Mapa de questões · 1º dia
Questão 67 — ENEM 2016 PPL
Após a germinação, normalmente, os tomates produzem uma proteína que os faz amolecer depois de colhidos. Os cientistas introduziram, em um tomateiro, um gene antissentido (imagem espelho do gene natural) àquele que codifica a enzima “amolecedora”. O novo gene antissentido bloqueou a síntese da proteína amolecedora.
SIZER, F.; WHITNEY, E. Nutrição : conceitos e controvérsias. Barueri: Manole, 2002 (adaptado).
Um benefício ao se obter o tomate transgênico foi o fato de o processo biotecnológico ter
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Biotecnologia (engenharia genética, transgenia, tecnologia do DNA recombinante)
- ⚡ Nível: Médio — exige articular o mecanismo do gene antissentido com a consequência fenotípica descrita no texto, sem apelar para decoreba.
- 🎯 Tema/Habilidade: Tecnologias de manipulação genética aplicadas à agricultura (Competência de Área 2 e Habilidade H9 da matriz do ENEM — compreender aplicações biotecnológicas e seus impactos)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual foi o benefício prático obtido ao inserir o gene antissentido no tomateiro?"
- Palavras-chave decisivas: gene antissentido, bloqueou a síntese, proteína amolecedora
- Armadilha típica: confundir "bloqueio da síntese de uma proteína" com "resistência a pragas" ou com "produção de uma nova proteína protetora" — o texto não fala em defesa contra insetos nem em nova proteína funcional, apenas em ausência de uma proteína.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a técnica não criou nada novo com função protetora; ela silenciou um gene já existente, e o benefício vem exatamente dessa ausência.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Gene antissentido: é uma sequência de DNA construída como a "imagem espelho" (complementar) de um gene natural. Quando transcrito, o RNA antissentido pareia com o RNA mensageiro (mRNA) do gene original, formando uma fita dupla que a célula não consegue traduzir em proteína — a expressão do gene alvo é silenciada.
- Poligalacturonase (a "proteína amolecedora"): enzima produzida naturalmente pelo tomateiro após a germinação e, principalmente, durante o amadurecimento do fruto. Ela degrada a pectina da parede celular, o que amolece a polpa e acelera o apodrecimento pós-colheita.
- Transgenia e biotecnologia agrícola: consiste em alterar deliberadamente o genoma de um organismo (inserindo, removendo ou silenciando genes) para obter uma característica de interesse comercial ou agronômico — no caso, retardar o amadurecimento excessivo do fruto.
- Silenciamento gênico vs. ganho de função: é essencial diferenciar tecnologias que "desligam" um gene existente (como o antissentido) daquelas que introduzem uma proteína nova com função extra (como toxinas inseticidas em milho Bt). O tomate da questão pertence à primeira categoria.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "os tomates produzem uma proteína que os faz amolecer depois de colhidos" → identifica a proteína-alvo e sua função: promover o amolecimento pós-colheita.
- Evidência 2: "o novo gene antissentido bloqueou a síntese da proteína amolecedora" → confirma que o resultado da engenharia genética foi a ausência (não a substituição, nem o reforço) dessa proteína específica.
- Síntese: se a proteína que causa o amolecimento deixou de ser sintetizada, o fruto amadurece mais lentamente e permanece firme por mais tempo após a colheita — esse é o encadeamento lógico que leva direto à alternativa correta, sem margem para interpretações sobre pragas, germinação ou "novas proteínas protetoras".
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar o que a técnica realmente fez
O enunciado é claro: o gene antissentido bloqueou a síntese da proteína amolecedora. Isso significa que o tomateiro transgênico não ganhou uma proteína nova com função de defesa, nem alterou a proteína original quimicamente — ele simplesmente deixou de produzir a enzima que degrada a parede celular da polpa (a poligalacturonase, no caso real do tomate Flavr Savr, primeiro alimento transgênico comercializado, em 1994).
