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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 37ENEM 2016 PPL

Art. 7º – São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem a melhoria de sua condição social:

XXV – assistência gratuita aos filhos e dependentes, desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade, em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 53, de 2006).

Disponível em: www.jusbrasil.com.br. Acesso em: 20 fev. 2013 (adaptado).

A inclusão do direito à creche e à pré-escola na Constituição da República Federativa do Brasil pode ser explicada pela

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Movimentos sociais, gênero e trabalho no Brasil contemporâneo
  • ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um dispositivo constitucional a um processo histórico-social específico, e não apenas interpretar o texto de lei isoladamente
  • 🎯 Tema/Habilidade: Direitos sociais na Constituição de 1988 e mobilização das mulheres trabalhadoras (Competência de área 5 — analisar processos políticos, sociais e mudanças culturais no Brasil)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual processo social e histórico explica por que o direito à creche e à pré-escola foi incorporado como direito trabalhista na Constituição Federal?"
  • Palavras-chave decisivas: assistência gratuita, desde o nascimento até 5 anos, direitos dos trabalhadores
  • Armadilha típica: tratar a questão como se fosse sobre política educacional em si (rede de escolas, qualidade do ensino) ou sobre proteção à infância isoladamente, ignorando que o texto está inserido no capítulo dos direitos dos trabalhadores — ou seja, o foco é a relação entre trabalho e cuidado infantil, não a educação como fim em si mesma.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a creche, ao ser positivada como direito trabalhista (e não apenas educacional), responde a uma demanda concreta de quem concilia emprego e maternidade — as mulheres que passaram a compor massivamente o mercado de trabalho a partir das décadas de 1970-1980.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Constituição de 1988 e Estado social: a "Constituição Cidadã" ampliou direitos sociais como resposta a demandas de movimentos organizados durante o processo de redemocratização e da Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988), que recebeu emendas populares de diversos grupos, entre eles o movimento de mulheres.
  • Feminização do mercado de trabalho: a partir dos anos 1970, a participação feminina na força de trabalho urbana cresceu de forma expressiva no Brasil, tanto por transformações econômicas (industrialização, expansão do setor de serviços) quanto por mudanças culturais (queda da fecundidade, maior escolaridade das mulheres, urbanização).
  • Dupla jornada e conflito trabalho-cuidado: ao entrar no mercado formal, as mulheres continuaram sendo as principais responsáveis pelo cuidado dos filhos. Isso gerou uma demanda concreta e organizada por equipamentos públicos de apoio à maternidade — entre eles, a creche — como condição para permanecer empregada.
  • Direito derivado de mobilização (não de concessão espontânea): direitos sociais na Constituição não "aparecem" por benevolência do Estado; eles resultam de pressão política de grupos organizados (sindicatos, movimento feminista, conselhos de mulheres) que transformam uma necessidade cotidiana em pauta constitucional.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais" → o texto está no rol de direitos trabalhistas do Art. 7º, não no capítulo da educação (Art. 205 e seguintes). Isso já indica que a lógica do dispositivo é garantir condições para o exercício do trabalho, e não apenas o direito da criança à educação.
  • Evidência 2: "assistência gratuita aos filhos e dependentes, desde o nascimento até 5 anos de idade, em creches e pré-escolas" → a faixa etária corresponde exatamente ao período de maior dependência da criança em relação a um cuidador — justamente o período em que a ausência de um trabalhador(a) do lar torna a rotina de trabalho fora de casa inviável sem apoio institucional.
  • Síntese: o dispositivo constitucional nasce da necessidade de viabilizar a permanência da força de trabalho feminina no mercado formal. Ele é resposta institucional a uma pressão histórica e política concreta — a mobilização das mulheres trabalhadoras, que reivindicaram, entre outras pautas, equipamentos de assistência à infância como pré-condição para conciliar trabalho remunerado e maternidade.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza jurídica do direito

O trecho citado é parte do Art. 7º da Constituição Federal, que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Um direito inserido nesse artigo não é primariamente um direito educacional (isso estaria no capítulo da Educação, Arts. 205-214), mas um direito que decorre da condição de trabalhador. Ou seja: o texto constitucional reconhece que ter onde deixar os filhos pequenos é uma condição necessária para exercer o trabalho — não um benefício desconectado da vida profissional.

