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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 4ENEM 2016 PPL

Disponível em: www.cultura.ba.gov.br. Acesso em: 15 jan. 2014.

A imagem retrata uma prática cultural brasileira cuja raiz histórica está associada à

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Diáspora africana, tráfico transatlântico e formação da cultura afro-brasileira
  • ⚡ Nível: Médio — exige ir além do reconhecimento genérico de "religiosidade afro-brasileira" e associar os elementos da fotografia à sua causa histórica estrutural
  • 🎯 Tema/Habilidade: Herança cultural africana no Brasil e resistência cultural sob escravidão (Competência de Área 5 — analisar manifestações culturais como produtos de processos históricos)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual processo histórico está na origem da prática cultural mostrada na fotografia?"
  • Palavras-chave decisivas: prática cultural brasileira, raiz histórica, associada a
  • Armadilha típica: confundir a presença de elementos religiosos e cerimoniais com "liberdade religiosa" ou "devoção ecumênica", como se a prática tivesse nascido de uma escolha livre e de um diálogo voluntário entre credos — quando, na verdade, ela nasceu de um processo de opressão e resistência.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ler uma fonte iconográfica (indumentária, ritual coletivo, ambiente) e conectá-la ao processo histórico que explica sua existência no Brasil — não a sua função atual, mas a sua origem.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Diáspora africana: dispersão compulsória de povos africanos pelo mundo, causada majoritariamente pelo tráfico transatlântico de escravizados (séculos XVI a XIX), que trouxe ao Brasil milhões de pessoas de etnias distintas — bantos, iorubás, jejes, entre outras.
  • Religiosidade de matriz africana e irmandades negras: cultos como o Candomblé e associações católicas formadas por negros (caso da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira-BA) nasceram da necessidade de africanos escravizados preservarem, mesmo sob repressão, sua cosmovisão e estética de origem.
  • Sincretismo cultural sob opressão: a fusão entre elementos africanos e católicos não veio de diálogo espontâneo entre religiões, e sim de uma estratégia de sobrevivência cultural diante da catequese imposta pelos colonizadores.
  • Patrimônio cultural imaterial: manifestações como a da imagem são hoje registradas por órgãos públicos (Secretaria de Cultura da Bahia) por preservarem a memória viva da diáspora forçada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem): mulheres com turbantes e vestidos de renda branca, reunidas em torno de um mastro/pilar central ornamentado com flores, em ambiente de teto rústico com objetos rituais nas paredes → retrata uma cerimônia coletiva de matriz afro-religiosa, com indumentária típica de terreiros e irmandades negras baianas.
  • Evidência 2 (fonte): imagem disponível em "www.cultura.ba.gov.br" → indica registro oficial de patrimônio cultural da Bahia, estado que foi o principal porto de entrada do tráfico negreiro e concentra a maior densidade de tradições afro-brasileiras do país.
  • Evidência 3 (comando): a pergunta busca a "raiz histórica" da prática → direciona a resposta para a causa/origem do fenômeno, não para sua forma atual, sua função religiosa isolada ou seu uso político contemporâneo.
  • Síntese: a fotografia documenta uma manifestação cultural cuja existência no Brasil só se explica pelo deslocamento compulsório de povos africanos escravizados — ou seja, pela migração forçada promovida pelo tráfico transatlântico.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Ler os elementos visuais da fotografia

Ambiente interno de teto de estipe/sapê, com objetos rituais nas paredes — traços de um terreiro ou casa de festa tradicional. No centro, um mastro coberto por tecido escuro e ornamentado com flores brancas concentra a atenção do grupo. As mulheres usam turbantes e vestidos de renda branca — traje historicamente associado às baianas do candomblé e às irmandades religiosas negras — enquanto o restante do grupo se posiciona em roda, em movimento coletivo típico de celebração ritual.

