Mapa de questões · 1º dia
Questão 15 — ENEM 2016 PPL

QUINO. Mafalda. Disponível em: www.nova-acropole.pt. Acesso em: 28 fev. 2013.
A figura do inquilino ao qual a personagem da tirinha se refere é o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Ética, moral e formação da consciência (com apoio de Sociologia/Psicanálise sobre internalização de normas)
- ⚡ Nível: Fácil — a tirinha entrega a resposta de forma explícita, bastando decodificar a metáfora do "inquilino" sem exigir repertório técnico extenso
- 🎯 Tema/Habilidade: A consciência moral como instância interna reguladora da conduta (H8/H9 da matriz de Ciências Humanas — compreender processos de formação de valores e normas)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que representa, na tirinha de Mafalda, essa figura chamada de 'inquilino'?"
- Palavras-chave decisivas: maldito inquilino, "não se faz", "a gente tem aqui dentro"
- Armadilha típica: confundir "inquilino" com um personagem literal (pessoa que mora na casa, alternativa D) ou reduzi-lo a um sentimento passageiro de vergonha (constrangimento, alternativa A) e não ao mecanismo moral permanente que ele representa
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a tirinha usa humor e ironia para nomear metaforicamente a consciência moral — a voz interior que impede a personagem de agir contra seus próprios valores
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Consciência moral: instância psíquica e ética que avalia internamente se uma ação é certa ou errada, funcionando como um "juiz interno" independente de vigilância externa.
- Internalização de normas: processo pelo qual regras sociais e familiares (o que "se faz" ou "não se faz") deixam de ser imposições externas e passam a operar como convicção própria do indivíduo.
- Metáfora e humor na linguagem verbal-visual: recurso comum em tirinhas, em que um termo concreto (inquilino = morador de uma casa) é deslocado de sentido para representar algo abstrato (a consciência que "mora" dentro da pessoa), gerando o efeito cômico e reflexivo típico de Mafalda.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "E tudo por causa do maldito inquilino que começou a dizer que isso é muito feio, que não se faz e sei lá o quê!" → Mafalda atribui a um "inquilino" a voz que a repreende moralmente, usando expressões típicas de reprovação ética ("é feio", "não se faz"), não de uma regra jurídica ou de vigilância externa.
- Evidência 2: "Esse que a gente tem aqui dentro." → A resposta final desfaz o mistério: não existe morador físico algum; o "inquilino" é algo que habita o interior da pessoa — ou seja, uma instância psicológica/moral, e não um ser humano concreto.
- Síntese: A tirinha constrói, passo a passo, uma personificação humorística da consciência: primeiro cria a expectativa de que "inquilino" seja alguém real (o que a amiga também supõe ao perguntar "que inquilino?"), para depois revelar que se trata de uma voz interna que dita o que é certo ou errado — a própria consciência da obrigação moral.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o conflito narrado por Mafalda
Mafalda queria ficar com o troco da padaria para comprar bala, mas "não conseguiu". Esse "não conseguir" já é a primeira pista: não houve impedimento físico ou de terceiros — foi um impedimento interno, algo que a fez desistir mesmo tendo a oportunidade e o desejo de agir de outra forma.
Subpasso 4.2 — Analisar o vocabulário usado para descrever o "inquilino"
Mafalda diz que o inquilino "começou a dizer que isso é muito feio, que não se faz". Note que esse vocabulário — "feio", "não se faz" — é tipicamente moral, e não legal ou físico. Não se trata de uma lei que pune, nem de uma pessoa observando de fora; é um julgamento de valor sobre a própria conduta, formulado dentro da própria personagem.
Subpasso 4.3 — Verificação com o desfecho da tirinha
No último quadrinho, ao ser perguntada "que inquilino?", Mafalda responde: "Esse que a gente tem aqui dentro." A frase fecha o raciocínio: não há morador algum na casa — o "inquilino" é uma metáfora para a voz interna que avalia e regula as ações da personagem, ou seja, sua consciência moral, que se manifesta como uma obrigação (o dever de não pegar o troco) sentida "de dentro para fora". Isso confirma que a resposta correta trata da consciência da obrigação moral, e não de um morador real, nem de medo de punição externa.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) constrangimento por olhares de reprovação.
❌ Incorreta: pressupõe a presença de terceiros observando e reprovando Mafalda com o olhar, mas a tirinha deixa claro que ninguém a viu ou a repreendeu externamente — a reprovação vem de dentro dela mesma, sem qualquer olhar alheio envolvido na cena.
B) costume imposto aos filhos por coação.
❌ Incorreta: "coação" implica uma força externa impondo a conduta contra a vontade, geralmente vinda de pais ou responsáveis presentes fisicamente. Na tirinha não há ninguém coagindo Mafalda no momento do ato; a interdição surge de uma instância interna já internalizada, não de uma imposição coercitiva em curso.
C) consciência da obrigação moral.
✅ Correta: o "inquilino" é a personificação cômica da consciência moral de Mafalda — a voz interior que reconhece o dever de não pegar o troco por ser "feio" e "não se fazer", exatamente como revela a fala final "esse que a gente tem aqui dentro". É a obrigação moral internalizada, sentida e cumprida sem necessidade de vigilância externa.
D) pessoa habitante da mesma casa.
❌ Incorreta: é a leitura literal da palavra "inquilino", exatamente a armadilha que a tirinha constrói para depois desmontar. A pergunta da amiga ("que inquilino?") mostra que essa é a interpretação ingênua esperada, mas a resposta de Mafalda a nega explicitamente: não existe morador real, o "inquilino" é figurado.
E) temor de possível castigo.
❌ Incorreta: o texto não menciona nenhuma punição, ameaça ou consequência a ser evitada — apenas um julgamento sobre o que "é feio" e "não se faz". O motivo do comportamento de Mafalda é moral (o que é certo fazer), não o medo de sofrer uma penalidade.
🏆 Gabarito: C — o "inquilino" da tirinha é uma metáfora bem-humorada para a consciência moral, a instância interna que dita a Mafalda o que é certo ou errado, obrigando-a a agir de acordo com valores já internalizados, mesmo sem vigilância ou punição externas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C descreve corretamente uma instância interna e moral — todas as demais alternativas (A, B, E) dependem de agentes ou forças externas, e a alternativa D se prende ao sentido literal da palavra, que a própria tirinha desconstrói no desfecho.
- Padrão de cobrança: o ENEM usa frequentemente tirinhas e charges de Mafalda (Quino) em Ciências Humanas para explorar conceitos abstratos de Filosofia e Sociologia — ética, alienação, consumo, poder — por meio de humor e ironia, exigindo que o candidato decodifique a metáfora visual e verbal antes de aplicar o conceito teórico.
- Generalização: em questões que usam personificação de conceitos abstratos (consciência, culpa, dever), busque sempre o trecho final da tirinha ou do texto, pois costuma conter a "chave de leitura" que resolve a ambiguidade proposital criada no início.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que dependa de terceiros presentes fisicamente (olhares, coação, castigo aplicado por alguém) — a frase "aqui dentro" no texto já indica que a resposta certa fala de algo interno ao próprio sujeito.
- Conexões: o tema dialoga com o conceito de superego em Freud (instância psíquica que internaliza normas parentais e sociais) e com a noção kantiana de dever moral autônomo — quando o indivíduo age corretamente não por medo de punição, mas por convicção própria do que é certo.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.