Mapa de questões · 1º dia
Questão 44 — ENEM 2016 PPL
TEXTO I Entre os anos 1931 e 1935, o crescimento da imigração judaica para a Palestina foi exponencial, passando de 4 000 imigrantes/ano em 1931 para mais de 60 000 em 1935. Em vinte anos, a população judaica havia passado de menos de 10% para mais de 30% da população local.
GATTAZ, A. A Guerra da Palestina . São Paulo: Usina do Livro, 2002.
TEXTO II Um estado semi-independente sob controle britânico foi a fórmula que a Grã-Bretanha usou para a administração das áreas que tomara do império turco. A exceção foi a Palestina, que eles administraram diretamente, tentando em vão conciliar promessas feitas aos judeus sionistas, em troca de apoio contra a Alemanha, e aos árabes, em troca de apoio contra os turcos.
HOBSBAWN, E. Era dos extremos . São Paulo: Cia. das Letras, 2002.
Nos trechos, são tematizados o destino de um território no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais. A orientação da política britânica relativa a essa região está indicada na
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Imperialismo europeu no Oriente Médio pós-Primeira Guerra Mundial (Mandato Britânico e Questão da Palestina)
- ⚡ Nível: Difícil — exige articular dois textos historiográficos com conhecimento prévio sobre a Declaração Balfour e o sistema de mandatos da Liga das Nações.
- 🎯 Tema/Habilidade: Colonialismo/neocolonialismo e conflitos territoriais no século XX — interesses estratégicos das potências europeias na partilha do antigo Império Otomano.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual foi a orientação da política britânica para a Palestina no período entreguerras?"
- Palavras-chave decisivas: administraram diretamente, promessas contraditórias, apoio contra a Alemanha
- Armadilha típica: confundir a importância religiosa de Jerusalém ou a presença de petróleo na região com a real motivação britânica — o petróleo relevante da época estava no Iraque e no Golfo Pérsico, não na Palestina.
- O que a resposta precisa demonstrar: que a Grã-Bretanha usou o apoio ao projeto sionista como instrumento para cultivar, na Palestina, uma população/Estado aliado a seus interesses estratégicos.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Sistema de Mandatos da Liga das Nações: após a derrota otomana (1918), os territórios árabes foram repartidos entre Grã-Bretanha e França como "mandatos" — um colonialismo disfarçado de tutela rumo à independência.
- Declaração Balfour (1917): o governo britânico apoia o "estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu" na Palestina, em troca do apoio político e financeiro do movimento sionista à causa aliada contra a Alemanha.
- Correspondência McMahon-Hussein (1915-1916): promessa britânica de independência aos árabes em troca da Revolta Árabe contra o domínio otomano.
- Administração direta: ao contrário do Iraque e da Transjordânia, onde a Grã-Bretanha instalou monarcas árabes subordinados, a Palestina ficou sob controle direto da Coroa — justamente por concentrar as duas promessas conflitantes.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a população judaica havia passado de menos de 10% para mais de 30% da população local" → resultado de uma política de imigração favorecida pelas autoridades mandatárias, que controlavam as cotas de entrada.
- Evidência 2: "administraram diretamente, tentando em vão conciliar promessas feitas aos judeus sionistas [...] e aos árabes" → revela que a política britânica se apoiava em uma barganha diplomática de guerra, na qual a promessa aos sionistas visava garantir apoio aos interesses britânicos.
- Síntese: os textos mostram que a Grã-Bretanha fomentou o crescimento judaico na Palestina (Texto I) como parte de um projeto político (Texto II): usar o sionismo para consolidar ali um Estado/população aliada, garantindo apoio a seus interesses imperiais.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — O contexto da Primeira Guerra Mundial
A Grã-Bretanha fez duas promessas incompatíveis para garantir apoio contra os Impérios Centrais: aos árabes, independência (McMahon-Hussein), em troca da Revolta Árabe contra os turcos; aos sionistas, pela Declaração Balfour (1917), apoio a um "lar nacional" na Palestina, buscando o respaldo de comunidades judaicas influentes para sustentar o esforço de guerra contra a Alemanha — exatamente o que o Texto II registra.
Subpasso 4.2 — Por que administração direta?
Formalizado o Mandato (1922), a Palestina — diferentemente do Iraque e da Transjordânia, entregues a monarcas árabes subordinados — permaneceu sob controle direto da Coroa, pois ali coexistiam promessas conflitantes: delegar o governo a árabes trairia o compromisso sionista; entregá-lo a judeus afrontaria a maioria árabe. O Texto I comprova o efeito dessa administração: entre 1931 e 1935 a imigração judaica salta de 4 000 para mais de 60 000 pessoas/ano, elevando a proporção judaica de menos de 10% para mais de 30% da população em vinte anos — crescimento viabilizado pelo controle britânico das cotas de imigração.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao sustentar esse crescimento sob mandato próprio, a Grã-Bretanha investia na formação de uma população/futuro Estado que lhe devesse lealdade e garantisse seus interesses geoestratégicos (rotas para o Canal de Suez e a Índia, contenção do nacionalismo árabe). Essa é a leitura de "criação de um Estado aliado": confirma-se o gabarito A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) criação de um Estado aliado.
✅ Correta: a Declaração Balfour e a administração direta do Mandato favoreceram a imigração e o estabelecimento judaico na Palestina como estratégia para consolidar ali uma população/Estado aliado aos interesses imperiais britânicos.
B) ocupação de áreas sagradas.
❌ Incorreta: apesar do significado religioso de Jerusalém, os textos não tratam de motivação religiosa — o eixo central é geopolítico e diplomático, centrado nas promessas contraditórias de guerra.
C) reação ao movimento socialista.
❌ Incorreta: não há nos textos nenhuma menção a confronto com o movimento socialista/comunista; a alternativa apenas explora o temor europeu ao socialismo no entreguerras, tema alheio a esta questão.
D) promoção do comércio regional.
❌ Incorreta: os textos não abordam política comercial; o foco é o dilema entre promessas territoriais conflitantes feitas a árabes e judeus.
E) exploração de jazidas petrolíferas.
❌ Incorreta: a armadilha mais tentadora, pois o petróleo foi central nos interesses britânicos no Oriente Médio — mas no Iraque e no Golfo Pérsico, não na Palestina, sem reservas relevantes. Os textos tratam só de imigração e promessas políticas.
🏆 Gabarito: A — a Grã-Bretanha usou a administração direta da Palestina e o apoio à imigração judaica (Declaração Balfour) como instrumento para forjar ali um Estado/população aliada a seus interesses estratégicos.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A conecta o crescimento judaico patrocinado (Texto I) à lógica de barganha diplomática britânica (Texto II) como construção deliberada de um aliado estratégico.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a partilha do Oriente Médio pós-Primeira Guerra (Sykes-Picot, Mandatos, Declaração Balfour) como raiz do conflito israelo-palestino, exigindo relacionar fontes históricas a interesses imperialistas concretos.
- Generalização: em questões que cruzam textos sobre imperialismo, a resposta correta costuma sintetizar o interesse estratégico das potências, não motivações superficiais (religião, comércio, recursos) ausentes das fontes.
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas com elementos que os textos não mencionam (petróleo, religião, comércio, socialismo) e fique com a que sintetiza diretamente o que foi descrito.
- Conexões: compare com a Partilha da África (Conferência de Berlim, 1884-1885) e a descolonização afro-asiática pós-1945 — mesma lógica de fronteiras artificiais e promessas conflitantes.
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