto sociológico com foco na construção identitária
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o fenômeno central que o texto denuncia ao descrever a sociedade contemporânea mediada por imagens?"
- Palavras-chave decisivas: espelhamento, selfies, aparecer é mais do que ser
- Armadilha típica: o texto menciona "ganhos distributivos", "informação ilimitada" e "quebra de hierarquias culturais" — um candidato apressado marca democratização ou difusão de informação, sem perceber que esses termos aparecem entre aspas, como discurso do mercado, não como a crítica do autor
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o núcleo da crítica é o sujeito contemporâneo que constrói sua identidade tendo a si mesmo — imagem, exposição, visibilidade — como referência central
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Sociedade do espetáculo: noção associada a Guy Debord: a vida social é mediada por imagens, e a aparência tende a substituir a experiência — o que o texto sintetiza em "aparecer é então mais do que ser".
- Narcisismo midiático/espelhamento: o indivíduo busca validação através da própria imagem exposta e repetida (selfies, redes sociais), tomando a si mesmo como objeto e sujeito da observação.
- Autorreferência identitária: construção da identidade em que o próprio sujeito, e não valores coletivos ou instituições externas, torna-se o centro de referência — "falar de si e ser falado" substitui outras formas de pertencimento social.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Aparecer é então mais do que ser; o sujeito é famoso porque é falado." → inversão em que a existência social passa a depender da visibilidade sobre si mesmo, e não de atributos ou méritos concretos.
- Evidência 2: "A participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, [...] são índices do desejo de 'espelhamento'." → comportamento centrado no próprio sujeito olhando, mostrando e narrando a si mesmo — o selfie é, por definição, autorretrato.
- Síntese: mercado, democratização e informação ilimitada aparecem só como contexto que "acena" para justificar essas práticas; a crítica recai sobre o sujeito que reorienta sua ação social para a autopromoção — prática identitária autorreferente.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Separar o pano de fundo do núcleo crítico
O texto apresenta dois planos. O primeiro é o contexto: a "lógica circulatória do mercado" promete, entre aspas, "ganhos distributivos" — informação ilimitada, quebra de hierarquias culturais. O autor usa "supostos" duas vezes, sinalizando ironia: ele não afirma que a sociedade é mais democrática, expõe o discurso que o mercado usa para se legitimar. O segundo plano, alvo real da crítica, é o comportamento social daí resultante: pessoas que se filmam, se expõem e se narram compulsivamente.
Subpasso 4.2 — Identificar o efeito concreto descrito no texto
Ao citar "a participação nas redes sociais, a obsessão dos selfies, tanto falar e ser falado quanto ser visto", o texto descreve condutas concretas que compartilham um traço comum: o indivíduo toma a si mesmo — imagem, fala, exposição — como centro de sua identidade social. Esse é o sentido de "autorreferente": aquilo que se volta sobre o próprio sujeito como fonte de sentido.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao reler o comando — "a crítica contida no texto sobre a sociedade contemporânea enfatiza" — confirma-se que o texto não elogia tecnologia, jornalismo ou política em si; usa esses elementos apenas para chegar ao ponto central: o sujeito constrói sua identidade a partir de si mesmo, espelhado nas redes, sendo ao mesmo tempo quem observa e quem é observado. Isso corresponde à alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) a prática identitária autorreferente.
✅ Correta: é o que o texto denuncia. O "desejo de espelhamento", a obsessão pelos selfies e a busca por "falar e ser falado" configuram uma identidade construída a partir da própria imagem do sujeito, sem referência a valores externos ou coletivos — o indivíduo se torna objeto e sujeito de si mesmo.
B) a dinâmica política democratizante.
❌ Incorreta: o texto menciona "ganhos distributivos" e "democraticamente" entre aspas e precedidos de "supostos", marcando que essa é uma promessa do discurso de mercado, não a crítica do autor. Tratar a democratização como foco da crítica inverte o sentido irônico do trecho.
C) a produção instantânea de notícias.
❌ Incorreta: o texto não trata de jornalismo, velocidade de veiculação de notícias ou produção midiática de fatos; a alternativa insere um tema (imprensa/notícia) ausente do enunciado, funcionando como distrator temático.
D) os processos difusores de informações.
❌ Incorreta: embora cite "a informação ilimitada" como um dos supostos ganhos do mercado, esse é elemento periférico e irônico; a crítica não recai sobre como a informação circula, mas sobre como o sujeito constrói sua identidade a partir da própria exposição.
E) os mecanismos de convergência tecnológica.
❌ Incorreta: o texto não discute integração de mídias, plataformas ou tecnologias entre si; cita redes sociais e selfies apenas como manifestações do comportamento autorreferente, não como objeto de análise tecnológica.
🏆 Gabarito: A — o texto critica a construção da identidade contemporânea centrada na autoimagem e na autoexposição midiática (selfies, redes sociais, "espelhamento"), configurando uma prática identitária autorreferente.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A capta o núcleo do texto — o sujeito que constrói sua identidade tendo a si mesmo, sua imagem e sua visibilidade como referência central; as demais pinçam elementos periféricos ou irônicos.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente traz textos de sociologia da cultura sobre sociedade do espetáculo e identidade midiática, exigindo distinguir o argumento central do autor dos discursos que ele cita apenas para criticar.
- Generalização: em textos com citações entre aspas ou precedidas de "suposto(a)", desconfie — normalmente o autor reproduz um discurso alheio para refutá-lo, e não o afirma como sua própria tese.
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que retomam literalmente palavras usadas em tom irônico ou entre aspas (como "democratizante" e "difusão de informações") — raramente são a resposta certa.
- Conexões: o tema dialoga com a "sociedade do espetáculo" de Guy Debord e com discussões sobre narcisismo digital e cultura da visibilidade nas redes sociais.
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