Mapa de questões · 1º dia
Questão 68 — ENEM 2016 PPL
Em mídias ópticas como CDs, DVDs e blue-rays , a informação é representada na forma de bits (zeros e uns) e é fisicamente gravada e lida por feixes de luz laser . Para gravar um valor “zero”, o laser brilha intensamente, de modo a “queimar” (tornar opaca) uma pequena área do disco, de tamanho comparável a seu comprimento de onda. Ao longo dos anos, as empresas de tecnologia vêm conseguindo aumentar a capacidade de armazenamento de dados em cada disco; em outras palavras, a área usada para se representar um bit vem se tornando cada vez mais reduzida.
Qual alteração da onda eletromagnética que constitui o laser permite o avanço tecnológico citado no texto?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Ondulatória (comprimento de onda, frequência e velocidade da luz)
- ⚡ Nível: Médio — exige conectar a equação fundamental da ondulatória (c = λ·f) a um fenômeno tecnológico do cotidiano
- 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre comprimento de onda e frequência de ondas eletromagnéticas; interpretar o funcionamento de uma tecnologia a partir de conceitos físicos
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual mudança na onda de luz do laser permite gravar bits em áreas cada vez menores do disco?"
- Palavras-chave decisivas: comprimento de onda, área... cada vez mais reduzida, alteração da onda eletromagnética
- Armadilha típica: confundir "brilho intenso" (que queima o disco) com o parâmetro físico que determina o tamanho mínimo da marca gravada — levando o candidato a marcar amplitude ou intensidade.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o tamanho mínimo de uma marca gravável por um feixe de luz é limitado pelo seu comprimento de onda, e que reduzir esse comprimento de onda exige aumentar a frequência (pois c = λ·f é constante).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Equação fundamental da ondulatória: toda onda eletromagnética obedece a c = λ·f, em que c é a velocidade de propagação (constante no mesmo meio), λ o comprimento de onda e f a frequência. Logo, λ e f são inversamente proporcionais.
- Limite de difração: um feixe de luz não pode ser focalizado com precisão numa região menor do que aproximadamente o seu próprio comprimento de onda. É por isso que o texto diz que a área "queimada" tem tamanho comparável ao comprimento de onda do laser.
- Amplitude e intensidade: estão associadas à quantidade de energia que a onda transporta (o quão "forte" é o brilho do laser, capaz de queimar/tornar opaco o disco), não ao tamanho da região que o feixe consegue atingir.
- Energia do fóton (E = h·f): cresce com a frequência, mas essa relação não é o motivo direto da redução da área — o motivo direto é a diminuição do comprimento de onda, que reduz o limite de focalização do feixe.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "de tamanho comparável a seu comprimento de onda" → o próprio enunciado entrega a variável-chave: a área mínima gravável está diretamente ligada ao comprimento de onda do laser, e não à sua energia ou intensidade.
- Evidência 2: "a área usada para se representar um bit vem se tornando cada vez mais reduzida" → a evolução tecnológica busca diminuir essa área; portanto, é necessário diminuir o comprimento de onda do laser utilizado.
- Síntese: se a área mínima gravável é proporcional a λ, reduzir a área exige reduzir λ. Como c = λ·f é constante para a luz no mesmo meio, diminuir λ só é possível aumentando f. A pergunta final ("qual alteração da onda... permite o avanço") aponta, portanto, para a frequência.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a grandeza que limita o tamanho do "bit"
O texto afirma que a área gravada tem "tamanho comparável a seu comprimento de onda". Essa frase é uma referência direta ao fenômeno da difração: nenhum feixe de luz pode ser focalizado com precisão numa mancha muito menor do que o seu próprio comprimento de onda. É exatamente esse limite físico que explica a evolução CD → DVD → Blu-ray: cada geração de mídia óptica usa um laser de cor diferente, e cada cor corresponde a um comprimento de onda distinto (CD usa infravermelho, λ ≈ 780 nm; DVD usa vermelho, λ ≈ 650 nm; Blu-ray usa azul-violeta, λ ≈ 405 nm). Quanto menor o λ do laser, menor a mancha em que ele pode ser focalizado e, portanto, menor a área necessária para gravar cada bit — o que aumenta a densidade de armazenamento do disco.
