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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 42ENEM 2016 PPL

A Guerra Fria foi, acima de tudo, um produto da heterogeneidade no sistema internacional ― para repetir, da heterogeneidade da organização interna e da prática internacional ― e somente poderia ser encerrada pela obtenção de uma nova homogeneidade. O resultado disto foi que, enquanto os dois sistemas distintos existiram , o conflito da Guerra Fria estava destinado a continuar: a Guerra Fria não poderia terminar com o compromisso ou a convergência, mas somente com a prevalência de um destes sistemas sobre o outro.

HALLIDAY, F. Repensando as relações internacionais . Porto Alegre: EdUFRGS, 1999.

A caracterização da Guerra Fria apresentada pelo texto implica interpretá-la como um(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Guerra Fria e ordem internacional bipolar (Relações Internacionais)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto é teórico e abstrato (linguagem de análise de relações internacionais), exigindo leitura atenta para não confundir termos-chave como "compromisso" e "convergência"
  • 🎯 Tema/Habilidade: Bipolaridade e natureza estrutural da Guerra Fria; competência de interpretar textos historiográficos e relacioná-los a processos históricos (leitura crítica em História)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual interpretação da Guerra Fria decorre logicamente da tese de Halliday apresentada no texto?"
  • Palavras-chave decisivas: heterogeneidade, prevalência, convergência
  • Armadilha típica: confundir a intensidade do conflito com "guerra armada direta" entre EUA e URSS, ou imaginar que o texto admite algum tipo de acordo/fusão entre os dois sistemas — quando ele nega expressamente as duas coisas.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a Guerra Fria é descrita como um conflito estrutural e sistêmico entre dois blocos irreconciliáveis, cujo único desfecho possível é a vitória de um modelo sobre o outro — nunca a negociação nem a mistura dos sistemas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Guerra Fria: rivalidade político-ideológica e econômica entre Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (socialismo), entre 1947 e 1991, marcada por corrida armamentista, disputa por áreas de influência e conflitos indiretos (guerras por procuração), sem confronto militar direto entre as duas superpotências — daí o adjetivo "fria".
  • Sistema internacional bipolar: configuração de poder mundial dividida em dois blocos hegemônicos antagônicos, cada um estruturado a partir de um modelo econômico, social e político próprio e excludente em relação ao outro.
  • Heterogeneidade sistêmica (conceito-chave de Halliday): a existência simultânea de duas lógicas de organização social e de prática internacional incompatíveis entre si (capitalismo liberal x socialismo de Estado). É essa incompatibilidade estrutural — e não apenas a rivalidade entre governos — que torna o conflito duradouro e insolúvel por meios diplomáticos comuns.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "somente poderia ser encerrada pela obtenção de uma nova homogeneidade" → o conflito só terminaria quando o sistema internacional deixasse de ser dividido em dois modelos concorrentes, isto é, quando um deles desaparecesse como alternativa viável.
  • Evidência 2: "a Guerra Fria não poderia terminar com o compromisso ou a convergência, mas somente com a prevalência de um destes sistemas sobre o outro" → o autor descarta explicitamente duas saídas possíveis (acordo negociado e fusão/hibridização dos sistemas) e afirma que o desfecho só poderia ser a vitória de um modelo sobre o outro.
  • Síntese: o texto caracteriza a Guerra Fria não como uma guerra convencional nem como um processo negociado, mas como uma disputa sistêmica e duradoura entre capitalismo e socialismo, destinada a durar enquanto ambos os sistemas coexistissem, e que só se resolveria pela prevalência — não pela conciliação — de um dos lados.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a tese central do texto

Halliday afirma que a Guerra Fria nasceu da heterogeneidade do sistema internacional — ou seja, da coexistência de dois sistemas de organização social e política radicalmente diferentes (capitalismo e socialismo). Essa heterogeneidade não é um detalhe superficial: é a própria causa estrutural do conflito. Por isso, "enquanto os dois sistemas distintos existiram, o conflito da Guerra Fria estava destinado a continuar" — a disputa não dependia da vontade de líderes específicos, mas da própria existência simultânea de dois modelos incompatíveis competindo por hegemonia mundial.

