Mapa de questões · 1º dia
Questão 88 — ENEM 2016 PPL
O descarte do óleo de cozinha na rede de esgotos gera diversos problemas ambientais. Pode-se destacar a contaminação dos cursos-d’água, que tem como uma das consequências a formação de uma película de óleo na superfície, causando danos à fauna aquática, por dificultar as trocas gasosas, além de diminuir a penetração dos raios solares no curso hídrico.
Disponível em: http://revistagalileu.globo.com. Acesso em: 3 ago. 2012 (adaptado).
Qual das propriedades dos óleos vegetais está relacionada aos problemas ambientais citados?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Química → Propriedades físicas dos lipídios (densidade e polaridade)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar um fato cotidiano (óleo boiando na água) a uma propriedade física básica, sem cálculos.
- 🎯 Tema/Habilidade: Densidade relativa entre líquidos imiscíveis e seu impacto ambiental — articulação entre química e questões socioambientais.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual propriedade físico-química do óleo vegetal explica por que ele forma uma película flutuante na água poluída, bloqueando luz e trocas gasosas?"
- Palavras-chave decisivas: película de óleo na superfície, dificultar as trocas gasosas, diminuir a penetração dos raios solares
- Armadilha típica: confundir o fato de o óleo "não se misturar" com água (imiscibilidade/polaridade) com o motivo pelo qual ele fica por cima — são propriedades diferentes: polaridade explica a não mistura, densidade explica a posição da camada.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a formação de uma camada superficial contínua é consequência direta de uma diferença de densidade, e não de reatividade, viscosidade ou ponto de ebulição.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Densidade (d = m/V): grandeza que relaciona massa e volume de uma substância; quando dois líquidos imiscíveis são colocados juntos, o de menor densidade sempre ocupa a posição superior, independentemente de outras propriedades.
- Densidade dos óleos vegetais: os triglicerídeos que compõem os óleos vegetais têm densidade em torno de 0,90 a 0,93 g/mL, sensivelmente menor que a da água (1,00 g/mL). Por isso, mesmo sem se dissolver, o óleo sempre sobe e se espalha na superfície.
- Miscibilidade e polaridade: óleos vegetais são formados por triglicerídeos, moléculas predominantemente apolares (cadeias longas de ácidos graxos), enquanto a água é altamente polar — "polar dissolve polar, apolar dissolve apolar". Por isso óleo e água são imiscíveis, mas essa é a explicação da separação das fases, não da posição de cada uma.
- Viscosidade e ponto de ebulição: a viscosidade mede a resistência ao escoamento (influencia a velocidade de espalhamento da mancha, não a posição das fases); o ponto de ebulição é uma propriedade térmica de mudança de estado, sem relação com o comportamento de líquidos imiscíveis em temperatura ambiente.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "formação de uma película de óleo na superfície" → o termo "superfície" aponta para uma questão de posicionamento vertical entre os dois líquidos, ou seja, de densidade relativa, não de solubilidade.
- Evidência 2: "dificultar as trocas gasosas" e "diminuir a penetração dos raios solares" → ambas as consequências decorrem diretamente da existência de uma camada física contínua cobrindo a água, camada que só se forma e permanece por cima porque o óleo é menos denso.
- Síntese: o enunciado descreve um fenômeno físico observável (óleo boiando) e suas consequências ecológicas; a propriedade responsável por esse posicionamento — óleo acima, água abaixo — é exclusivamente a diferença de densidade entre as duas substâncias.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno físico descrito
Ao ser descartado na rede de esgoto e atingir cursos-d'água, o óleo de cozinha forma uma "película na superfície" — uma camada fina que se posiciona acima do nível da água, cobrindo-a como uma tampa. Esse é o dado central a ser explicado quimicamente, e é o mesmo fenômeno observado em vazamentos de petróleo no mar.
Subpasso 4.2 — Relacionar o fenômeno à propriedade física correta
Sempre que dois líquidos imiscíveis se separam em fases, a fase menos densa ocupa a posição superior e a mais densa, a posição inferior — o mesmo princípio que faz o azeite flutuar sobre o vinagre em um molho de salada. Os óleos vegetais têm densidade próxima de 0,90–0,93 g/mL, valor inferior ao da água (≈1,00 g/mL). É essa diferença que faz o óleo permanecer sempre por cima, formando a película descrita no texto.
