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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 76ENEM 2016 PPL

Combustíveis automotivos têm sido adulterados pela adição de substâncias ou materiais de baixo valor comercial. Esse tipo de contravenção pode danificar os motores, aumentar o consumo de combustível e prejudicar o meio ambiente. Vários testes laboratoriais podem ser utilizados para identificar se um combustível está ou não adulterado. A legislação brasileira estabelece que o diesel, obtido do petróleo, contenha certa quantidade de biodiesel. O quadro apresenta valores de quatro propriedades do diesel, do biodiesel e do óleo vegetal, um material comumente utilizado como adulterante.

Com base nas informações apresentadas no quadro, quais são as duas propriedades que podem ser empregadas tecnicamente para verificar se uma amostra de diesel comercial está ou não adulterada com óleo vegetal?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Propriedades físico-químicas da matéria (densidade, viscosidade, poder calorífico, teor de enxofre) aplicadas ao controle de qualidade de combustíveis
  • ⚡ Nível: Médio — exige comparar quatro grandezas entre três substâncias e perceber que o teste precisa distinguir adulteração ilegal de um componente já obrigatório por lei
  • 🎯 Tema/Habilidade: Biocombustíveis, adulteração de combustíveis e uso de propriedades físicas como critério técnico de controle de qualidade (Química Ambiental/Tecnológica)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Entre densidade, poder calorífico, viscosidade e teor de enxofre, qual dupla comprova tecnicamente que o diesel foi adulterado com óleo vegetal?"
  • Palavras-chave decisivas: tecnicamente, adulterada, duas propriedades
  • Armadilha típica: escolher uma propriedade só porque o óleo vegetal "parece diferente" do diesel puro, esquecendo que o diesel comercial já contém biodiesel por lei. Se a propriedade variar de forma parecida com a presença legal de biodiesel, o teste vira ambíguo e não prova adulteração nenhuma.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de cruzar as quatro linhas do quadro entre as três substâncias e achar em quais grandezas o óleo vegetal se destaca claramente do diesel E do biodiesel — não só do diesel.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Densidade: massa por volume; reflete o "empacotamento" molecular — triglicerídeos do óleo vegetal são mais densos que os hidrocarbonetos do diesel.
  • Viscosidade: resistência do fluido ao escoamento; cresce com o tamanho das moléculas — triglicerídeos escoam com muito mais dificuldade que hidrocarbonetos.
  • Poder calorífico: energia liberada na combustão por unidade de volume; depende da proporção C/H disponível para oxidar.
  • Teor de enxofre: heterocompostos sulfurados vêm do petróleo bruto; combustíveis vegetais (biodiesel e óleo vegetal) praticamente não têm enxofre.
  • Biodiesel como variável de controle: a lei obriga um percentual de biodiesel no diesel comercial, então qualquer teste de adulteração precisa separar o que é efeito esperado do biodiesel do que é efeito anômalo do adulterante.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a legislação brasileira estabelece que o diesel... contenha certa quantidade de biodiesel" → o diesel comercial nunca é 100% petróleo; o teste de adulteração não pode confundir a cota legal de biodiesel com fraude por óleo vegetal.
  • Evidência 2 (quadro): Densidade (g/cm³) Diesel 0,884 | Biodiesel 0,880 | Óleo vegetal 0,922. Poder calorífico (MJ/L) Diesel 38,3 | Biodiesel 33,3 | Óleo vegetal 36,9. Viscosidade (mm²/s) Diesel 3,9 | Biodiesel 4,7 | Óleo vegetal 37,0. Teor de enxofre (%) Diesel 1,3 | Biodiesel < 0,001 | Óleo vegetal < 0,001.
  • Síntese: a propriedade tecnicamente útil é aquela em que o óleo vegetal se afasta MUITO tanto do diesel quanto do biodiesel — só assim um desvio na amostra pode ser atribuído com segurança ao adulterante, e não à cota legal de biodiesel.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Comparar par a par

Para cada propriedade, calcula-se: (i) diferença diesel–biodiesel (variação natural e legal) e (ii) diferença diesel–óleo vegetal (possível sinal de fraude). Se (ii) for bem maior que (i), a propriedade é um teste confiável.

