Mapa de questões · 1º dia
Questão 86 — ENEM 2016 PPL
Para o consumidor, é praticamente impossível identificar a diferença entre a sacola biodegradável e a comum, feita de polietileno – derivado do petróleo. Alguns governos municipais já exigem que os supermercados ofereçam sacolas biodegradáveis em substituição às sacolas comuns.
Disponível em: http://epocanegocios.globo.com. Acesso em: 1 ago. 2012.
A atitude tomada pelos governos municipais deve-se ao(à)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (decomposição, ciclagem de matéria e poluição por resíduos sólidos), com apoio de Química dos polímeros
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta decorre do próprio significado da palavra "biodegradável"; a dificuldade está em não se deixar levar por vantagens econômicas plausíveis, mas falsas
- 🎯 Tema/Habilidade: Biodegradabilidade e ação decompositora de microrganismos; avaliar propostas de intervenção ambiental (política pública de resíduos sólidos)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a razão ambiental que leva prefeituras a exigir sacolas biodegradáveis no lugar das de polietileno?"
- Palavras-chave decisivas: biodegradável, polietileno – derivado do petróleo, substituição
- Armadilha típica: escolher uma vantagem que soa boa (mais barata, mais resistente, matéria-prima renovável) sem verificar se ela é verdadeira e, principalmente, se é a razão que justifica uma exigência legal de caráter ambiental. Governos não legislam para baratear a sacola do supermercado — legislam para reduzir o passivo ambiental.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que "biodegradável" significa passível de decomposição por microrganismos (bactérias e fungos) em tempo curto, ao contrário do polietileno, que persiste por séculos no ambiente.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Biodegradação: decomposição de um material pela ação de decompositores (bactérias e fungos), que quebram as moléculas orgânicas complexas e devolvem os elementos químicos ao ambiente. É a etapa que fecha os ciclos biogeoquímicos da matéria.
- Polietileno: polímero sintético derivado do petróleo, formado por longas cadeias de carbono e hidrogênio. Os microrganismos não possuem enzimas capazes de reconhecer e quebrar essas ligações — por isso o material se acumula: uma sacola comum leva séculos (estimativas usuais falam em 100 a 400 anos) para se degradar, e boa parte desse processo é apenas fragmentação física em microplásticos.
- Materiais biodegradáveis: polímeros (em geral de origem vegetal, como o amido de milho, ou aditivados) cuja estrutura química é reconhecível pelas enzimas microbianas. Decompõem-se em meses, e não em séculos, reduzindo drasticamente o acúmulo em lixões, rios e oceanos.
- Impacto dos resíduos plásticos: entupimento de bueiros (enchentes), morte de animais marinhos por ingestão ou estrangulamento, formação de microplásticos que sobem pela cadeia alimentar. É esse passivo que a política pública quer atacar.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "é praticamente impossível identificar a diferença entre a sacola biodegradável e a comum" → a diferença não está nas propriedades perceptíveis ao consumidor (aparência, resistência, preço). O texto elimina, de antemão, qualquer justificativa baseada em desempenho de uso.
- Evidência 2: "a comum, feita de polietileno – derivado do petróleo" → a aposição destaca a origem fóssil e não renovável, e sinaliza a estrutura química que os microrganismos não conseguem degradar.
- Evidência 3: "Alguns governos municipais já exigem" → trata-se de uma imposição legal, o instrumento típico de política ambiental. A motivação de uma exigência governamental é o interesse coletivo — reduzir o volume e a permanência dos resíduos —, não a economia do comerciante.
- Síntese: se as duas sacolas são indistinguíveis no uso, a única diferença relevante é o destino de cada uma depois do descarte. E a diferença de destino está inteiramente contida na palavra "biodegradável": uma é decomposta por microrganismos em pouco tempo; a outra permanece no ambiente por séculos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Extrair o significado do termo-chave
"Biodegradável" decompõe-se em bio (vida) + degradável (que pode ser decomposto). Ou seja: material que pode ser degradado por seres vivos — os decompositores, sobretudo bactérias e fungos. Toda a questão gira em torno dessa definição: a característica que distingue a sacola biodegradável não é econômica nem mecânica, é biológica.
Subpasso 4.2 — Comparar o destino ambiental das duas sacolas
Sacola comum (polietileno): cadeia carbônica longa, sintética, sem grupos que as enzimas microbianas reconheçam. Os decompositores simplesmente não conseguem "digerir" o material. Consequência: a sacola permanece íntegra por séculos, ocupando volume em aterros, entupindo bueiros e sendo ingerida por animais — em especial tartarugas marinhas, que confundem plástico com água-viva.