Subpasso 4.3 — Verificação: a propriedade explica as duas consequências citadas
Confirmando a lógica causal: baixa densidade → óleo flutua → forma película contínua na superfície → a camada bloqueia o contato direto entre o ar atmosférico e a água (reduzindo a dissolução de O₂ e prejudicando a respiração de organismos aquáticos) e absorve/reflete parte da radiação solar antes que ela atinja a coluna d'água (comprometendo a fotossíntese de algas e plantas submersas). Toda a cadeia de consequências ambientais citada no texto decorre diretamente de uma única propriedade física — a densidade do óleo é menor que a da água —, o que converge exatamente para a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Alta miscibilidade em água.
❌ Incorreta: o erro conceitual é o oposto do fato real. Óleos vegetais são substâncias apolares e a água é polar — por isso são praticamente imiscíveis (baixíssima miscibilidade). Se o óleo tivesse alta miscibilidade, ele se dissolveria na água e não haveria formação de nenhuma película visível.
B) Alta reatividade com a água.
❌ Incorreta: óleos vegetais não reagem quimicamente com a água em condições ambientes (não há hidrólise espontânea relevante sem catalisador, calor ou enzima). O fenômeno descrito é puramente físico — formação de uma camada por diferença de densidade —, não uma reação química.
C) Baixa densidade em relação à água.
✅ Correta: por possuir densidade menor que a da água (cerca de 0,90–0,93 g/mL contra 1,00 g/mL), o óleo flutua e se espalha na superfície do curso d'água, formando a película que impede trocas gasosas e reduz a entrada de luz solar — exatamente os dois efeitos ambientais citados no enunciado.
D) Baixa viscosidade em relação à água.
❌ Incorreta: essa comparação já é fisicamente equivocada — óleos vegetais são, na verdade, mais viscosos que a água, não menos. Além disso, a viscosidade está relacionada à resistência ao escoamento do fluido, não à posição de uma fase líquida sobre a outra; não é ela que explica a formação da película superficial.
E) Alto ponto de ebulição em relação à água.
❌ Incorreta: o ponto de ebulição é a temperatura em que um líquido passa ao estado gasoso; embora os óleos vegetais tenham, de fato, ponto de ebulição mais alto que o da água, essa propriedade é irrelevante para o fenômeno em temperatura ambiente descrito no texto — não tem qualquer relação com o motivo de o óleo formar uma camada na superfície.
🏆 Gabarito: C — a baixa densidade do óleo vegetal em relação à água é a única propriedade capaz de explicar, de forma direta e completa, toda a cadeia de efeitos ambientais descrita: flutuação, formação de película contínua, bloqueio de luz solar e de trocas gasosas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a densidade relativa explica a posição de uma fase líquida sobre a outra; nenhuma das demais propriedades citadas (miscibilidade, reatividade, viscosidade, ponto de ebulição) determina esse posicionamento.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora contextos ambientais (derramamento de óleo/petróleo, descarte de resíduos, poluição de rios e mares) para cobrar propriedades físicas básicas de lipídios — densidade e polaridade são as mais frequentes, quase sempre conectadas a impactos ecológicos reais.
- Generalização: sempre que o enunciado falar em uma substância "boiando", "flutuando" ou formando "película na superfície" de outra, a propriedade física em jogo é a densidade relativa — não confunda com solubilidade/miscibilidade, que explica apenas a separação das fases, não sua ordem vertical.
- Dica de eliminação rápida: procure o verbo-chave no enunciado: "camada", "película" ou "superfície" → pense densidade; "não se dissolve" ou "fases distintas" → pense polaridade/miscibilidade. Isso já elimina B e E de cara, pois reação química e ponto de ebulição não têm relação com "estar em cima".
- Conexões: compare com questões sobre derramamento de petróleo no mar (mesmo princípio de densidade) e com o estudo de lipídios na Bioquímica (estrutura apolar dos triglicerídeos, base da insolubilidade em água).
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