Mapa de questões · 2º dia
Questão 114 — ENEM 2023
Uma equipe de segurança do transporte de uma empresa avalia o comportamento das tensões que aparecem em duas cordas, 1 e 2, usadas para prender uma carga de massa M = 200 kg na carroceria, conforme a ilustração. Quando o caminhão parte do repouso, sua aceleração é constante e igual a 3 m/s² e, quando ele é freado bruscamente, sua frenagem é constante e igual a 5 m/s². Em ambas as situações, a carga encontra-se na iminência de movimento, e o sentido do movimento do caminhão está indicado na figura. O coeficiente de atrito estático entre a caixa e o assoalho da carroceria é igual a 0,2. Considere a aceleração da gravidade igual a 10 m/s², as tensões iniciais nas cordas iguais a zero e as duas cordas ideais.

Nas situações de aceleração e frenagem do caminhão, as tensões nas cordas 1 e 2, em newton, serão
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- Matérias necessárias: Dinâmica (2ª lei de Newton, força de atrito estático, tensão), análise de sistemas acelerados, decomposição de forças.
- Nível: Difícil — exige identificar corretamente (i) qual corda age em cada situação (aceleração x frenagem), (ii) como o atrito estático máximo atua e quando "sobra" força para a corda compensar, (iii) escrever a equação de Newton para a carga no referencial do solo.
- Tema/Habilidade BNCC: EM13CNT205 — analisar dispositivos mecânicos e situações cotidianas (transporte de carga) com base em conservação de momento e forças, discutindo a importância de amarração segura.
- Gabarito oficial: A
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Durante aceleração (a = 3 m/s² para frente) e frenagem (a = 5 m/s² para trás) de um caminhão, qual o valor das trações (corda traseira) e (corda dianteira) em uma carga de 200 kg com ?"
- Palavras-chave ancorais: "massa M = 200 kg", "aceleração 3 m/s²", "frenagem 5 m/s²", "coeficiente de atrito estático 0,2", "iminência de movimento", "cordas ideais" (inextensíveis, sem massa, trabalham só sob tração), "tensões iniciais zero".
- Armadilha antecipada: (i) usar a massa completa × aceleração sem descontar o atrito; (ii) inverter qual corda atua em cada fase; (iii) achar que as duas cordas atuam simultaneamente (na verdade uma corda só puxa quando é solicitada na sua direção — corda não "empurra", só tenciona).
- Critério de acerto: calcular o atrito máximo (), verificar se ele sozinho basta, e atribuir a diferença à corda adequada (a que puxa no sentido certo).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
a) Força de atrito estático máximo:
Para a carga: .
b) 2ª Lei de Newton na carga (horizontal):
Onde inclui atrito (pode ser para frente ou para trás, dependendo da tendência relativa) e tensões de cordas que estejam sendo solicitadas.
c) Regras fundamentais sobre cordas ideais:
- Corda só traciona (puxa), não empurra.
- Se a carga tende a se deslocar em um sentido, a corda atrás dela (no sentido oposto ao deslocamento tendencial) é a que fica tracionada.
- Com duas cordas (uma dianteira , uma traseira ), em cada situação só uma trabalha (a outra fica frouxa, com tensão zero).
d) Análise em cada fase:
Aceleração (a = +3 m/s², para frente):
- No referencial do caminhão (não inercial), surge pseudo-força na carga, no sentido contrário à aceleração (para trás).
- No referencial do solo: a carga precisa de N para frente para acompanhar o caminhão.
- Atrito estático (se disponível) atua para frente (impedindo a carga de deslizar para trás em relação ao caminhão) com N.
- Se (600 > 400), o atrito não é suficiente → a carga tende a escorregar para trás → corda traseira (que puxa a carga para frente mantendo-a presa ao caminhão) entra em ação. Esta é (corda dianteira no caminhão, mas "traseira" em relação à direção do movimento)? Vamos esclarecer com a figura: pelo gabarito (T₂ = 200 na aceleração), é a corda que puxa para frente (ela impede a carga de deslizar para trás). Corda fica frouxa ().
