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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 36ENEM 2016 PPL

Ameaça real à segurança de mais de 500 pessoas de 120 casas de Planaltina de Goiás, a voçoroca, que levou à decretação de situação de emergência no município pelo Ministério da Integração Nacional, foi vistoriada pelo procurador-geral de Justiça de Goiás e por várias autoridades das três esferas de governo. Durante a vistoria da erosão, que já mede quase 3 quilômetros de extensão, foi confirmada a liberação de recursos visando paralisar o processo degradante.

Disponível em: http://mp-go.jusbrasil.com.br. Acesso em: 2 ago. 2012 (adaptado).

Disponível em: http://al.go.leg.br. Acesso em: 2 ago. 2012 (adaptado).

O fenômeno noticiado, sobre a área urbana de Planaltina (GO), tem sua origem explicada pela

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Impactos ambientais urbanos e uso/ocupação do solo
  • ⚡ Nível: Médio — a questão exige distinguir causa natural de causa antrópica/urbana para um mesmo fenômeno erosivo, cruzando texto jornalístico e imagem.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre ocupação urbana desordenada, infraestrutura de drenagem e degradação ambiental (competência de leitura da paisagem e dos impactos da ação humana sobre o meio físico).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a verdadeira causa da voçoroca que ameaça casas em Planaltina (GO)?"
  • Palavras-chave decisivas: área urbana, origem, fenômeno
  • Armadilha típica: tratar a voçoroca como um processo puramente geológico/natural (chuva + declive + solo), ignorando que o texto descreve um bairro habitado, com 120 casas e 500 pessoas ameaçadas — ou seja, um contexto de cidade, não de campo aberto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a origem do fenômeno está ligada à forma como o espaço urbano foi ocupado e drenado, e não apenas a fatores climáticos e geomorfológicos isolados.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Voçoroca: forma mais avançada e destrutiva de erosão hídrica. Diferente da ravina (não atinge o lençol freático) e do sulco (pequeno e raso), a voçoroca é um sulco profundo e largo, formado pela concentração do escoamento de água em um mesmo ponto do relevo, capaz de atingir o lençol freático e avançar por quilômetros — no caso de Planaltina, quase 3 km.
  • Erosão natural × erosão acelerada (antrópica): a erosão natural das chuvas é lenta e distribuída pela paisagem; já a erosão acelerada surge quando a ação humana concentra o fluxo de água (ruas sem asfalto, valas, terrenos sem vegetação, ausência de galerias pluviais), multiplicando a energia erosiva em pontos específicos.
  • Drenagem urbana: rede de infraestrutura (bueiros, galerias, canaletas) projetada para escoar a água da chuva de forma controlada. Quando essa rede é inexistente ou mal planejada — comum em loteamentos irregulares —, a água pluvial escoa de forma concentrada pelo solo exposto, escavando-o progressivamente.
  • Uso e ocupação do solo: a retirada da cobertura vegetal para construção de casas e ruas, sem substituição por pavimentação ou drenagem adequada, deixa o solo desprotegido e vulnerável ao impacto direto e ao escoamento da água, especialmente em solos arenosos e friáveis como os do Cerrado goiano.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Ameaça real à segurança de mais de 500 pessoas de 120 casas de Planaltina de Goiás" → confirma que a voçoroca corta uma área urbana consolidada, habitada, e não um terreno rural ou natural isolado.
  • Evidência 2: "decretação de situação de emergência no município pelo Ministério da Integração Nacional" e "erosão... que já mede quase 3 quilômetros de extensão" → mostra um processo de grande escala e velocidade incompatível com erosão puramente natural; algo está intensificando o fenômeno.
  • Evidência 3 (imagem): a fotografia registra uma cratera erosiva profunda, com entulho e resíduos domésticos no fundo, margeada por uma via e por construções ao fundo → comprova visualmente que a voçoroca avança sobre um espaço urbanizado e ocupado, reforçando a hipótese de causa ligada à ocupação e ao descarte inadequado de água e lixo.
  • Síntese: o cruzamento entre texto e imagem aponta para um fenômeno erosivo agravado pela urbanização mal planejada — casas construídas sem infraestrutura de drenagem pluvial, solo exposto pela retirada da vegetação e escoamento de água concentrado em pontos específicos do bairro.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Classificar o fenômeno

O texto descreve uma voçoroca: erosão hídrica linear profunda, com quase 3 km de extensão, que já atingiu o nível de emergência federal. Esse porte não é típico de um processo erosivo natural comum — indica concentração intensa e recorrente de água escoando sempre pelo mesmo trajeto.

