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HumanasHistóriaFácil

Questão 38ENEM 2016 PPL

A Segunda Revolução Industrial, no final do século XIX e início do século XX, nos EUA, período em que a eletricidade passou gradativamente a fazer parte do cotidiano das cidades e a alimentar os motores das fábricas, caracterizou-se pela administração científica do trabalho e pela produção em série.

MERLO, A. R. C.; LAPIS, N. L. A saúde e os processos de trabalho no capitalismo: reflexões na interface da psicodinâmica do trabalho e da sociologia do trabalho. Psicologia e Sociedade , n. 1, abr. 2007.

De acordo com o texto, na primeira metade do século XX, o capitalismo produziu um novo espaço geoeconômico e uma revolução que está relacionada com a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Segunda Revolução Industrial e organização científica do trabalho (Taylorismo/Fordismo)
  • ⚡ Nível: Fácil — o próprio enunciado entrega as pistas conceituais ("administração científica do trabalho" e "produção em série"), bastando reconhecer o modelo produtivo a que elas se referem
  • 🎯 Tema/Habilidade: Fordismo como paradigma de organização do trabalho na Segunda Revolução Industrial; competência de relacionar transformações técnico-científicas às mudanças nas relações de produção capitalista
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual revolução no processo produtivo do capitalismo da primeira metade do século XX corresponde às características descritas no texto (eletricidade nas fábricas, administração científica do trabalho, produção em série)?"
  • Palavras-chave decisivas: administração científica do trabalho, produção em série, primeira metade do século XX
  • Armadilha típica: confundir a Segunda Revolução Industrial (eletricidade, petróleo, EUA/Alemanha) com a Primeira Revolução Industrial (vapor, carvão, têxtil, Inglaterra do século XVIII), marcando a alternativa C por associação automática com "revolução industrial".
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que "administração científica" + "produção em série" descrevem, em conjunto, o binômio taylorismo-fordismo — divisão do trabalho em etapas fixas, repetitivas e hierarquizadas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Segunda Revolução Industrial: ocorre entre o final do século XIX e o início do XX, tendo como base energética a eletricidade e o petróleo (em vez do carvão e vapor da Primeira Revolução), com protagonismo dos Estados Unidos e da Alemanha.
  • Taylorismo (administração científica do trabalho): sistema formulado por Frederick Taylor que cronometra e padroniza cada movimento do operário, eliminando "tempos mortos" e maximizando a produtividade por meio do controle rígido do processo.
  • Fordismo: modelo criado por Henry Ford que aplica os princípios tayloristas à linha de montagem em esteira, gerando produção em massa, em série, com fragmentação das tarefas — cada trabalhador executa uma única etapa repetidamente, sob forte hierarquização entre quem planeja (gerência) e quem executa (chão de fábrica).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a eletricidade passou gradativamente a fazer parte do cotidiano das cidades e a alimentar os motores das fábricas" → situa o cenário na Segunda Revolução Industrial, cuja matriz energética elétrica substitui o vapor característico da Primeira Revolução Industrial.
  • Evidência 2: "caracterizou-se pela administração científica do trabalho e pela produção em série" → remete diretamente ao taylorismo ("administração científica") combinado à produção em série, marca registrada do fordismo.
  • Síntese: o texto descreve exatamente o cenário de nascimento do fordismo nos EUA — eletricidade + racionalização científica do trabalho + produção em massa —, o que aponta para a alternativa que trata da fragmentação e hierarquização das etapas produtivas em uma linha de montagem.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o período e o espaço geoeconômico

O enunciado situa a cena "no final do século XIX e início do século XX, nos EUA" — esse é exatamente o berço da Segunda Revolução Industrial, movida a eletricidade e petróleo, distinta da Primeira Revolução Industrial britânica (final do século XVIII), movida a carvão e vapor e concentrada, sobretudo, na indústria têxtil.

