Mapa de questões · 1º dia
Questão 87 — ENEM 2016 PPL
Algumas crianças, ao brincarem de esconde- esconde, tapam os olhos com as mãos, acreditando que, ao adotarem tal procedimento, não poderão ser vistas.
Essa percepção da criança contraria o conhecimento científico porque, para serem vistos, os objetos
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Óptica Geométrica (natureza da luz e visão)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas conhecimento conceitual sobre como a luz permite a visão, sem cálculos
- 🎯 Tema/Habilidade: Interação luz-matéria e formação da percepção visual (compreender fenômenos naturais a partir de processos físicos)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Explique fisicamente por que fechar os olhos não impede que um objeto seja visto por outra pessoa, ou seja, qual processo físico é necessário para que um objeto seja visto."
- Palavras-chave decisivas: contraria o conhecimento científico, para serem vistos, objetos
- Armadilha típica: achar que os olhos "emitem" algo (uma espécie de raio visual) que sai deles e "toca" o objeto — essa é a intuição ingênua de muitas crianças (e de teorias antigas, como a teoria da extramissão de alguns filósofos gregos)
- O que a resposta precisa demonstrar: que a visão depende da luz vinda de uma fonte externa, que incide sobre o objeto, é refletida por ele e então atinge o olho do observador — o olho é receptor, não emissor de luz
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fonte primária de luz: corpo que produz luz própria (o Sol, uma lâmpada, uma vela). É de onde partem os fótons que iluminam o ambiente.
- Corpo iluminado (fonte secundária): objeto que não produz luz, mas a reflete difusamente em todas as direções quando é atingido pela luz de uma fonte primária. A grande maioria dos objetos que vemos no dia a dia é assim (uma mesa, uma parede, uma criança escondida atrás de um móvel).
- Reflexão difusa da luz: ao incidir sobre uma superfície não polida, a luz é espalhada em várias direções — é justamente essa luz espalhada que pode atingir o olho de um observador, permitindo a visão do objeto de vários ângulos diferentes.
- Fóton: partícula (quantum) de luz; é o "portador" da informação luminosa que viaja da fonte até o objeto e do objeto até o olho.
- Papel do olho (retina): estrutura receptora que absorve os fótons que nela incidem, converte esse estímulo em sinal elétrico (via células fotorreceptoras) e o envia ao cérebro, onde a imagem é interpretada. O olho não lança luz para "escanear" o ambiente.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "tapam os olhos com as mãos, acreditando que [...] não poderão ser vistas" → revela a concepção infantil de que a visão depende de uma ação do próprio observado (como se "ver" e "ser visto" dependessem da mesma via, ou de uma emissão que parte de quem observa ou de quem é observado, e que ao cobrir os olhos essa via fosse interrompida).
- Evidência 2: "Essa percepção da criança contraria o conhecimento científico" → deixa claro que a resposta correta precisa expor o modelo físico real da visão, que é diferente (e mais correto) do que a criança imagina.
- Síntese: a questão testa se o estudante sabe que o processo físico da visão é: luz de uma fonte externa incide sobre o objeto → o objeto reflete essa luz (fótons) em várias direções → parte desses fótons atinge o olho do observador → o cérebro forma a imagem. Tampar os olhos da criança escondida não impede esse processo, porque quem "enxerga" é o olho de quem procura, e a luz refletida pelo corpo da criança continua se propagando independentemente do que ela faça com as próprias mãos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o erro conceitual da criança
A criança, ao tapar os olhos, parte de uma lógica implícita (comum na infância) de que a visão é uma via de mão dupla que passa pelos próprios olhos: "se eu não vejo, não posso ser vista". Essa ideia se aproxima da antiga (e incorreta) teoria da extramissão, segundo a qual o olho emitiria algo — um "raio visual" — até o objeto para que ele pudesse ser percebido. Se isso fosse verdade, tampar os olhos de fato interromperia a possibilidade de "ser vista", pois cortaria a emissão. Mas essa não é a explicação física aceita pela ciência.
Subpasso 4.2 — Estabelecer o modelo físico correto
Na física moderna, a luz se propaga em pacotes de energia chamados fótons. Esses fótons partem de uma fonte (o Sol, uma lâmpada) e se espalham pelo ambiente. Quando encontram um objeto opaco — como o corpo de uma criança — parte desses fótons é absorvida (vira calor) e parte é refletida de forma difusa, isto é, espalhada em múltiplas direções. Alguns desses fótons refletidos seguem trajetória até o olho de um observador (quem está procurando na brincadeira). Ao atingirem a retina, esses fótons desencadeiam o processo de visão. Logo, o objeto (a criança escondida) é visto porque reflete luz para os olhos de quem observa, e não porque ela própria emite ou recebe algo pelos seus olhos.
