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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 3ENEM 2016 PPL

A cena, de tão cotidiana, já não causa mais estranheza a Isabel Swan. Ao botar o barco nas águas da Baía de Guanabara, a velejadora precisa se desvencilhar de sacos plásticos, tampinhas de refrigerantes, latas, palitos de sorvete. Um dos cartões-postais cariocas recebe diariamente uma média de cem toneladas de lixo flutuante, carregado pelos rios que cortam a região metropolitana do Rio de Janeiro.

ALENCAR, E. Toneladas de descaso. O Globo , 28 abr. 2013 (adaptado).

O problema ambiental descrito tem sua causa associada à

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Urbanização brasileira, saneamento básico e problemas socioambientais metropolitanos
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto fornece pistas concretas (tipo de lixo, trajeto pelos rios) que, lidas com atenção, eliminam quase todas as alternativas por contraste direto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Deficiências de infraestrutura urbana e poluição hídrica nas metrópoles brasileiras; competência de reconhecer relações entre organização do espaço geográfico e problemas ambientais
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a causa estrutural do lixo que flutua diariamente na Baía de Guanabara?"
  • Palavras-chave decisivas: lixo flutuante, carregado pelos rios, cotidiana
  • Armadilha típica: confundir o mecanismo que faz o lixo chegar até a baía já visível (rios, barreiras de contenção) com a causa real do problema, que está lá atrás, na origem do lixo doméstico não coletado
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende o lixo descrito (sacos plásticos, tampinhas, latas, palitos de sorvete) como resíduo doméstico comum, e que sua chegada constante e maciça à baía só se explica por uma falha estrutural no serviço de coleta desse lixo na origem

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Saneamento básico: conjunto de serviços públicos essenciais — abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e coleta/destinação de resíduos sólidos. No Brasil, esses quatro serviços têm cobertura desigual, sendo historicamente mais precários nas periferias das regiões metropolitanas.
  • Bacia hidrográfica urbana como vetor de poluição: rios que atravessam áreas densamente urbanizadas funcionam como "esteiras" que arrastam para jusante tudo o que é descartado incorretamente em suas margens, em bueiros e em terrenos ao longo do curso d'água, depositando esse material no corpo receptor final — no caso, a Baía de Guanabara.
  • Ocupação irregular e déficit de infraestrutura nas periferias metropolitanas: a expansão urbana acelerada e não planejada do Rio de Janeiro (e de sua Baixada Fluminense) gerou bairros e comunidades onde o poder público não garante coleta domiciliar regular, levando a população a descartar lixo em vias públicas, valas e cursos d'água.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "recebe diariamente uma média de cem toneladas de lixo flutuante" → revela um fluxo contínuo e sistemático, não um evento isolado — aponta para uma causa estrutural e permanente, não para um acidente pontual.
  • Evidência 2: "carregado pelos rios que cortam a região metropolitana do Rio de Janeiro" → mostra que o lixo não nasce na baía: ele é transportado desde os bairros e municípios por onde esses rios passam, ou seja, a origem do problema está na forma como o lixo é descartado rio acima, antes mesmo de entrar na água.
  • Evidência 3: "sacos plásticos, tampinhas de refrigerantes, latas, palitos de sorvete" → são itens típicos de consumo doméstico e cotidiano — embalagens de alimentos e bebidas —, não resíduos industriais, portuários ou de grande porte. Isso indica claramente origem residencial/urbana, e não atividade econômica específica como portos ou turismo.
  • Síntese: o conjunto das evidências mostra um fluxo constante de lixo doméstico sendo arrastado pelos rios até a baía. Isso só ocorre em larga escala quando existe falha na coleta desse lixo na sua origem — ou seja, quando o serviço de coleta domiciliar não atinge (ou atinge de forma insuficiente) a população ao longo das bacias que desembocam na Baía de Guanabara.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza do resíduo descrito

O texto lista sacos plásticos, tampinhas de refrigerante, latas e palitos de sorvete. Esses são resíduos sólidos urbanos de origem estritamente doméstica/residencial — embalagens de consumo do dia a dia. Não há qualquer menção a óleo, contêineres, entulho de obras portuárias ou equipamentos de turismo náutico, o que já direciona o raciocínio para o eixo "gestão de resíduos domiciliares".

