Mapa de questões · 1º dia
Questão 60 — ENEM 2016 PPL
Nem sempre é seguro colocar vírus inteiros numa vacina. Alguns são tão perigosos que os cientistas preferem usar só um de seus genes – aquele que fabrica o antígeno, proteína que é reconhecida pelas células de defesa. Uma dessas vacinas de alta tecnologia é a anti-hepatite B. Um gene do vírus é emendado ao DNA de um fungo inofensivo, que passa, então, a produzir uma substância que é injetada no corpo humano.
Vírus: guerra silenciosa. Superinteressante , n. 143, ago. 1999 (adaptado).
A função dessa substância, produzida pelo fungo, no organismo humano é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Imunologia (antígenos, anticorpos e vacinas de DNA recombinante)
- ⚡ Nível: Médio — exige entender a diferença entre "ser reconhecido" e "provocar uma resposta de defesa", e não apenas decorar o conceito de antígeno.
- 🎯 Tema/Habilidade: Resposta imune humoral e mecanismo de ação das vacinas (competência de área de Biologia — processos celulares e imunológicos aplicados à saúde).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a função, no corpo humano, da proteína (antígeno) produzida pelo fungo geneticamente modificado?"
- Palavras-chave decisivas: antígeno, reconhecida pelas células de defesa, substância injetada
- Armadilha típica: confundir a função do antígeno (estimular a defesa) com a função do anticorpo (neutralizar/combater o patógeno) — as alternativas A, B e C descrevem ações de anticorpos ou de tratamentos, não de vacinas.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que uma vacina não ataca o patógeno diretamente; ela apresenta um antígeno ao sistema imune para que o próprio organismo produza sua defesa (anticorpos e memória imunológica).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Antígeno: qualquer molécula (geralmente proteica) capaz de ser reconhecida pelo sistema imunológico e de desencadear uma resposta de defesa contra ela. No texto, é "a proteína que é reconhecida pelas células de defesa".
- Anticorpo: proteína (imunoglobulina) produzida pelos linfócitos B/plasmócitos especificamente para se ligar a um antígeno e neutralizá-lo ou marcá-lo para destruição.
- Vacina de subunidade (DNA recombinante): tecnologia em que apenas o gene do antígeno viral é inserido no DNA de um organismo seguro (fungo, bactéria ou levedura), que passa a fabricar essa proteína em grande escala e com segurança, sem produzir o vírus inteiro. É exatamente o caso da vacina contra hepatite B, feita a partir da proteína do envelope viral (HBsAg) expressa em leveduras.
- Memória imunológica: ao ser exposto ao antígeno da vacina, o organismo produz anticorpos específicos e gera linfócitos de memória, que permitem uma resposta rápida e eficaz em um contato futuro com o vírus real.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "os cientistas preferem usar só um de seus genes – aquele que fabrica o antígeno, proteína que é reconhecida pelas células de defesa" → o texto já define, explicitamente, o papel do antígeno: ser reconhecido pelo sistema imune, e não atacar diretamente nada.
- Evidência 2: "Um gene do vírus é emendado ao DNA de um fungo inofensivo, que passa, então, a produzir uma substância que é injetada no corpo humano" → a "substância" da pergunta é justamente esse antígeno recombinante — a mesma proteína descrita na primeira frase, só que agora fabricada em laboratório pelo fungo.
- Síntese: a pergunta pede a função dessa proteína injetada. Como o próprio texto afirma que ela é "reconhecida pelas células de defesa", a consequência biológica direta desse reconhecimento é o sistema imune montar uma resposta específica contra ela — ou seja, produzir anticorpos e células de memória, preparando o corpo para uma futura infecção real pelo vírus da hepatite B.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que é a "substância" mencionada
A substância produzida pelo fungo é o antígeno viral (no caso real da hepatite B, a proteína do envelope viral, HBsAg), codificado pelo único gene do vírus que foi inserido no DNA do fungo. Ela não é o vírus inteiro, não é infecciosa e não carrega o material genético completo do patógeno — é apenas o "cartão de identidade" que o sistema imune usa para reconhecer o inimigo.