Equação na carga (tomando "para frente" positivo):
Frenagem (|a| = 5 m/s², caminhão desacelera — aceleração para trás):
- A carga tende a continuar para frente por inércia → tende a escorregar para frente em relação ao caminhão.
- Atrito estático age para trás (sentido oposto à tendência), com N.
- Força total necessária para desacelerar a carga junto com o caminhão: N para trás.
- Como , atrito sozinho insuficiente. A corda que puxa a carga para trás (impedindo-a de deslizar para frente) entra em ação. Esta é (e ).
Equação (tomando "para trás" positivo, ou equivalentemente m/s² com "para frente" positivo):
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- "carga 200 kg", "", " m/s²" → N.
- "cordas ideais, tensões iniciais = 0" → só tracionam quando solicitadas (compatível com "iminência de movimento").
- "iminência de movimento" → estamos no limite do atrito estático; .
- "cordas 1 e 2" → duas cordas, uma de cada lado, trabalham exclusivamente em cada fase.
- "aceleração 3 m/s²" → força necessária 600 N (para frente).
- "frenagem 5 m/s²" → força necessária 1000 N (para trás).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Cálculo do atrito máximo.
Subpasso 4.2 — Análise da aceleração (a = 3 m/s²).
Força total para frente: N.
Parte fornecida pelo atrito: N.
Parte fornecida pela corda (que puxa a carga para frente): N.
Corda não é solicitada nesta fase: .
Subpasso 4.3 — Análise da frenagem (|a| = 5 m/s²).
Força total para trás: N.
Parte fornecida pelo atrito: N (agora atuando para trás).
Parte fornecida pela corda (que puxa a carga para trás): N.
Corda fica frouxa: .
Subpasso 4.4 — Consolidar resultados.
- Aceleração: ; N.
- Frenagem: N; .
Esta combinação bate exatamente com a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) aceleração: e ; frenagem: e . ✅ Correta. Resultado do cálculo completo, subtraindo o atrito estático máximo (400 N) da força total necessária () em cada fase e atribuindo a diferença à corda que trabalha no sentido certo.
B) aceleração: e ; frenagem: e . ❌ Incorreta. O valor da frenagem (1400 N) foi obtido somando o atrito em vez de subtraindo — tratou o atrito como se fosse a favor do movimento da carga, o que é o oposto (atrito se opõe à tendência relativa). Erro de sinal no atrito.
C) aceleração: e ; frenagem: e . ❌ Incorreta. na aceleração ignora o atrito (considera que a corda faz todo o serviço, ). O valor da frenagem casualmente bate, mas por cálculo errado.
D) aceleração: e ; frenagem: e . ❌ Incorreta. Inverte qual corda atua em cada fase — durante aceleração, quem puxa é a corda dianteira (), não a traseira; na frenagem é o inverso. Os valores numéricos também não batem (confusão total).
E) aceleração: e ; frenagem: e . ❌ Incorreta. Mesmo erro de alternativa D (inversão das cordas) com valores numéricos diferentes.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação: Alternativa A — aceleração: , N; frenagem: N, . O atrito estático máximo (400 N) cobre parte da força inercial; o restante é suportado pela corda que puxa no sentido correto.
- Padrão de cobrança ENEM: "carga no caminhão acelerando/frenando" é questão clássica que exige separar três forças: inércia (necessidade ), atrito (opõe-se à tendência relativa), corda (completa o que falta, apenas no sentido em que é tracionada).
- Generalização: passo a passo universal:
(1) Calcule (força total necessária).
(2) Calcule (atrito disponível).
(3) Se , só o atrito basta; cordas ficam frouxas.
(4) Se , a corda no sentido certo supre a diferença: .
- Dica de eliminação: cordas ideais só puxam. Durante aceleração (para frente), a corda dianteira (aquela que puxaria a carga para frente se o caminhão sumisse) é quem trabalha. Durante frenagem, é o contrário — a corda traseira entra em ação.
- Conexões: mesma lógica se aplica a passageiros em ônibus (cinto de segurança = "corda"), cargas em aviões durante decolagem/pouso, animais em caminhões (amarrações específicas de acordo com direção). Tópico se liga a referenciais não inerciais (em análise no referencial do caminhão, surge pseudo-força ).
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