Sacola biodegradável: estrutura química acessível às enzimas de bactérias e fungos. Os microrganismos quebram as moléculas, obtêm energia e devolvem os elementos ao ambiente (CO₂, água, biomassa), fechando o ciclo da matéria. Consequência: a sacola desaparece em meses, e o acúmulo de resíduos cai.
Subpasso 4.3 — Verificação: por que essa é a razão da lei
A pergunta é "a que se deve a atitude dos governos municipais". Uma prefeitura legisla sobre sacolas para resolver um problema público: lixo acumulado, enchentes, poluição de rios e do mar, vida útil dos aterros sanitários. Essa é uma pauta ambiental, e a solução ambiental oferecida pela sacola biodegradável é exatamente a rápida decomposição pela ação de bactérias e fungos. Nenhuma outra alternativa descreve um ganho ambiental — e as demais, como veremos, são até factualmente incorretas. A resposta é a letra E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) maior resistência que os materiais biodegradáveis apresentam em relação aos comuns.
❌ Incorreta: o enunciado afirma que o consumidor não consegue distinguir as duas sacolas, o que já exclui uma diferença de resistência perceptível. Na prática, materiais biodegradáveis tendem a ser menos duráveis — e, de todo modo, resistência mecânica é uma vantagem de uso, não uma razão ambiental para uma exigência legal.
B) escassez das matérias-primas derivadas do petróleo para produção das sacolas comuns.
❌ Incorreta: as sacolas plásticas consomem uma fração ínfima da produção mundial de petróleo, e não há desabastecimento que force a substituição. Além disso, inverte a lógica da política pública: a medida existe para reduzir o lixo gerado, não para economizar matéria-prima escassa.
C) custo consideravelmente menor das sacolas biodegradáveis em relação ao das sacolas comuns.
❌ Incorreta: é factualmente falsa — sacolas biodegradáveis são, em geral, mais caras que as de polietileno, e é justamente por isso que o mercado não as adota espontaneamente e o poder público precisa exigi-las por lei. Se fossem mais baratas, a exigência governamental seria desnecessária.
D) maior capacidade de produção das sacolas biodegradáveis, já que as fontes podem ser renováveis.
❌ Incorreta: confunde a origem da matéria-prima com o destino do resíduo. Ser feita de fonte renovável não é o mesmo que ser decomposta rapidamente — existem plásticos de origem vegetal que não são biodegradáveis. E "capacidade de produção" é um argumento industrial, que não responde ao problema ambiental do acúmulo de lixo.
E) rápida decomposição das sacolas biodegradáveis pela ação de bactérias, em comparação às sacolas comuns.
✅ Correta: é o significado literal de "biodegradável" e a única justificativa ambiental entre as opções. As sacolas biodegradáveis têm estrutura química reconhecível pelas enzimas de bactérias e fungos, sendo decompostas em meses; o polietileno, ao contrário, resiste à ação dos decompositores e permanece no ambiente por séculos. Reduzir esse tempo de permanência é exatamente o objetivo da exigência municipal.
🏆 Gabarito: E — "biodegradável" significa passível de decomposição por microrganismos; é essa rápida degradação por bactérias e fungos — impossível no polietileno — que justifica a exigência dos governos municipais.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que apresenta um ganho ambiental, que é o único motivo pelo qual um governo legislaria sobre o tema. As outras quatro oferecem vantagens econômicas ou industriais — e três delas (A, B e C) são, além de irrelevantes, factualmente falsas.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra resíduos sólidos, plásticos e biodegradabilidade com muita frequência, quase sempre exigindo que o candidato relacione a estrutura do material com a capacidade de os decompositores atuarem sobre ele e com o tempo de permanência no ambiente.
- Generalização: em questões sobre políticas públicas ambientais, a resposta correta é sempre a que descreve o benefício ambiental, nunca a que descreve conveniência econômica ou comercial. Governos regulam para corrigir falhas do mercado — se a alternativa "boa para o meio ambiente" já fosse também a mais barata, não seria preciso lei nenhuma.
- Dica de eliminação rápida: volte ao significado da palavra-chave do enunciado. "Biodegradável" = degradado por seres vivos → procure a alternativa que fale em decomposição, bactérias, fungos ou microrganismos. Ela costuma ser a única no campo semântico correto, e as demais podem ser descartadas sem sequer analisá-las a fundo.
- Conexões: ciclos biogeoquímicos e o papel dos decompositores nos ecossistemas; microplásticos e bioacumulação na cadeia alimentar marinha; política dos 5 R's (repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reciclar) e a diferença entre material reciclável, compostável e biodegradável.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.