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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 110ENEM 2023

Um assistente de laboratório precisou descartar sete frascos contendo solução de nitrato de mercúrio(I) que não foram utilizados em uma aula prática. Cada frasco continha 5,25 g de Hg₂(NO₃)₂ dissolvidos em água. Temendo a toxidez do mercúrio e sabendo que o Hg₂Cl₂ tem solubilidade muito baixa, o assistente optou por retirar o mercúrio da solução por precipitação com cloreto de sódio (NaCl), conforme a equação química:

Hg₂(NO₃)₂ (aq) + 2 NaCl (aq) → Hg₂Cl₂ (s) + 2 NaNO₃ (aq)

Na dúvida sobre a massa de NaCl a ser utilizada, o assistente aumentou gradativamente a quantidade adicionada em cada frasco, como apresentado no quadro:

O produto obtido em cada experimento foi filtrado, secado e teve sua massa aferida. O assistente organizou os resultados na forma de um gráfico que correlaciona a massa de NaCl adicionada com a massa de Hg₂Cl₂ obtida em cada frasco. A massa molar do Hg₂(NO₃)₂ é 525 g mol⁻¹, a do NaCl é 58 g mol⁻¹ e a do Hg₂Cl₂ é 472 g mol⁻¹.

Qual foi o gráfico obtido pelo assistente de laboratório?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • Matérias necessárias: Estequiometria (mols, reagente limitante), Química Analítica (precipitação), interpretação gráfica.
  • Nível: Médio — exige fazer cálculos de mol, identificar o ponto em que o NaCl deixa de ser limitante (começa o patamar) e traduzir isso em gráfico.
  • Tema/Habilidade BNCC: EM13CNT307 — analisar as propriedades específicas dos materiais para avaliar a adequação de seu uso em diferentes aplicações, aqui envolvendo tratamento de resíduo químico por precipitação.
  • Gabarito oficial: B

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual gráfico de massa de Hg₂Cl₂ (eixo y) vs massa de NaCl adicionada (eixo x) descreve o experimento de precipitação quando o NaCl é adicionado em quantidades crescentes?"
  • Palavras-chave ancorais: "5,25 g de Hg₂(NO₃)₂ em cada frasco", "adição gradativa de NaCl", "Hg₂Cl₂ de solubilidade muito baixa" (precipita quantitativamente), massas molares (525, 58, 472 g/mol), estequiometria 1:2:1:2.
  • Armadilha antecipada: confundir qual reagente é limitante nos frascos iniciais (quando NaCl é pouco, ele limita; quando NaCl é suficiente, Hg₂(NO₃)₂ é que limita) — e esquecer que depois do ponto de equivalência a massa de precipitado não aumenta mais (patamar).
  • Critério de acerto: o gráfico deve (i) crescer linearmente enquanto NaCl é limitante, (ii) atingir patamar no ponto em que todo o Hg₂(NO₃)₂ (0,01 mol) reagiu, (iii) ter valor do patamar = 4,72 g de Hg₂Cl₂ e ponto de virada em ≈ 1,16 g de NaCl.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

a) Equação balanceada:

$$\text{Hg}_2(\text{NO}_3)_2 + 2\,\text{NaCl} \rightarrow \text{Hg}_2\text{Cl}_2 \downarrow + 2\,\text{NaNO}_3$$

Razão molar: 1 mol de Hg₂(NO₃)₂ : 2 mol de NaCl : 1 mol de Hg₂Cl₂.

b) Reagente limitante (LR):

  • Se NaCl < 2 × mol(Hg₂(NO₃)₂) → NaCl é o LR → massa de precipitado cresce proporcionalmente ao NaCl.
  • Se NaCl ≥ 2 × mol(Hg₂(NO₃)₂) → Hg₂(NO₃)₂ é o LR → massa de precipitado é constante (todo o Hg já precipitou); o NaCl excedente fica em solução.

c) Dados iniciais em cada frasco:

  • $n(\text{Hg}_2(\text{NO}_3)_2) = \dfrac{5{,}25}{525} = 0{,}01$ mol.