Subpasso 4.2 — Reconstituir o contexto histórico da Constituinte (1987-1988)

A Constituição de 1988 foi elaborada num contexto de redemocratização, com ampla participação de movimentos sociais organizados, que apresentaram emendas populares à Assembleia Constituinte. Entre esses movimentos, destacou-se a articulação das mulheres — sindicalistas, trabalhadoras urbanas e rurais, movimento feminista — que já vinham, desde os anos 1970-1980, ingressando em massa no mercado de trabalho formal. Essa entrada massiva gerou uma pauta concreta: sem equipamentos públicos de cuidado infantil, a permanência das mulheres no emprego ficava condicionada a arranjos informais (parentes, vizinhas) ou à própria saída do mercado de trabalho. A creche, nesse sentido, tornou-se bandeira de luta por igualdade de condições no trabalho.

Subpasso 4.3 — Verificação: cruzar o dado histórico com a alternativa

Testando a lógica encontrada contra as opções: a alternativa que descreve exatamente esse processo — mulheres organizadas, no contexto de sua inserção crescente no mercado de trabalho, pressionando por um direito que viabilizasse essa permanência — é a alternativa C, "mobilização das mulheres inseridas no mercado de trabalho". Ela é a única que conecta causa (mobilização social ligada ao trabalho feminino) e efeito (positivação do direito à creche no capítulo trabalhista da Constituição), validando o resultado do raciocínio.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) redução da taxa de fecundidade no país.

❌ Incorreta: a queda da fecundidade é, na verdade, consequência (entre outros fatores) do mesmo processo de maior inserção feminina no trabalho e na vida pública — não é ela que gera a demanda por creches. Inverte a relação de causalidade: menos filhos por mulher não cria a necessidade de creche; é a permanência no trabalho com filhos pequenos que cria essa necessidade.

B) precarização das redes de escolas públicas brasileiras.

❌ Incorreta: o texto constitucional trata de assistência a crianças de 0 a 5 anos (creche e pré-escola), não da qualidade da rede de ensino fundamental ou médio. Além disso, "precarização" descreveria um problema a ser resolvido pela educação básica regular, não justificaria a criação de um direito trabalhista específico ligado à primeira infância.

C) mobilização das mulheres inseridas no mercado de trabalho.

✅ Correta: o direito à creche foi incorporado ao Art. 7º exatamente porque grupos de mulheres trabalhadoras, organizados durante o processo constituinte, reivindicaram condições institucionais que permitissem conciliar trabalho remunerado e maternidade. É a mobilização política — e não um fator demográfico ou econômico isolado — que explica a positivação do direito nesses termos.

D) atuação da iniciativa privada consoante às demandas sociais da população.

❌ Incorreta: o dispositivo garante "assistência gratuita" como dever do Estado (e, por extensão, do empregador, via creches conveniadas ou auxílio-creche), não uma iniciativa espontânea do setor privado. A gratuidade e o caráter de direito social contradizem a ideia de que a origem do direito estaria na atuação de empresas privadas.

E) constatação dos elevados índices de maus-tratos sofridos pelas crianças no Brasil.

❌ Incorreta: o texto trata de acesso a creches e pré-escolas como apoio ao trabalhador com filhos pequenos, não de proteção contra violência infantil. Esse tema é tratado por outros dispositivos (como o Estatuto da Criança e do Adolescente), e não é o fundamento histórico da inclusão desse direito específico no capítulo trabalhista.

🏆 Gabarito: C — o direito à creche foi constitucionalizado como resposta à mobilização das mulheres trabalhadoras, que buscavam condições concretas para permanecer no mercado de trabalho sem abrir mão da maternidade.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C estabelece uma relação de causa e efeito coerente entre o texto (direito trabalhista de assistência a filhos pequenos) e um processo histórico real (mobilização das mulheres no contexto de sua entrada crescente no mercado de trabalho).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos da Constituição de 1988 para testar se o estudante entende que direitos sociais nascem de disputas e mobilizações políticas concretas — não de "boa vontade" do legislador. Questões desse tipo pedem para conectar o texto normativo ao movimento social ou histórico que o originou.
  • Generalização: sempre que uma questão apresentar um artigo constitucional e perguntar "o que explica sua inclusão", procure identificar qual grupo social se beneficia diretamente do direito e em que contexto histórico ele foi incluído — a resposta correta quase sempre aponta para a mobilização desse grupo, não para um fator genérico ou uma explicação técnica isolada.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que fogem do escopo do texto citado (aqui, B e E tratam de temas — qualidade escolar e maus-tratos — ausentes do trecho) e alternativas que contradizem uma palavra-chave explícita do enunciado (aqui, "gratuita" elimina D, que fala em iniciativa privada).
  • Conexões: revise também os temas "movimento feminista e conquista de direitos no Brasil" e "Constituição de 1988 e participação popular na Constituinte" — ambos aparecem com frequência em questões de Sociologia e História no ENEM.

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