Subpasso 4.3 — Verificação
Repare que o fato de a criança tampar os olhos não interrompe em nada essa cadeia: a luz da fonte externa continua incidindo sobre o corpo dela e sendo refletida normalmente para quem está procurando. Logo, ela continua "visível" mesmo de olhos fechados — daí o equívoco da percepção infantil. A alternativa correta precisa afirmar exatamente isso: os objetos refletem fótons, que atingem os olhos do observador. Comparando com as cinco alternativas, apenas uma descreve corretamente esse processo (reflexão pelo objeto + fótons chegando ao olho, sem envolver emissão de luz pelos olhos).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) refletem partículas de luz (fótons), que atingem os olhos.
✅ Correta: descreve com precisão o processo físico da visão — o objeto reflete os fótons vindos de uma fonte luminosa, e são esses fótons refletidos que atingem o olho do observador, permitindo que o objeto seja visto. É exatamente o modelo da intromissão (a luz "entra" no olho), consagrado pela óptica física.
B) geram partículas de luz (fótons), convertidas pela fonte externa.
❌ Incorreta: erro conceitual duplo. Primeiro, a maioria dos objetos do cotidiano (como o corpo de uma criança) não gera luz própria — eles não são fontes primárias, apenas refletem a luz que recebem. Segundo, a frase "convertidas pela fonte externa" inverte a lógica causal: é a fonte que gera os fótons e o objeto que os reflete, não o contrário.
C) são atingidos por partículas de luz (fótons), emitidas pelos olhos.
❌ Incorreta: reproduz exatamente a teoria da extramissão (a ideia intuitiva, e cientificamente ultrapassada, de que o olho emite luz/raios visuais para "tocar" o objeto). É essa mesma concepção equivocada que está na base do erro da criança do enunciado — logo, essa alternativa apenas repete o erro, não o corrige.
D) refletem partículas de luz (fótons), que se chocam com os fótons emitidos pelos olhos.
❌ Incorreta: mistura corretamente a ideia de reflexão pelo objeto (primeira parte, certa) com a ideia falsa de que os olhos também emitem fótons que colidiriam com os refletidos (segunda parte, errada). Os olhos são receptores de luz, não emissores; não existe esse "choque" de fótons emitidos e refletidos.
E) são atingidos pelas partículas de luz (fótons), emitidas pela fonte externa e pelos olhos.
❌ Incorreta: soma um elemento correto (fótons da fonte externa atingem o objeto) a um elemento falso (fótons também emitidos pelos olhos). Novamente atribui aos olhos uma função de emissão de luz que eles não possuem — o olho apenas capta e absorve os fótons que nele incidem.
🏆 Gabarito: A — a visão depende de os objetos refletirem os fótons emitidos por uma fonte externa, sendo essa luz refletida que atinge os olhos do observador; nenhuma luz sai dos olhos em direção ao objeto.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra A é a única alternativa que descreve corretamente o sentido único da propagação da luz na visão: fonte → objeto (reflexão) → olho (recepção), sem inventar qualquer emissão de luz pelos olhos.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma explorar concepções espontâneas (senso comum) versus o conhecimento científico em óptica — é comum aparecer a comparação entre a "visão por emissão" (crença popular/infantil) e a "visão por recepção de luz refletida" (modelo físico correto).
- Generalização: sempre que uma questão tratar do mecanismo físico da visão, lembre-se do fluxo: fonte de luz → incidência sobre o objeto → reflexão (geralmente difusa) → chegada dos fótons ao olho → formação da imagem na retina. O olho é sempre receptor, nunca emissor de luz visível.
- Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que mencione fótons "emitidos pelos olhos" (elimina C, D e E de uma vez) — essa é a marca da concepção errada de extramissão. Entre as que sobram, escolha a que fala em "refletir" luz vinda de fora, não em "gerar" luz (elimina B, resta A).
- Conexões: esse tema se conecta com reflexão difusa e especular (por que enxergamos objetos foscos de vários ângulos, mas espelhos só de ângulos específicos) e com a formação de sombras e câmara escura, outros clássicos de óptica geométrica no ENEM.
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