d) NaCl necessário para reagir todo o Hg₂(NO₃)₂ (ponto de equivalência):

  • $n(\text{NaCl}) = 2 \times 0{,}01 = 0{,}02$ mol.
  • Em massa: $m(\text{NaCl}) = 0{,}02 \times 58 = 1{,}16 \approx 1{,}2$ g.

e) Massa máxima de Hg₂Cl₂ formada (no patamar):

  • $n(\text{Hg}_2\text{Cl}_2) = n(\text{Hg}_2(\text{NO}_3)_2) = 0{,}01$ mol.
  • $m(\text{Hg}_2\text{Cl}_2) = 0{,}01 \times 472 = 4{,}72 \approx 4{,}7$ g.

f) Forma esperada do gráfico:

  • De $x = 0$ até $x ≈ 1{,}2$ g de NaCl: reta crescente, passando por $(0,0)$, chegando a $(1{,}2\,\text{g}; 4{,}7\,\text{g})$.
  • De $x ≈ 1{,}2$ g em diante: patamar horizontal em $y = 4{,}7$ g.

g) Proporção local da reta:

  • Inclinação = $\Delta y / \Delta x = 4{,}7 / 1{,}2 ≈ 3{,}9$ g de Hg₂Cl₂ por g de NaCl.
  • Alternativamente: por mol de NaCl adicionado (dentro do limitante), forma-se metade do mol em Hg₂Cl₂ → $\dfrac{472}{2 \times 58} = \dfrac{472}{116} ≈ 4{,}07$ (em g/g). Pequena diferença por arredondamentos.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • "7 frascos, 5,25 g de Hg₂(NO₃)₂ em cada" → cada frasco: 0,01 mol fixos.
  • "aumentou gradativamente a quantidade adicionada em cada frasco" → variável independente é a massa de NaCl.
  • "Hg₂Cl₂ tem solubilidade muito baixa" → precipita praticamente 100% (podemos ignorar o resíduo solúvel).
  • "filtrado, secado, aferido" → mede-se a massa de precipitado, que é a variável dependente.
  • "gráfico massa de NaCl × massa de Hg₂Cl₂" → queremos a função $m_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2}(m_{\text{NaCl}})$.

A física do problema tem duas regiões lineares conectadas por um cotovelo:

  • Região 1: $0 \leq x < 1{,}16$ g → $y = \dfrac{472}{2 \times 58}\,x ≈ 4{,}07 x$.
  • Região 2: $x \geq 1{,}16$ g → $y = 4{,}72$ g (constante).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mols de Hg₂(NO₃)₂ por frasco.

$$n = \frac{m}{MM} = \frac{5{,}25\,\text{g}}{525\,\text{g/mol}} = 0{,}01\,\text{mol}$$

Subpasso 4.2 — Mols e massa de NaCl no ponto de equivalência (x).

Estequiometria 1:2:

$$n_{\text{NaCl}}^ = 2 \times 0{,}01 = 0{,}02\,\text{mol}$$

$$m_{\text{NaCl}}^ = 0{,}02 \times 58 = 1{,}16\,\text{g} \;\approx\; 1{,}2\,\text{g}$$

Subpasso 4.3 — Massa máxima de Hg₂Cl₂ (y máximo, no patamar).

Estequiometria 1:1 (mol de Hg₂Cl₂ = mol de Hg₂(NO₃)₂):

$$n_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2} = 0{,}01\,\text{mol}$$

$$m_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2} = 0{,}01 \times 472 = 4{,}72\,\text{g} \;\approx\; 4{,}7\,\text{g}$$

Subpasso 4.4 — Região linear (x < 1,16 g de NaCl).

NaCl é LR. Pela estequiometria, a cada 2 mol de NaCl forma-se 1 mol de Hg₂Cl₂:

$$n_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2} = \frac{n_{\text{NaCl}}}{2}$$

Em massa, com $n_{\text{NaCl}} = m_{\text{NaCl}}/58$ e $m_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2} = 472 \cdot n_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2}$:

$$m_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2} = \frac{472}{2 \times 58}\,m_{\text{NaCl}} = \frac{472}{116}\,m_{\text{NaCl}} \approx 4{,}07\,m_{\text{NaCl}}$$

Subpasso 4.5 — Região de patamar (x ≥ 1,16 g de NaCl).

