Mapa de questões · 1º dia
Questão 79 — ENEM 2016 PPL
Durante a formação de uma tempestade, são observadas várias descargas elétricas, os raios, que podem ocorrer: das nuvens para o solo (descarga descendente), do solo para as nuvens (descarga ascendente) ou entre uma nuvem e outra. As descargas ascendentes e descendentes podem ocorrer por causa do acúmulo de cargas elétricas positivas ou negativas, que induz uma polarização oposta no solo.
Essas descargas elétricas ocorrem devido ao aumento da intensidade do(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Eletrostática (campo elétrico e ruptura dielétrica do ar)
- ⚡ Nível: Médio — não exige cálculo, mas cobra diferenciação conceitual precisa entre campo elétrico, corrente elétrica, resistividade e força eletromotriz.
- 🎯 Tema/Habilidade: Formação de raios a partir do campo elétrico gerado pelo acúmulo de cargas nas nuvens (Competência de área 5 — fenômenos eletromagnéticos e suas aplicações).
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual grandeza física, ao crescer em intensidade, é a causa direta das descargas elétricas (raios) entre nuvens e solo?"
- Palavras-chave decisivas: acúmulo de cargas, polarização oposta, aumento da intensidade
- Armadilha típica: confundir a causa do raio (o campo elétrico que se intensifica antes da descarga) com sua consequência (a corrente elétrica que só passa a existir depois que o ar se torna condutor).
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a separação de cargas cria uma diferença de potencial entre duas regiões — logo, um campo elétrico — e que esse campo, ao ultrapassar um valor crítico, rompe a rigidez dielétrica do ar e provoca a descarga.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Campo elétrico: grandeza vetorial que descreve a força por unidade de carga em uma região do espaço; surge sempre que existem cargas de sinais opostos separadas por uma distância, como ocorre entre a base da nuvem e o solo.
- Rigidez dielétrica do ar: valor máximo de campo elétrico que o ar suporta sem se tornar condutor (da ordem de 3×10⁶ V/m em condições normais, mas bem menor dentro de uma tempestade, por causa da umidade e da turbulência). Acima desse limite, o ar se ioniza.
- Indução eletrostática: processo pelo qual uma carga (a base da nuvem) induz cargas de sinal oposto em um corpo próximo (o solo), como o próprio enunciado descreve ao dizer que o acúmulo de cargas "induz uma polarização oposta no solo".
- Corrente elétrica: fluxo ordenado de cargas que só se estabelece depois que um canal ionizado (condutor) já existe entre a nuvem e o solo — é efeito do raio, não sua causa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "acúmulo de cargas elétricas positivas ou negativas" → mostra que, dentro da nuvem, o atrito entre cristais de gelo e gotículas de água, movimentados por correntes de ar ascendentes e descendentes, separa cargas: a base da nuvem tende a concentrar carga negativa e o topo, carga positiva.
- Evidência 2: "que induz uma polarização oposta no solo" → confirma que existe uma diferença de potencial entre nuvem e solo, ou seja, um campo elétrico atuando na região entre eles, com o solo adquirindo carga induzida de sinal contrário ao da base da nuvem.
- Síntese: o texto descreve, passo a passo, exatamente o mecanismo de formação de um campo elétrico cada vez mais intenso entre a nuvem e a superfície terrestre. É esse campo, ao superar a rigidez dielétrica do ar, que desencadeia a descarga — o raio.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Origem da separação de cargas
Dentro da nuvem de tempestade (cumulonimbo), colisões entre partículas de gelo e gotículas de água, impulsionadas por fortes correntes de ar, separam cargas elétricas: íons negativos tendem a se acumular na base da nuvem, enquanto cargas positivas se concentram no topo. Esse processo é justamente o "acúmulo de cargas elétricas positivas ou negativas" citado no enunciado.
Subpasso 4.2 — Formação e crescimento do campo elétrico
A base negativa da nuvem induz, por indução eletrostática, um excesso de cargas positivas na superfície do solo logo abaixo — a "polarização oposta no solo". Com isso, formam-se duas regiões de cargas opostas (nuvem e solo) separadas por uma distância d, o que configura um campo elétrico entre elas, de módulo aproximado E = ΔV/d. À medida que mais cargas se acumulam na nuvem, a diferença de potencial ΔV cresce e, consequentemente, a intensidade do campo elétrico E também aumenta continuamente.