Subpasso 4.2 — Eliminar interpretações que contradizem o texto

O trecho final é o ponto crucial: o autor nega duas hipóteses de desfecho. Primeiro, nega o compromisso (um acordo negociado entre as partes). Segundo, nega a convergência (a fusão dos dois sistemas em um modelo híbrido). Toda alternativa que sugerir negociação, pacto ou mescla entre capitalismo e socialismo contraria diretamente o texto e deve ser descartada. Restam apenas alternativas compatíveis com a ideia de disputa contínua até a vitória de um lado.

Subpasso 4.3 — Verificação

A única leitura coerente com "somente com a prevalência de um destes sistemas sobre o outro" é a de um conflito intersistêmico — travado entre dois sistemas (capitalista e socialista) que competiriam ininterruptamente pela influência global até que um prevalecesse. Essa é exatamente a formulação da alternativa C, que reproduz a lógica do texto sem introduzir noções estranhas a ele, como "negociação", "hibridismo" ou "guerra armada direta".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) esforço de homogeneização do sistema internacional negociado entre Estados Unidos e União Soviética.

❌ Incorreta: o texto afirma expressamente que a Guerra Fria "não poderia terminar com o compromisso". A palavra "negociado" reintroduz exatamente a hipótese de acordo bilateral que Halliday exclui como caminho possível para a homogeneização do sistema internacional.

B) guerra, visando o estabelecimento de um renovado sistema social, híbrido de socialismo e capitalismo.

❌ Incorreta: contraria diretamente a afirmação de que a Guerra Fria "não poderia terminar... com a convergência". Um sistema "híbrido" é precisamente uma convergência entre os dois modelos, desfecho que o texto rejeita de forma explícita.

C) conflito intersistêmico em que países capitalistas e socialistas competiriam até o fim pelo poder de influência em escala mundial.

✅ Correta: reproduz com fidelidade a tese do texto — dois sistemas distintos e irreconciliáveis (capitalista e socialista) em disputa permanente por hegemonia, conflito que só se encerraria com a prevalência de um sobre o outro, sem espaço para acordo ou fusão.

D) compromisso capitalista de transformar as sociedades homogêneas dos países socialistas em democracias liberais.

❌ Incorreta: usa novamente o termo "compromisso", explicitamente negado pelo texto, e reduz o conflito a um projeto unilateral do bloco capitalista, quando Halliday descreve uma disputa entre dois sistemas com lógicas equivalentes de ação e resistência, não uma conversão pactuada de um lado sobre o outro.

E) enfrentamento bélico entre capitalismo e socialismo pela homogeneização social de suas respectivas áreas de influência política.

❌ Incorreta: "enfrentamento bélico" descreve uma guerra armada direta, o que descaracteriza a própria natureza da Guerra Fria — o confronto militar direto entre EUA e URSS nunca ocorreu, justamente por isso o período é chamado de "fria". O texto trata de heterogeneidade sistêmica e prevalência político-ideológica, não de combate convencional entre as potências.

🏆 Gabarito: C — o texto define a Guerra Fria como um conflito estrutural entre dois sistemas (capitalismo e socialismo) que disputariam influência mundial até que um prevalecesse sobre o outro, excluindo tanto o acordo negociado quanto a fusão dos modelos — exatamente o que a alternativa C descreve.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que respeita simultaneamente as duas negações explícitas do texto (compromisso e convergência) e afirma a lógica de disputa sistêmica até a prevalência de um lado — sem transformar o conflito em guerra armada convencional nem em projeto unilateral negociado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra Guerra Fria com frequência a partir de textos teóricos de historiadores e cientistas políticos, exigindo interpretação e não simples memorização de datas ou nomes de tratados — o candidato precisa relacionar o texto-base a seu conhecimento prévio sobre bipolaridade.
  • Generalização: em questões de interpretação de texto histórico, elimine primeiro as alternativas que empregam termos que o próprio texto nega explicitamente — aqui, "negociado", "compromisso" e "híbrido" contradizem a afirmação de que só haveria desfecho pela prevalência de um sistema.
  • Dica de eliminação rápida: risque de imediato qualquer alternativa com "negociado", "híbrido", "acordo" ou "compromisso" quando o texto-base disser que o conflito só terminaria pela "prevalência" de um lado; descarte também qualquer alternativa que descreva a Guerra Fria como confronto militar direto, pois isso contraria a própria definição do fenômeno.
  • Conexões: corrida armamentista e equilíbrio do terror (MAD); guerras por procuração (Coreia, Vietnã, Afeganistão); Doutrina Truman, Plano Marshall e Cortina de Ferro.

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