Mapa de questões · 1º dia
Questão 50 — ENEM 2016 PPL
Em uma floresta existiam duas populações herbívoras que habitavam o mesmo ambiente. A população da espécie X mostrava um grande número de indivíduos, enquanto a população Z era pequena. Ambas tinham hábitos ecológicos semelhantes. Com a intervenção humana, ocorreu fragmentação da floresta em duas porções, o que separou as populações X e Z. Após algum tempo, observou-se que a população X manteve sua taxa populacional, enquanto a população Z aumentou a sua até que ambas passaram a ter, aproximadamente, a mesma quantidade de indivíduos.
A relação ecológica entre as espécies X e Z, quando no mesmo ambiente, é de:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (relações interespecíficas desarmônicas)
- ⚡ Nível: Médio — não basta decorar nomes de relações ecológicas: é preciso interpretar um "experimento natural" (fragmentação de habitat) e deduzir a relação a partir do comportamento populacional resultante.
- 🎯 Tema/Habilidade: Relações ecológicas entre populações e dinâmica de nicho ecológico (competência de interpretar interações entre organismos e ambiente).
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que relação ecológica existia entre X e Z antes da fragmentação, sabendo que a separação física fez a população pequena (Z) crescer até igualar a grande (X)?"
- Palavras-chave decisivas: hábitos ecológicos semelhantes, fragmentação... separou as populações, Z aumentou... até... a mesma quantidade
- Armadilha típica: confundir com predação (achar que X "controlava" Z como predador) ou com protocooperação, só por dividirem o mesmo ambiente sem conflito aparente no texto.
- O que a resposta precisa demonstrar: que duas populações do mesmo nível trófico, com nicho parecido, disputavam o mesmo recurso limitado — e que o crescimento de Z após a separação revela que essa disputa vinha sendo perdida por Z.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Nicho ecológico: conjunto de recursos e condições (alimento, espaço, horário de atividade) que uma espécie explora. Espécies com nichos muito parecidos tendem a disputar os mesmos recursos.
- Competição interespecífica: relação desarmônica entre espécies diferentes que exploram o mesmo recurso escasso; prejudica as duas populações de forma desigual — a menos eficiente na disputa cresce menos ou é suprimida.
- Princípio da Exclusão Competitiva (Gause): duas espécies com nicho idêntico não coexistem indefinidamente; uma delas é excluída, tem a população reduzida ou é forçada a deslocar seu nicho.
- Contraponto: predação e parasitismo envolvem espécies de níveis tróficos diferentes; comensalismo e protocooperação são relações neutras/positivas. Nenhuma delas explica por que separar dois herbívoros faria um crescer até igualar o outro.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "duas populações herbívoras... hábitos ecológicos semelhantes" → mesmo nível trófico e nicho parecido, condição necessária para disputa direta pelo mesmo recurso.
- Evidência 2: "fragmentação da floresta... separou as populações X e Z" → cessa o contato físico e qualquer interação direta entre elas.
- Evidência 3: "X manteve sua taxa... Z aumentou... até... a mesma quantidade" → isolada de X, a população antes menor (Z) cresce livremente até ocupar a capacidade de suporte do fragmento.
- Síntese: "a população pequena cresce até igualar a grande assim que separadas" é a assinatura clássica de competição sendo removida — X levava vantagem na disputa pelo recurso comum, suprimindo Z; sem X, Z se expande até seu próprio limite.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a natureza trófica dos organismos envolvidos
O enunciado é explícito: X e Z são "populações herbívoras" com "hábitos ecológicos semelhantes". Ambas ocupam o mesmo nível trófico (consumidores primários) e exploram recursos alimentares/espaciais parecidos — provavelmente o mesmo tipo de vegetação e área de forrageamento. Isso já descarta relações entre níveis tróficos diferentes, como predação e parasitismo.
