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HumanasSociologiaMédio

Questão 45ENEM 2016 PPL

Disponível em: www.malvados.com.br. Acesso em: 11 dez. 2012.

A tirinha compara dois veículos de comunicação, atribuindo destaque à

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Sociologia → Comunicação e sociedade → internet e imprensa tradicional
  • Habilidade: H21 — identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social
  • Nível: Médio — a tirinha é curta, mas quatro das cinco alternativas descrevem qualidades plausíveis dos meios de comunicação que a tira não põe em cena
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: o que a tirinha destaca ao comparar dois veículos de comunicação.
  • Palavras-chave decisivas: compara dois veículos, atribuindo destaque a. O comando pede o contraste que a tira constrói, não uma qualidade isolada de um dos meios.
  • A armadilha: escolher um atributo elogioso da internet ou da mídia tradicional que soe verdadeiro no mundo, mas que a tirinha não tenha oposto ao outro veículo. Confiabilidade, credibilidade e resistência à adulteração são temas reais do debate sobre mídia — e nenhum deles é o eixo da comparação aqui.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você identifica qual é a diferença que a tira encena entre os dois meios, e não qual é o mérito de cada um.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • Veículo de comunicação: suporte pelo qual a mensagem circula — televisão, rádio, jornal impresso, internet. Cada suporte impõe um modo de relação entre quem emite e quem recebe, e é essa relação que a Sociologia da comunicação examina.
  • Comunicação de massa e recepção passiva: na televisão e no rádio, a grade de programação é definida por quem emite. O público escolhe entre o que foi oferecido, no horário em que foi oferecido. O fluxo é de um para muitos, e o receptor tem pouca margem sobre o que chega até ele.
  • Comunicação em rede e autonomia do usuário: na internet, o usuário define o que procurar, quando procurar e quanto aprofundar. Ele consulta várias fontes, cruza versões e abandona o assunto quando quer. O fluxo é de muitos para muitos, e a iniciativa passa para o lado de quem recebe.
  • Autonomia: capacidade de decidir por si o próprio percurso. Em comunicação, é a diferença entre receber uma pauta pronta e construir um caminho de busca. É este o conceito que a alternativa correta mobiliza.
  • Credibilidade e confiabilidade: são atributos ligados à qualidade e à veracidade da informação, não ao controle sobre o acesso a ela. Confundir liberdade de busca com garantia de verdade é o erro que sustenta três distratores desta questão — inclusive porque, no caso da internet, a autonomia ampliada convive com menor controle sobre a exatidão do que se encontra.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: "a tirinha compara dois veículos de comunicação" → o próprio comando informa a estrutura da tira: dois meios postos lado a lado. A resposta tem de ser algo que distingue um do outro, e não uma característica que ambos compartilhem.
  • Evidência 2: "atribuindo destaque a" → a tira não apenas compara: ela realça um aspecto. O leitor precisa identificar em que ponto os dois meios se comportam de modo diferente na cena mostrada.
  • Evidência 3: o que a tira põe em cena é a posição do público diante de cada meio — de um lado, alguém que recebe o conteúdo tal como foi transmitido; de outro, alguém que vai atrás do que quer saber. O contraste, portanto, é sobre quem decide o que será consumido.
  • Evidência 4: a tira não apresenta nenhuma informação sobre veracidade, checagem de fontes ou adulteração de dados. Nada na cena permite avaliar se o que circula em um meio é mais confiável que no outro — e alternativas que afirmam isso estão acrescentando um julgamento que a tira não faz.
  • Síntese: o eixo da comparação é o grau de controle que o público tem sobre o que consome. Na mídia tradicional, a pauta chega pronta; na internet, o usuário a constrói. É esse deslocamento de iniciativa que a tirinha destaca.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Fixar o que a comparação exige

Quando o comando diz "compara dois veículos", a alternativa correta precisa passar em dois testes:

  • descrever algo que um dos meios tem e o outro não, ou tem em grau muito menor;
  • corresponder ao que a tira mostra, e não ao que se sabe por fora sobre mídia.

Alternativas que descrevem virtudes genéricas de um meio, sem oposição encenada na tira, falham no primeiro teste. Alternativas que trazem juízos sobre veracidade falham no segundo.