Subpasso 4.2 — Rastrear o que acontece após a injeção no corpo humano
Ao ser injetada, essa proteína entra em contato com células do sistema imunológico (como macrófagos e linfócitos). Por ser reconhecida como estranha ao organismo, ela ativa a cascata de resposta imune adaptativa: linfócitos B são estimulados a se diferenciar em plasmócitos, que passam a secretar anticorpos específicos contra aquele antígeno. Paralelamente, formam-se linfócitos de memória, responsáveis pela imunização de longo prazo. Esse é o princípio funcional de toda vacina: não combater o agente infeccioso diretamente, mas ensinar o organismo a produzir sua própria defesa antes de um contato real com o vírus.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando esse raciocínio com as alternativas, apenas a opção que descreve o desencadeamento da produção de anticorpos representa corretamente o papel do antígeno vacinal. As demais descrevem ações que pertencem aos anticorpos já prontos, a antitoxinas ou a receptores celulares — nenhuma delas é a função da proteína recém-fabricada pelo fungo. Isso confirma que a resposta correta é a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) neutralizar proteínas virais.
❌ Incorreta: neutralizar proteínas virais é função dos anticorpos já formados, não do antígeno em si. O antígeno é o alvo a ser reconhecido, não o agente neutralizador — confundir os dois é o erro mais comum nessa questão.
B) interromper a ação das toxinas.
❌ Incorreta: essa descrição se aplica a soros antitoxina (como o soro antitetânico), que neutralizam toxinas já circulantes no organismo. A vacina de hepatite B não lida com toxinas, e sim com uma proteína estrutural do vírus; portanto essa função não se aplica ao caso descrito.
C) ligar-se ao patógeno já instalado.
❌ Incorreta: essa é uma ação terapêutica, típica de anticorpos (ou de um soro) combatendo uma infecção já em curso. A vacina, ao contrário, é preventiva: é aplicada antes da infecção, para preparar o organismo, e o antígeno injetado não se liga a patógeno algum, pois nenhum vírus "instalado" está presente nesse momento.
D) reconhecer substâncias estranhas.
❌ Incorreta: quem reconhece substâncias estranhas são as células e receptores do sistema imunológico (linfócitos, anticorpos de superfície, macrófagos) — não o próprio antígeno. O antígeno é o objeto reconhecido, e não o agente que reconhece; a alternativa inverte os papéis dos elementos da resposta imune.
E) desencadear a produção de anticorpos.
✅ Correta: exatamente como o texto descreve, o antígeno produzido pelo fungo é reconhecido pelas células de defesa e, a partir desse reconhecimento, estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos contra ele, além de gerar memória imunológica. É esse desencadeamento da resposta imune ativa e específica que torna a vacina eficaz na prevenção da hepatite B.
🏆 Gabarito: E — a substância produzida pelo fungo é o antígeno viral, cuja função no organismo humano é ser reconhecida pelo sistema imune e, com isso, desencadear a produção de anticorpos específicos, criando proteção contra uma futura infecção real.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa E descreve corretamente o mecanismo de ação de uma vacina de subunidade — apresentar um antígeno inofensivo para provocar, no próprio organismo, a fabricação de anticorpos e a memória imunológica, sem risco de causar a doença.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra o funcionamento de vacinas (tradicionais, de subunidade proteica e, mais recentemente, de mRNA), sempre testando se o estudante entende que a vacina estimula a resposta do próprio corpo, em vez de agir como um "remédio" que ataca o patógeno diretamente.
- Generalização: em qualquer questão sobre vacinas, pergunte-se "isso é o corpo se defendendo sozinho, ou é algo pronto atacando o agente infeccioso?" — vacina é sempre a primeira opção (estímulo à defesa própria); soro, antibiótico e anticorpo pronto são a segunda.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que descreva "atacar", "neutralizar" ou "ligar-se" a algo já existente no corpo (A, B e C) — essas são funções de produtos prontos (anticorpos/soros), nunca de um antígeno vacinal recém-introduzido; entre as duas restantes, lembre-se de que "reconhecer" é ação das células de defesa, não da proteína injetada, o que isola a alternativa E.
- Conexões: compare com questões sobre soro versus vacina (imunização passiva x ativa) e sobre vacinas de mRNA (como as da COVID-19), que usam a mesma lógica: entregar ao organismo apenas a "receita" de um antígeno para que ele monte sua própria resposta imune.
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