Subpasso 4.2 — Interpretar o efeito da fragmentação como um experimento natural
A fragmentação funcionou, na prática, como um experimento que isolou as duas populações, eliminando qualquer interação direta entre elas. O resultado — X mantém sua taxa (não foi afetada pela ausência de Z) e Z cresce até igualar X — mostra que a presença de X limitava o crescimento de Z quando conviviam. Essa limitação recíproca por disputa de recurso compartilhado é a definição operacional de competição interespecífica: X, mais eficiente na exploração do recurso comum, mantinha Z abaixo de sua capacidade de suporte potencial.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação lógica
Se fosse predação, seria incoerente descrever ambas como "herbívoras" de "hábitos semelhantes". Se fosse parasitismo, a separação eliminaria a fonte de recurso do parasita e reduziria sua população, não a igualaria à do hospedeiro. Se fosse comensalismo ou protocooperação (relações harmônicas), a separação tenderia a prejudicar, não beneficiar, a espécie associada. Só a competição explica o padrão: a espécie antes "perdedora" da disputa (Z) se recupera quando o concorrente (X) é removido. Confirmado: Competição, alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Predação.
❌ Incorreta: predação pressupõe uma espécie se alimentando de indivíduos da outra (predador–presa), incompatível com duas populações descritas como herbívoras de hábitos semelhantes. Separar um predador de sua presa reduziria a população do predador — não igualaria as duas por disputa de recurso comum.
B) Parasitismo.
❌ Incorreta: exige dependência biológica direta, com o parasita retirando recursos do hospedeiro por contato — incompatível com duas populações herbívoras livres competindo por vegetação. A separação reduziria a população do parasita, não a igualaria à do hospedeiro.
C) Competição.
✅ Correta: X e Z, herbívoros de nicho semelhante, disputavam os mesmos recursos (alimento e espaço) enquanto coexistiam; X levava vantagem nessa disputa, suprimindo o crescimento de Z. Separadas pela fragmentação, cessou a disputa direta, e Z cresceu livremente até atingir a capacidade de suporte do fragmento, equiparando-se a X.
D) Comensalismo.
❌ Incorreta: nessa relação uma espécie se beneficia e a outra é neutra, sem prejuízo. Sem prejuízo algum para Z na convivência com X, não haveria "alívio de pressão" a explicar o crescimento expressivo de Z.
E) Protocooperação.
❌ Incorreta: relação harmônica facultativa em que ambas se beneficiam do convívio. Se fosse o caso, a separação deveria prejudicar as duas populações, não permitir que uma crescesse até igualar a outra.
🏆 Gabarito: C — A igualdade populacional observada após a fragmentação evidencia que a espécie X limitava o crescimento da espécie Z por disputa de recursos compartilhados: trata-se de competição interespecífica.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a competição interespecífica explica que a separação física — e não a interação em si — permita a uma população antes menor crescer até igualar a outra; é a "liberação" de uma pressão negativa mútua por recurso disputado.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma descrever "experimentos naturais" (fragmentação de habitat, introdução de espécie exótica, remoção de um competidor ou predador) e pedir que o aluno infira a relação ecológica pelo padrão populacional resultante, sem nomear a relação diretamente no texto.
- Generalização: sempre que duas populações do mesmo nível trófico, com nicho parecido, disputam um recurso limitado, e a interrupção do contato faz uma delas "liberar" crescimento populacional, a relação é competição interespecífica — aplicação direta do Princípio da Exclusão Competitiva de Gause.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as relações entre níveis tróficos diferentes (predação, parasitismo) sempre que o enunciado disser "populações herbívoras" ou "hábitos semelhantes"; depois elimine as relações harmônicas (comensalismo, protocooperação) sempre que a separação física beneficiar, e não prejudicar, uma das populações — em relações harmônicas, separar sempre prejudica quem se beneficiava do convívio.
- Conexões: Princípio da Exclusão Competitiva de Gause; conceito de nicho ecológico (nicho fundamental x nicho realizado); sucessão ecológica e efeitos da fragmentação de habitats sobre a biodiversidade.
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