Hg₂(NO₃)₂ é LR, esgotado. Qualquer NaCl adicional não gera mais precipitado:

$$m_{\text{Hg}_2\text{Cl}_2} = 4{,}72\,\text{g}\;\text{(constante)}$$

Subpasso 4.6 — Forma esperada do gráfico.

Reta crescente de $(0,0)$ até $(1{,}2;\,4{,}7)$, e depois patamar horizontal em $y = 4{,}7$ g. A alternativa B descreve exatamente isso: "cresce linearmente até ≈ 1,2 g de NaCl (≈ 4,7 g), depois patamar constante".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Cresce linearmente até ≈ 0,6 g de NaCl (≈ 4,7 g), depois patamar constante.Incorreta. O valor máximo (≈ 4,7 g de Hg₂Cl₂) está certo, mas o ponto de equivalência em 0,6 g corresponderia a só 0,01 mol de NaCl — metade do necessário (esqueceu o coeficiente 2 da estequiometria). Erro clássico: ignorar que a reação consome 2 mol de NaCl por mol de Hg₂(NO₃)₂.

B) Cresce linearmente até ≈ 1,2 g de NaCl (≈ 4,7 g), depois patamar constante.Correta. Valores batem com os cálculos: ponto de virada em 1,16 g de NaCl, patamar em 4,72 g de Hg₂Cl₂. Duas regiões (linear + patamar) refletem a transição entre NaCl limitante e Hg₂(NO₃)₂ limitante.

C) Cresce linearmente em toda a faixa, até ≈ 5,5 g em 1,4 g de NaCl.Incorreta. Não há patamar: assume que o precipitado cresce indefinidamente com o NaCl, ignorando que o Hg₂(NO₃)₂ esgota e o excedente de NaCl fica na solução. Também ultrapassa a massa máxima teórica (4,72 g). Fisicamente impossível.

D) Começa em ≈ 2,5 g e cresce suavemente até ≈ 4,5 g, com leve patamar final.Incorreta. Começar em 2,5 g com zero NaCl é impossível (sem NaCl não há precipitação; para x = 0, y = 0). Crescimento suavemente não-linear também não condiz com estequiometria 1:2 limpa (deveria ser linear).

E) Começa em ≈ 5 g e cresce linearmente até ≈ 6,5 g.Incorreta. Começar em 5 g para x = 0 é absurdo (sem NaCl, não há Hg₂Cl₂). Ultrapassar 4,72 g também viola conservação de massa.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação: Alternativa B — reta de 0 a 1,2 g de NaCl (atingindo 4,7 g de Hg₂Cl₂), depois patamar horizontal em 4,7 g. O cotovelo marca o esgotamento do Hg₂(NO₃)₂.
  • Padrão de cobrança ENEM: gráficos de precipitação ou titulação sempre exigem identificar dois pontos-chave: (i) o ponto de equivalência (cotovelo) e (ii) o valor máximo do produto (patamar). A partir desses dois valores, a maioria das alternativas é eliminada.
  • Generalização: para qualquer reação do tipo "A + nB → produto + ...", o cotovelo em termos de massa de B é $x^ = n \cdot n_A^{ini} \cdot MM_B$, e o máximo do produto é $y_{\max} = n_A^{ini} \cdot MM_{\text{prod}}$. Calcule esses dois valores; confronte com cada alternativa.
  • Dica de eliminação: elimine imediatamente gráficos que (i) começam com $y > 0$ em $x = 0$; (ii) ultrapassam o valor máximo teórico de produto; (iii) não têm patamar quando a estequiometria exige saturação do reagente fixo.
  • Conexões: mesma lógica aparece em titulação ácido-base (curva sigmoide com ponto de equivalência), em químicas de solubilidade (Kps, curvas de precipitação) e em reações com reagente limitante em geral. O esqueleto "reta + patamar" é universal em problemas de reagente limitante.