4.2 — Identificar o eixo do contraste

A diferença estrutural entre um meio de radiodifusão e a internet está na origem da iniciativa:

  • na televisão, quem monta a sequência de conteúdos é a emissora; o espectador aceita ou desliga;
  • na internet, quem monta a sequência é o próprio usuário; ele pesquisa, escolhe, compara, aprofunda ou abandona.

É essa transferência de iniciativa do emissor para o receptor que a tirinha põe em evidência. O nome sociológico dela é autonomia.

4.3 — Descartar o eixo da confiabilidade

Vale insistir neste ponto, porque três alternativas orbitam nele. A tira não afirma que a internet seja mais confiável, nem que a informação online resista melhor à manipulação, nem que o telespectador confie no que vê. Nenhuma dessas afirmações teria sustentação: a rede é notoriamente mais permeável a boato e a conteúdo falso do que o jornalismo profissional.

O que muda entre os dois meios, e o que a tira mostra, é quem controla o acesso — não quanto se pode acreditar.

4.4 — Verificação

A alternativa correta tem de nomear uma capacidade do público, exclusiva ou muito ampliada em um dos meios, e visível na comparação encenada. Só uma opção faz isso: a que trata da liberdade do internauta para conduzir sua própria busca. Gabarito: E.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) resistência do campo virtual à adulteração de dados — Afirma exatamente o contrário do que se observa: o ambiente digital é mais suscetível à adulteração, à edição não rastreável e à circulação de conteúdo falso do que o impresso e o televisivo. Além disso, a tira não trata de integridade de dados em momento algum. É extrapolação, e extrapolação em sentido invertido.

(B) interatividade dos programas de entretenimento abertos — Desloca o foco duas vezes. Primeiro, o assunto da comparação é o acesso à informação, não o entretenimento. Segundo, atribui interatividade à televisão aberta, que é o meio de fluxo unidirecional por excelência — a participação do espectador se limita a formatos pontuais de votação e mensagem, o que não configura o traço destacado pela tira.

(C) confiança do telespectador nas notícias veiculadas — Troca o sujeito da comparação. A alternativa fala do telespectador e da atitude dele diante do que assiste, quando o eixo da tira é a diferença entre os dois meios. E, novamente, confiança é juízo sobre veracidade — dimensão que a tira não avalia.

(D) credibilidade das fontes na esfera computacional — É o distrator mais forte, porque parece elogiar a internet, como a resposta correta faz. Mas elogia a dimensão errada: credibilidade diz respeito à qualidade da fonte, e o que a tira destaca é a liberdade de escolha de quem busca. A rede amplia o acesso a fontes sem, com isso, garantir a idoneidade delas — o próprio debate público sobre desinformação parte dessa distinção.

(E) autonomia do internauta na busca de informações — Nomeia com precisão o contraste encenado. Enquanto o veículo tradicional entrega uma pauta pronta, em horário e sequência definidos por quem emite, a internet devolve ao usuário a decisão sobre o que procurar, quando e por quanto tempo. A iniciativa muda de lado, e é esse deslocamento — e não um juízo sobre veracidade — que a tirinha põe em destaque.

Gabarito: E — a tira contrapõe um meio em que o conteúdo chega pronto ao público a outro em que o próprio usuário conduz a busca, e é essa liberdade de percurso que a comparação realça.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só E se sustenta: A, C e D discutem confiabilidade e credibilidade, dimensões que a tira não avalia; B atribui à televisão aberta um traço que ela não tem e troca informação por entretenimento. Só E descreve uma diferença de controle sobre o acesso, que é o que a comparação encena.
  • Como o ENEM cobra isso: tirinha comparando mídias é formato recorrente, e o tema quase sempre é a passagem do modelo de um para muitos ao modelo de muitos para muitos. As alternativas erradas costumam ser afirmações verdadeiras sobre comunicação, mas ausentes da tira.
  • A regra geral: em item com texto não verbal, só vale o que a peça mostra. Conhecimento externo serve para interpretar, nunca para acrescentar informação. Se a alternativa exige um dado que a tira não fornece, ela está eliminada por extrapolação.
  • Eliminação em 30 segundos: separe as alternativas em dois grupos, as que falam de confiabilidade (A, C, D) e as que falam de modo de uso (B, E). Como o comando pede o contraste entre os veículos, e não um juízo de valor sobre a informação, o primeiro grupo cai inteiro.
  • Temas que costumam vir junto: indústria cultural e cultura de massa, desinformação e checagem de fatos, convergência das mídias, e o conceito de esfera pública.

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