Subpasso 4.3 — Ruptura dielétrica e disparo da descarga
Quando esse campo elétrico ultrapassa a rigidez dielétrica do ar, os elétrons livres presentes no ar são acelerados com energia suficiente para arrancar outros elétrons de moléculas vizinhas, gerando uma avalanche de ionização. Forma-se, assim, um canal de ar ionizado (plasma) altamente condutor — o chamado "líder escalonado". É somente por esse canal já ionizado que a corrente elétrica passa a fluir, caracterizando o raio propriamente dito, que pode ser descendente (nuvem → solo), ascendente (solo → nuvem) ou ocorrer entre nuvens vizinhas.
Subpasso 4.4 — Verificação
O enunciado afirma que as descargas ocorrem "por causa do acúmulo de cargas elétricas... que induz uma polarização oposta no solo". Esse acúmulo progressivo é exatamente o que faz crescer o campo elétrico entre nuvem e solo até atingir o valor de ruptura do ar. Logo, a grandeza cuja intensidade aumenta e desencadeia diretamente a descarga é o campo elétrico, e não corrente, magnetismo, resistividade ou força eletromotriz.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) campo magnético da Terra.
❌ Incorreta: o campo magnético terrestre é praticamente constante e não tem relação com o acúmulo de cargas nas nuvens. Um campo magnético só surge como efeito indireto da corrente elétrica que passa a existir durante o raio — é consequência, não causa da descarga.
B) corrente elétrica gerada dentro das nuvens.
❌ Incorreta: a corrente é o resultado do raio, o fluxo de cargas que só existe depois que o canal de ar ionizado já se formou. Não há uma corrente "aumentando" antes da descarga — o que aumenta antes é o campo elétrico; a corrente é praticamente instantânea e ocorre só no momento da ruptura.
C) resistividade elétrica do ar entre as nuvens e o solo.
❌ Incorreta: o raciocínio está invertido. Para o raio ocorrer, a resistividade do ar precisa diminuir — é a ionização que transforma o ar isolante em condutor. Um aumento de resistividade dificultaria a passagem de corrente e impediria a descarga, não a causaria.
D) campo elétrico entre as nuvens e a superfície da Terra.
✅ Correta: é o crescimento contínuo do campo elétrico — gerado pelo acúmulo de cargas na base da nuvem e pela polarização induzida no solo — que, ao ultrapassar a rigidez dielétrica do ar, ioniza o meio e desencadeia a descarga elétrica.
E) força eletromotriz induzida nas cargas acumuladas no solo.
❌ Incorreta: força eletromotriz (fem) é a grandeza associada a fontes que mantêm diferença de potencial em um circuito fechado, como pilhas ou geradores. A polarização do solo é um fenômeno de indução eletrostática, que se traduz em campo elétrico, não em fem de circuito.
🏆 Gabarito: D — o aumento do campo elétrico entre nuvens e solo, resultante do acúmulo de cargas opostas, é a causa direta da ruptura dielétrica do ar e da consequente descarga elétrica.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco grandezas citadas, apenas o campo elétrico é a causa física que aumenta progressivamente até provocar a ionização do ar; todas as demais alternativas descrevem efeitos posteriores ao raio ou conceitos aplicáveis a circuitos elétricos fechados, não a fenômenos atmosféricos de indução.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma explorar a eletrostática por meio de fenômenos naturais e tecnológicos do cotidiano — raios, para-raios, gaiola de Faraday, eletrização por atrito/indução — sempre testando se o candidato distingue causa (campo elétrico, diferença de potencial) de efeito (corrente, ionização, luminosidade).
- Generalização: sempre que um enunciado descrever acúmulo ou separação de cargas gerando polarização induzida em outro corpo, a grandeza física central da situação é o campo elétrico entre essas cargas.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara o campo magnético (não há corrente antes do raio para gerá-lo) e a resistividade (ela precisaria diminuir, não aumentar, para permitir a descarga); entre as três restantes, lembre que corrente e força eletromotriz são efeitos de circuito que só aparecem depois da ruptura do ar — sobra o campo elétrico como única causa coerente.
- Conexões: o mesmo modelo de campo elétrico entre placas com cargas opostas (E = ΔV/d) aparece em capacitores de placas paralelas; o funcionamento do para-raios, por sua vez, explora o poder das pontas para escoar cargas e reduzir localmente a intensidade desse campo.
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