Subpasso 4.2 — Identificar o agente causador dominante

Toda encosta com declive e chuva sofre algum grau de erosão — isso é fato geomorfológico básico. Mas a questão não pergunta "o que causa erosão em geral", e sim a causa desse fenômeno específico, na área urbana de Planaltina. O diferencial do caso está exatamente no cenário urbano: 120 casas, 500 moradores, autoridades das três esferas de governo mobilizadas. Isso situa o problema no campo do planejamento urbano: solo desmatado para construção, ruas sem pavimentação/drenagem adequada e ausência de canalização das águas pluviais fazem a chuva escoar concentrada por valas e terrenos, escavando o solo ano após ano até formar a voçoroca.

Subpasso 4.3 — Verificação com a imagem

A fotografia confirma a leitura: dentro da cratera erosiva há entulho e lixo doméstico, e nas bordas há rua e construções — sinal de que a área é ocupada e de que o escoamento das águas urbanas (sem rede de drenagem) foi direcionado para aquele ponto, aprofundando o processo. Isso valida que a explicação correta deve combinar dois elementos: (1) degradação ambiental por ocupação/uso inadequado do solo e (2) falha na drenagem de águas pluviais — exatamente os termos da alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) fraca cobertura vegetal e composição do solo, resultado da ação erosiva natural das chuvas.

❌ Incorreta: reduz a causa a fatores puramente naturais (vegetação escassa + tipo de solo + chuva), sem mencionar a ocupação urbana e a ausência de drenagem, que são o elemento central destacado pela notícia (casas, pessoas, situação de emergência).

B) relação entre o declive do terreno e a força erosiva da água, resultado da evolução do relevo.

❌ Incorreta: descreve um processo de "evolução do relevo" como se fosse natural e geológico, ignorando por completo a intervenção humana que acelerou e concentrou a erosão em pleno bairro urbano.

C) declividade do terreno e intensidade das chuvas, resultado do escoamento superficial das águas pluviais.

❌ Incorreta: embora cite corretamente o escoamento superficial, atribui a causa apenas a variáveis físicas (declive e intensidade de chuva), sem relacionar o fenômeno à ocupação urbana desordenada e à falta de infraestrutura de drenagem — o real diferencial do caso.

D) degradação ambiental e deficiência na drenagem de águas pluviais, resultado da ocupação e uso inadequado do solo.

✅ Correta: é a única alternativa que identifica a causa socioambiental e urbana do fenômeno — a ocupação irregular do solo (retirada da vegetação, construção de casas e ruas) somada à ausência ou deficiência de sistema de drenagem pluvial, que concentra o escoamento da água e aprofunda a erosão até formar uma voçoroca de quase 3 km.

E) decomposição e transporte de sedimentos por escoamento superficial, resultado de processos erosivos naturais às encostas.

❌ Incorreta: volta a enquadrar o fenômeno como "processo erosivo natural", desconsiderando o fator decisivo apontado pelo texto e pela imagem: a ocupação urbana sem planejamento adequado.

🏆 Gabarito: D — a voçoroca de Planaltina (GO) tem origem na combinação entre degradação ambiental provocada pela ocupação urbana irregular e a deficiência da rede de drenagem de águas pluviais, e não em fatores exclusivamente naturais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco alternativas, apenas a D relaciona o fenômeno à ação humana (ocupação e uso do solo) e à falha de infraestrutura urbana (drenagem), que é justamente o que diferencia esse caso de uma simples erosão de encosta natural.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a relação entre fenômenos "naturais" (erosão, enchente, deslizamento, assoreamento) e a ação humana no espaço urbano — sempre valorizando respostas que expliquem o problema a partir do planejamento urbano e da infraestrutura, não apenas da física do relevo.
  • Generalização: quando o enunciado insere o fenômeno físico em um contexto urbano explícito (casas, moradores, emergência decretada), desconfie de alternativas que descrevem apenas processos "naturais" — a resposta esperada quase sempre destaca a ação humana como fator desencadeador ou agravante.
  • Dica de eliminação rápida: risque de imediato as alternativas que terminam em expressões como "resultado da ação erosiva natural das chuvas", "evolução do relevo" ou "processos erosivos naturais" — elas ignoram o recorte urbano/social que o texto motivador deixou evidente.
  • Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a questões sobre enchentes urbanas por impermeabilização do solo e deslizamentos em encostas ocupadas irregularmente — temas recorrentes de Geografia urbana no ENEM.

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