Subpasso 4.2 — Conectar a cena a um processo histórico

Essa indumentária e cerimônia comunitária não é costume espontâneo nem criação recente: é herança direta das religiões que africanos escravizados trouxeram consigo e recriaram, sob repressão, em solo brasileiro. Práticas como o Candomblé e irmandades como a Boa Morte só existem no Brasil porque houve, entre os séculos XVI e XIX, o deslocamento forçado de milhões de africanos pelo tráfico transatlântico, sobretudo para a Bahia. Sem esse deslocamento compulsório não haveria a base cultural que sustenta a cena retratada.

Subpasso 4.3 — Verificação

A cena não decorre de "liberdade" concedida (essas práticas foram perseguidas por décadas), não é fruto de diálogo voluntário entre igrejas (ecumenismo), não resulta de catequese oficial (atividade missionária) e não é, na origem, ato de mobilização política. A única alternativa que aponta a causa estrutural — o deslocamento compulsório de povos africanos — é a migração forçada. O raciocínio converge para a alternativa B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) liberdade religiosa

❌ Incorreta: a prática retratada não nasceu de uma concessão de liberdade. Ao contrário, os cultos afro-brasileiros se desenvolveram historicamente sob perseguição, proibição e vigilância policial de terreiros, situação que persistiu até bem entrado o século XX. O direito à liberdade religiosa é uma conquista posterior e não explica a origem histórica do fenômeno.

B) migração forçada

✅ Correta: a cultura retratada — traje, ritual coletivo e religiosidade de matriz africana — tem sua origem no tráfico transatlântico de escravizados, que deslocou compulsoriamente milhões de africanos para o Brasil, com forte concentração na Bahia. É esse deslocamento forçado, a diáspora africana, que explica a existência dessas práticas em solo brasileiro.

C) devoção ecumênica

❌ Incorreta: ecumenismo designa o diálogo e a aproximação voluntária entre diferentes igrejas ou religiões. A manifestação da imagem não resulta de um movimento espontâneo de aproximação entre credos, mas da reconstrução, em contexto de escravidão, de uma religiosidade de origem africana muitas vezes mesclada ao catolicismo por imposição — não por diálogo livre.

D) atividade missionária

❌ Incorreta: atividade missionária é a ação intencional de catequização promovida pela Igreja para converter populações a uma fé específica. A cena retrata justamente o oposto: a permanência e reelaboração de tradições africanas apesar da catequese e da repressão religiosa impostas pelos colonizadores.

E) mobilização política

❌ Incorreta: embora manifestações culturais afro-brasileiras tenham hoje forte dimensão política (luta antirracista, valorização patrimonial, resistência), a raiz histórica da prática retratada não é um ato de mobilização política organizada — é a reconstrução religiosa e cultural de um povo deslocado à força. A dimensão política é consequência posterior, não origem.

🏆 Gabarito: B — a prática cultural fotografada remonta à diáspora forçada de povos africanos escravizados, trazidos ao Brasil pelo tráfico transatlântico, que reconstruíram sua cosmovisão religiosa e social em solo brasileiro.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, só "migração forçada" descreve a causa estrutural e histórica — o tráfico negreiro — que originou a presença de povos e culturas africanas no Brasil, da qual decorre a manifestação retratada.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre a fotografias de manifestações populares e religiosas (candomblé, capoeira, maracatu, congada, irmandades negras) para testar se o estudante reconhece a escravidão e a diáspora africana como matriz histórica da cultura brasileira, e não apenas como "folclore" isolado de contexto.
  • Generalização: sempre que a questão pedir a "raiz histórica" de uma prática cultural afro-brasileira, a resposta tende a remeter à escravização e ao deslocamento forçado de povos africanos — não a elementos posteriores, como direitos conquistados, que são efeitos e não causas.
  • Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que descrevem processos voluntários ou institucionais formais (liberdade, ecumenismo, missão religiosa) quando a imagem mostra resistência cultural sob opressão — nesses casos, a causa histórica quase sempre é a escravidão/diáspora forçada.
  • Conexões: sincretismo religioso afro-brasileiro (Candomblé, Umbanda); Irmandade da Boa Morte e resistência cultural negra na Bahia.

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