Subpasso 4.2 — Testar cada propriedade

Densidade: diesel–biodiesel = 0,884 − 0,880 = 0,004 g/cm³ (≈ 0,5%, variação legal pequena). Diesel–óleo vegetal = 0,922 − 0,884 = 0,038 g/cm³ (≈ 4,3%), quase 10× maior. Um aumento perceptível de densidade não se explica pelo biodiesel — só o óleo vegetal justifica. ✔ Útil.

Viscosidade: diesel–biodiesel = 4,7 − 3,9 = 0,8 mm²/s (≈ 20%, dentro do esperado). Diesel–óleo vegetal = 37,0 − 3,9 = 33,1 mm²/s: o óleo vegetal é quase 10× mais viscoso que o diesel. Nenhuma cota legal de biodiesel produz salto dessa magnitude. ✔ Útil.

Poder calorífico: diesel–biodiesel = 38,3 − 33,3 = 5,0 MJ/L (≈ 13%, já grande e legal). Diesel–óleo vegetal = 38,3 − 36,9 = 1,4 MJ/L, MENOR que a variação já causada pelo próprio biodiesel. Um poder calorífico reduzido pode vir tanto do biodiesel legal quanto do óleo vegetal — teste inconclusivo. ✘ Não confiável.

Teor de enxofre: biodiesel < 0,001% e óleo vegetal < 0,001% — valores praticamente idênticos. Uma queda no enxofre não diferencia biodiesel legal de óleo vegetal ilegal. ✘ Não confiável.

Subpasso 4.3 — Verificação

Só densidade e viscosidade mostram, no óleo vegetal, valores muito destoantes tanto do diesel quanto do biodiesel, isolando o efeito da adulteração do efeito legal do biodiesel. Poder calorífico e teor de enxofre falham por não separar esses dois efeitos. Confirma-se: densidade e viscosidade.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Densidade e viscosidade.

✅ Correta: nas duas propriedades o óleo vegetal fica muito distante tanto do diesel quanto do biodiesel legal (densidade 4,3% acima; viscosidade quase 10× maior), permitindo distinguir com segurança a adulteração da variação natural do biodiesel.

B) Teor de enxofre e densidade.

❌ Incorreta: teor de enxofre não serve como teste, pois biodiesel e óleo vegetal têm o mesmo valor (< 0,001%) — baixo enxofre pode ser diesel legal com biodiesel ou diesel adulterado, sem distinção possível.

C) Viscosidade e teor de enxofre.

❌ Incorreta: combina uma propriedade válida (viscosidade) com uma inválida (teor de enxofre), que não diferencia biodiesel de óleo vegetal por terem valores praticamente nulos e indistinguíveis.

D) Viscosidade e poder calorífico.

❌ Incorreta: poder calorífico não é confiável — a variação natural do biodiesel legal (5,0 MJ/L) já é maior do que a que o óleo vegetal causaria (1,4 MJ/L), tornando o teste ambíguo.

E) Poder calorífico e teor de enxofre.

❌ Incorreta: reúne as duas propriedades tecnicamente inadequadas nesta questão — nenhuma separa o efeito esperado do biodiesel legal do efeito da adulteração por óleo vegetal.

🏆 Gabarito: A — densidade e viscosidade são as únicas propriedades em que o óleo vegetal se distancia claramente do diesel e do biodiesel legal, permitindo comprovar a adulteração sem confundi-la com a presença regulamentar de biodiesel.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra A é a única em que as duas propriedades escolhidas apresentam, para o óleo vegetal, desvios muito maiores do que os causados pela mistura legal de biodiesel — condição indispensável para um teste de adulteração ser tecnicamente válido.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de exigir leitura de tabelas comparativas e raciocínio quantitativo simples (diferenças percentuais), em vez de decoreba de fórmulas — o quadro já traz tudo o que é preciso para decidir.
  • Generalização: sempre que a questão pedir para "detectar adulteração" a partir de uma tabela, calcule a diferença entre o valor de referência e cada substância comparada; a propriedade útil é aquela em que o "impostor" se destaca muito mais do que qualquer variação já esperada e legal.
  • Dica de eliminação rápida: observe primeiro o teor de enxofre — biodiesel e óleo vegetal têm valores praticamente iguais (< 0,001%), então qualquer alternativa com essa propriedade (B, C, E) já pode ser descartada, restando apenas A e D para decidir entre viscosidade e poder calorífico.
  • Conexões: o tema dialoga com biocombustíveis e sustentabilidade (produção de biodiesel por transesterificação) e com propriedades físicas da matéria aplicadas ao controle de qualidade industrial.

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