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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaDifícil

Questão 20ENEM 2016 PPL

OITICICA, H. Parangolé . Disponível em: www.muhka.be. Acesso em: 23 maio 2012.

Inspirada em fantasias de Carnaval, a arte apresentada se opunha à concepção de patrimônio vigente nas décadas de 1960 e 1970 na medida em que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Arte brasileira contemporânea (neoconcretismo e arte participativa), em diálogo com História (ditadura militar pós-1964)
  • ⚡ Nível: Difícil — exige reconhecer a obra de Hélio Oiticica e articulá-la ao conceito histórico de "patrimônio"
  • 🎯 Tema/Habilidade: Arte participativa e crítica social no Brasil dos anos 1960-70 (Hélio Oiticica e os Parangolés) — relacionar manifestações artísticas ao seu contexto sociocultural
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Explique por que a obra retratada contrariava a concepção de patrimônio cultural vigente nas décadas de 1960-70."
  • Palavras-chave decisivas: se opunha, concepção de patrimônio vigente, décadas de 1960 e 1970
  • Armadilha típica: achar que basta "citar cultura popular" para acertar — quase todas as alternativas mencionam isso. O ponto de ruptura real está na efemeridade e na função de protesto da obra.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que patrimônio, nos anos 1960-70, era sinônimo de bens permanentes, tombados e institucionalizados — e que a obra rompe justamente com essa permanência.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Patrimônio (décadas de 1960-70): bens materiais duradouros — monumentos, edifícios históricos, obras eruditas — preservados por instituições oficiais (museus, IPHAN), com valor consagrado e permanente.
  • Neoconcretismo e arte participativa: movimento brasileiro (fim dos anos 1950/1960) que rompe com a arte-objeto contemplativa e propõe obras que só se completam pela ação do espectador. Hélio Oiticica é seu nome mais conhecido.
  • Parangolés: capas e tendas criadas por Oiticica desde 1964, feitas de tecido, plástico e juta, com frases-manifesto escritas à mão ("Incorporo a revolta"), concebidas em diálogo com moradores do morro da Mangueira. A obra só existe quando vestida e dançada — arte efêmera que dialogava com a censura pós-golpe de 1964 como gesto de resistência.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem): homem em ambiente de morro carioca veste uma capa de tecido/juta com a frase manuscrita "Incorporo a revolta" → fusão entre corpo, materiais humildes e mensagem política explícita.
  • Evidência 2 (enunciado): "Inspirada em fantasias de Carnaval" → a matéria-prima é uma expressão genuína da cultura popular — a fantasia artesanal e coletiva —, não a tradição da pintura ou escultura eruditas.
  • Evidência 3 (enunciado): "se opunha à concepção de patrimônio vigente" → a resposta precisa explicar POR QUE isso rompe com a lógica de permanência e institucionalização, não apenas apontar o uso do popular.
  • Síntese: a obra parte do carnaval e da vivência do morro, mas os transforma em objeto vestível e dançante, sem forma fixa nem destino de preservação, carregado de mensagem de revolta — origem popular + efemeridade + protesto é o que a opõe ao patrimônio tradicional.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a obra e o artista

A imagem reproduz um Parangolé de Hélio Oiticica, com a inscrição "Incorporo a revolta" — um dos trabalhos mais emblemáticos da arte participativa brasileira dos anos 1960, no qual Oiticica convidava moradores de comunidades cariocas, sobretudo da Mangueira, a vestir e dançar as peças, tornando-os coautores da obra.

Subpasso 4.2 — Relacionar a obra ao "patrimônio vigente"

O Parangolé nega o modelo tradicional de patrimônio em três frentes simultâneas: (1) usa materiais pobres e perecíveis — juta, tecido cru — em vez de mármore, bronze ou tela; (2) só existe como acontecimento, dependente do corpo em movimento, sem forma fixa passível de tombamento; (3) nasce do diálogo com a cultura popular e periférica (carnaval, morro, samba), não da tradição artística consagrada.

Subpasso 4.3 — Verificação

A frase escrita na capa confirma intenção política declarada, coerente com o clima de repressão do regime militar instaurado em 1964. Entre as alternativas, apenas uma reúne simultaneamente os três elementos identificados: apropriação da cultura popular, caráter efêmero e finalidade de protesto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) se apropriava das expressões da cultura popular para produzir uma arte efêmera destinada ao protesto.

✅ Correta: sintetiza os três pilares da obra — matéria-prima popular (carnaval, morro, materiais humildes), efemeridade (existe só no gesto de vestir/dançar) e protesto explícito ("incorporo a revolta"). É esse conjunto que rompe com a ideia de patrimônio como bem permanente e institucionalizado.

B) resgatava símbolos ameríndios e africanos para se adaptar a exposições em espaços públicos.

❌ Incorreta: o Parangolé não se organiza em torno de símbolos ameríndios e africanos codificados, mas de referências ao carnaval e à vivência de comunidades cariocas; e a obra não "se adapta" a exposições — ela recusa o espaço expositivo convencional, existindo apenas no corpo, na rua, no morro.

C) absorvia elementos gráficos da propaganda para criar objetos comercializáveis pelas galerias.

❌ Incorreta: inverte o sentido da obra. O Parangolé é anticomercial por concepção, feito de materiais baratos, sem intenção de circular no mercado via galerias; não há elementos de propaganda em sua composição, e sim escrita manual de cunho poético-político.

D) valorizava elementos da arte popular para construir representações da identidade brasileira.

❌ Incorreta: há valorização de elementos populares, mas a finalidade apontada — "construir identidade brasileira" — é mais próxima do projeto do Modernismo da Semana de 22. O propósito do Parangolé, evidenciado pela inscrição na peça, é o protesto e a revolta social; a alternativa ainda ignora o traço decisivo da efemeridade.

E) incorporava elementos da cultura de massa para atender às exigências dos museus.

❌ Incorreta: dupla inversão — não são elementos de cultura de massa (mídia, consumo industrial), e sim de cultura popular e comunitária; e a obra jamais foi concebida para atender exigências de museus, ao contrário, desafiava a lógica museológica de objeto fixo e contemplativo.

🏆 Gabarito: A — o Parangolé se apropria de referências da cultura popular (carnaval, morro, materiais humildes) para produzir uma peça efêmera, que só existe no gesto de vestir e dançar, com finalidade declarada de protesto — contrariando frontalmente a noção de patrimônio como bem permanente e institucionalizado.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A combina os três critérios exigidos — origem na cultura popular, efemeridade e intenção de protesto — que juntos explicam a oposição da obra ao conceito de patrimônio.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra manifestações de arte brasileira do século XX (Semana de 22, neoconcretismo, tropicália, arte de rua) associadas ao seu contexto político-social.
  • Generalização: em questões de arte contextualizada, observe a tríade material/técnica, forma de existência/circulação e intenção/mensagem; a alternativa correta costuma amarrar os três aspectos.
  • Dica de eliminação rápida: elimine as alternativas que colocam a obra a serviço do mercado ou de instituições ("comercializáveis pelas galerias", "exigências dos museus") — Oiticica é conhecido por romper com esses circuitos.
  • Conexões: Tropicália (Caetano Veloso e Gilberto Gil dialogaram com Oiticica); movimento neoconcreto (Lygia Clark, Lygia Pape) e a crítica ao objeto de arte tradicional como bem contemplativo e permanente.

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