Subpasso 4.2 — Relacionar o comprimento de onda à frequência
A velocidade de propagação da luz no mesmo meio (ar, praticamente igual a c no vácuo) é constante e se relaciona com λ e f pela equação fundamental da ondulatória:
c = λ × f
Como c permanece praticamente inalterada (mesmo meio de propagação), λ e f são grandezas inversamente proporcionais. Assim, para diminuir o comprimento de onda — que é o que efetivamente reduz a área mínima gravável — é necessário aumentar a frequência f da onda eletromagnética que constitui o laser.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confirma-se pela progressão histórica das mídias ópticas: o Blu-ray (λ ≈ 405 nm) tem frequência maior do que o DVD (λ ≈ 650 nm), que por sua vez tem frequência maior do que o CD (λ ≈ 780 nm). Essa sequência de lasers com frequências crescentes (e comprimentos de onda decrescentes) é exatamente o que permitiu reduzir a área mínima de gravação de cada bit e aumentar a capacidade de armazenamento — validando que "o aumento da frequência" é a alteração correta.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) A diminuição de sua energia.
❌ Incorreta: a energia de cada fóton do laser é dada por E = h·f. Diminuir a energia significaria diminuir a frequência (e, portanto, aumentar o comprimento de onda), o que tornaria a mancha do feixe maior, não menor — o oposto do que a tecnologia precisa para reduzir a área do bit.
B) O aumento de sua frequência.
✅ Correta: aumentar a frequência implica, pela relação c = λ·f (com c constante), diminuir o comprimento de onda do laser. É esse comprimento de onda menor que permite focalizar o feixe numa área menor, viabilizando bits mais compactos — exatamente o mecanismo por trás da evolução CD → DVD → Blu-ray.
C) A diminuição de sua amplitude.
❌ Incorreta: a amplitude está relacionada à intensidade/energia transportada pela onda, ou seja, ao "brilho" do laser usado para queimar o disco, não ao tamanho da área atingida pelo feixe. Diminuir a amplitude apenas tornaria o laser mais fraco, podendo até comprometer a gravação, sem qualquer relação com a redução da área do bit.
D) O aumento de sua intensidade.
❌ Incorreta: assim como a amplitude, a intensidade está ligada à potência do feixe (necessária para tornar opaca a área do disco), não ao tamanho mínimo dessa área. Aumentar a intensidade poderia tornar a queima mais eficaz, mas não reduz o limite de focalização do feixe, que é determinado pelo comprimento de onda.
E) A diminuição de sua velocidade.
❌ Incorreta: a velocidade de propagação da luz no mesmo meio (ar/vácuo) é praticamente constante (≈ 3×10⁸ m/s) e não é uma grandeza ajustada pelos fabricantes ao projetar lasers de cores diferentes. Além disso, mesmo que variasse, a velocidade não teria relação direta com o tamanho mínimo da área gravável, que depende do comprimento de onda.
🏆 Gabarito: B — O aumento da frequência do laser reduz seu comprimento de onda (pois c = λ·f é constante), e é esse comprimento de onda menor que permite focalizar o feixe em áreas cada vez menores, viabilizando o aumento da densidade de gravação em mídias ópticas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco grandezas citadas (energia, frequência, amplitude, intensidade, velocidade), apenas a frequência está diretamente ligada, via c = λ·f, ao comprimento de onda — a única grandeza capaz de explicar a redução da área mínima gravável descrita no texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma contextualizar a equação fundamental da ondulatória (v = λ·f) em situações tecnológicas do cotidiano — mídias ópticas, fibra óptica, radiodifusão, fotografia — testando se o estudante diferencia as grandezas de "tamanho/velocidade da onda" (λ, f, v) das grandezas de "energia transportada" (amplitude, intensidade).
- Generalização: sempre que uma questão associar "resolução", "nitidez" ou "tamanho mínimo de detalhe" a uma onda (luz, som, micro-ondas), a grandeza física-chave costuma ser o comprimento de onda e, por consequência direta de c = λ·f, a frequência.
- Dica de eliminação rápida: separe as alternativas em dois grupos — (1) as que falam de "quanta energia a onda carrega" (energia, amplitude, intensidade) e (2) as que falam de "quão comprida ou rápida" a onda é (frequência, velocidade). Como o texto menciona explicitamente "comprimento de onda", o grupo (1) pode ser eliminado de imediato, restando apenas frequência e velocidade para a decisão final.
- Conexões: relação c = λ·f em ondas eletromagnéticas; limite de difração em instrumentos ópticos (microscópios, telescópios, câmeras); evolução tecnológica de mídias ópticas como estudo de caso de física aplicada.
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