Subpasso 4.2 — Traduzir a ausência da proteína em consequência prática
Sem a enzima amolecedora atuando, a parede celular do fruto se degrada muito mais devagar. Na prática agrícola e comercial, isso se traduz em: tomate que resiste mais tempo firme na prateleira, suporta melhor o transporte e demora mais para apodrecer — ou seja, tem vida útil (shelf life) prolongada. Esse é exatamente o benefício buscado pela indústria ao desenvolver essa tecnologia: reduzir perdas pós-colheita.
Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas
Comparando esse raciocínio com as cinco opções, apenas a alternativa E traduz corretamente a relação de causa e efeito: "prolongado o tempo de vida do tomate, pela falta da proteína que o amolece". A expressão "pela falta" reproduz com exatidão o mecanismo descrito no texto-base (bloqueio da síntese), fechando o ciclo lógico entre a técnica (gene antissentido) e o benefício obtido (durabilidade maior).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) aumentado a coleção de proteínas que o protegem do apodrecimento, pela produção da proteína antissentido.
❌ Incorreta: o gene antissentido não gera uma proteína protetora funcional acumulada no fruto; seu papel é parear com o mRNA do gene alvo e impedir a tradução dele. O benefício vem de uma proteína deixar de existir, não de uma nova proteína protetora ser produzida e acumulada.
B) diminuído a necessidade do controle das pragas, pela maior resistência conferida pela nova proteína.
❌ Incorreta: o texto não menciona insetos, patógenos ou pragas em nenhum momento. Essa alternativa confunde a tecnologia do tomate com outras transgenias (como o milho Bt, que expressa toxina inseticida) — trata-se de um erro de generalização indevida entre diferentes aplicações biotecnológicas.
C) facilitado a germinação das sementes, pela falta da proteína que o leva a amolecer.
❌ Incorreta: a proteína amolecedora atua após a colheita do fruto maduro, degradando a pectina da polpa — ela não tem relação com o processo de germinação da semente, que ocorre em etapa completamente distinta do ciclo de vida da planta.
D) substituído a proteína amolecedora por uma invertida, que endurece o tomate.
❌ Incorreta: não houve substituição por uma "proteína invertida". O gene antissentido é a imagem espelho da sequência de DNA, usada para bloquear a expressão do gene original — ele não é traduzido em uma proteína funcional que endurece o fruto; o resultado é ausência de amolecimento, não endurecimento ativo por nova proteína.
E) prolongado o tempo de vida do tomate, pela falta da proteína que o amolece.
✅ Correta: reproduz com precisão o mecanismo do texto — o bloqueio da síntese da proteína amolecedora retarda a degradação da parede celular, mantendo o fruto firme por mais tempo e prolongando sua vida útil pós-colheita.
🏆 Gabarito: E — o silenciamento do gene que codifica a proteína amolecedora, via gene antissentido, elimina a causa do amolecimento rápido, prolongando o tempo de conservação do tomate após a colheita.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra E é a única que descreve corretamente a relação causal apresentada no texto: ausência da proteína amolecedora → maior durabilidade do fruto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre biotecnologia (transgenia, clonagem, terapia gênica, CRISPR) pedindo que o candidato interprete um mecanismo molecular descrito em linguagem acessível e o conecte a uma consequência prática — a resposta quase sempre está na leitura atenta do próprio texto, não em conhecimento decorado.
- Generalização: sempre que a questão descrever o "silenciamento" ou "bloqueio" de um gene, a alternativa correta tende a falar em ausência ou falta de uma característica/proteína, e não em "substituição" ou "criação de algo novo".
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que mencione elementos não citados no texto (pragas, germinação, novas proteínas de defesa) — o enunciado fala apenas em uma proteína e seu bloqueio; alternativas que extrapolam esse escopo quase sempre estão erradas.
- Conexões: o mesmo raciocínio de "silenciamento gênico" aparece em questões sobre RNA interferente (RNAi), terapia gênica e técnicas de edição como CRISPR-Cas9, todas explorando a lógica de desligar ou ativar genes específicos para obter um fenótipo desejado.
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