Subpasso 4.2 — Reconstruir o trajeto do lixo até a baía

Esse lixo doméstico não é produzido dentro da água: ele é descartado em ruas, terrenos baldios, bueiros e margens de rios na região metropolitana do Rio de Janeiro. Quando não existe coleta domiciliar regular e eficiente (ou quando ela não alcança bairros periféricos e áreas irregulares), o lixo se acumula nas ruas, é levado pela chuva para os bueiros e canais, atinge os rios e, por fim, desemboca na Baía de Guanabara. O verbo "carregado pelos rios" confirma esse trajeto: os rios são o meio de transporte, não a origem do problema.

Subpasso 4.3 — Verificação

Se a causa fosse portuária, turística ou demográfica (baixa densidade), o tipo de lixo descrito seria outro (resíduos industriais, estruturas de lazer, ou o problema simplesmente não existiria em escala tão grande). Como o lixo é majoritariamente doméstico e chega em fluxo diário e constante, a única alternativa coerente com as evidências textuais é a que aponta para uma falha na coleta desse lixo na origem — a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ineficiência de ecobarreiras.

❌ Incorreta: as ecobarreiras são estruturas de contenção instaladas nos rios depois que o lixo já foi descartado incorretamente — servem para tentar reter os resíduos antes que cheguem à baía. Sua eventual falha explicaria, no máximo, por que parte do lixo "escapa" da contenção, mas não explica por que esse volume de lixo doméstico está sendo gerado e descartado nos rios em primeiro lugar. A alternativa confunde uma medida paliativa a jusante com a causa do problema.

B) desorganização do turismo local.

❌ Incorreta: o texto não relaciona o lixo a atividades turísticas nem a Isabel Swan como turista — ela é velejadora e o problema é descrito como cotidiano e estrutural, associado ao volume de resíduos urbanos carregados pelos rios, não a fluxos ou desorganização do setor de turismo.

C) inadequação da coleta domiciliar.

✅ Correta: o lixo descrito (sacos plásticos, tampinhas, latas, palitos de sorvete) é de origem residencial e chega à baía transportado pelos rios que cortam a região metropolitana do Rio de Janeiro. Esse fluxo diário e volumoso só se sustenta porque o serviço de coleta domiciliar não é suficiente ou não alcança adequadamente bairros e comunidades ao longo dessas bacias, fazendo com que a população descarte o lixo em vias públicas e cursos d'água, que o transportam até a baía.

D) movimentação das áreas portuárias.

❌ Incorreta: atividades portuárias geram resíduos característicos de operação de cargas (óleo, contêineres, materiais industriais), incompatíveis com o tipo de lixo descrito no texto, que é claramente de consumo doméstico. Não há relação de causa entre a movimentação de portos e o descarte de sacos plásticos e latas de refrigerante.

E) rarefação da ocupação populacional.

❌ Incorreta: a alternativa inverte a realidade geográfica. A região metropolitana do Rio de Janeiro apresenta alta densidade demográfica, não rarefação (baixa densidade). É justamente essa forte concentração populacional, somada à insuficiência dos serviços de coleta de lixo, que gera o grande volume diário de resíduos descrito no texto.

🏆 Gabarito: C — o lixo flutuante na Baía de Guanabara é, em sua origem, resíduo doméstico descartado de forma inadequada por falta de cobertura eficiente da coleta domiciliar, sendo depois transportado pelos rios da região metropolitana até a baía.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C explica a origem do problema (por que o lixo é gerado e descartado incorretamente), enquanto as demais tratam de mecanismos de transporte/contenção (A), setores sem relação direta com o tipo de resíduo (B e D) ou uma leitura invertida da realidade demográfica (E).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra questões sobre saneamento básico, poluição hídrica urbana e desigualdade socioespacial nas periferias das metrópoles brasileiras, sempre pedindo que o aluno associe um problema ambiental visível a uma falha estrutural de infraestrutura urbana.
  • Generalização: quando um problema ambiental urbano é descrito como crônico e cotidiano (não pontual), a causa geralmente está numa deficiência estrutural de saneamento/infraestrutura na origem, e não em fatores externos como turismo, portos ou baixa ocupação — a leitura do tipo de resíduo ou poluente é a chave para identificar essa origem.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que descrevem setores econômicos incompatíveis com o resíduo citado no texto (turismo, portos) e desconfie de alternativas que tratam de uma solução/contenção a jusante (ecobarreiras) como se fosse a causa; verifique também se dados de densidade populacional não estão invertidos.
  • Conexões: políticas públicas de saneamento básico no Brasil (Marco Legal do Saneamento); ocupação irregular de áreas de risco e mananciais nas metrópoles brasileiras.

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