Subpasso 4.2 — Relacionar "administração científica" + "produção em série" ao fordismo

"Administração científica do trabalho" é sinônimo direto de taylorismo: cronometragem de movimentos, padronização de tarefas e busca de máxima eficiência. "Produção em série" é a marca do fordismo, implantado por Henry Ford em suas fábricas de automóveis a partir da década de 1910, com a introdução da linha de montagem em esteira rolante. O fordismo herda e amplia os princípios tayloristas: fragmenta o processo produtivo em pequenas tarefas repetitivas, distribuídas ao longo da esteira, com cada operário responsável por apenas uma etapa. Esse arranjo gera hierarquização clara — engenheiros e gerentes planejam, operários executam — e reduz drasticamente o tempo de fabricação, barateando o produto final (caso emblemático: o automóvel Ford Modelo T).

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao confrontar essa síntese com as cinco alternativas, apenas a B menciona explicitamente "técnica de produção fordista" associada à "divisão e hierarquização do trabalho", em que "cada trabalhador realizava apenas uma etapa do processo produtivo" — descrição que corresponde ponto a ponto ao que o texto-base relata sobre administração científica e produção em série.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) proliferação de pequenas e médias empresas, que se equiparam com as novas tecnologias e aumentaram a produção, com aporte do grande capital.

❌ Incorreta: o texto descreve justamente o processo oposto — concentração industrial em grandes corporações verticalizadas (como a Ford Motor Company), e não a pulverização da produção em pequenas e médias empresas equipadas por capital externo.

B) técnica de produção fordista, que instituiu a divisão e a hierarquização do trabalho, em que cada trabalhador realizava apenas uma etapa do processo produtivo.

✅ Correta: corresponde exatamente à descrição do texto-base — o fordismo aplica a administração científica do trabalho à linha de montagem, fragmentando o processo em etapas fixas, hierarquizando a organização fabril e especializando cada operário em uma única tarefa repetitiva.

C) passagem do sistema de produção artesanal para o sistema de produção fabril, concentrando-se, principalmente, na produção têxtil destinada ao mercado interno.

❌ Incorreta: descreve a transição do artesanato para a manufatura fabril, fenômeno típico da Primeira Revolução Industrial (Inglaterra, século XVIII, indústria têxtil), e não da Segunda Revolução Industrial estadunidense relatada no texto.

D) independência política das nações colonizadas, que permitiu igualdade nas relações econômicas entre os países produtores de matérias-primas e os países industrializados.

❌ Incorreta: trata de descolonização política, processo majoritariamente do século XX pós-1945, sem relação com o método de organização produtiva descrito no texto; além disso, a "igualdade" nas relações econômicas entre ex-colônias e países industrializados nunca se efetivou de fato, permanecendo desigualdades estruturais.

E) constituição de uma classe de assalariados, que possuíam como fonte de subsistência a venda de sua força de trabalho e que lutavam pela melhoria das condições de trabalho nas fábricas.

❌ Incorreta: descreve a formação do proletariado industrial, processo que remonta à Primeira Revolução Industrial (séculos XVIII-XIX) e às lutas sindicais que a acompanharam; o texto, porém, enfatiza o método de organização técnica da produção (administração científica + produção em série), não a formação de uma classe social.

🏆 Gabarito: B — o texto descreve com precisão os dois pilares do fordismo (administração científica do trabalho e produção em série), tornando a alternativa B a única compatível com o recorte histórico apresentado.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B reproduz com exatidão os dois elementos citados no texto — administração científica do trabalho (taylorismo) e produção em série (fordismo) —, unidos na hierarquização e fragmentação das tarefas em etapas.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a distinção entre Primeira e Segunda Revolução Industrial e, dentro desta última, o par taylorismo/fordismo como resposta do capitalismo industrial monopolista à necessidade de aumentar produtividade e reduzir custos.
  • Generalização: sempre que o enunciado combinar "eletricidade + EUA + fins do século XIX/início do XX + racionalização do trabalho", a resposta gravita em torno de taylorismo/fordismo, e não da Revolução Industrial clássica inglesa do século XVIII.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas que mencionem "artesanato", "pequenas empresas" ou "independência política de colônias" — são anacronismos ou remetem a outro recorte histórico, incompatíveis com o cenário descrito no texto.
  • Conexões: toyotismo (modelo japonês pós-fordista, de produção flexível e "just in time") e a crise de 1929, que expôs os limites do modelo fordista de superprodução e consumo em massa, levando ao New Deal e ao fortalecimento do Estado de Bem-Estar Social.

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