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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 25ENEM 2016 PPL

HENFIL. Diretas Já!, 1984. In: LEMOS, R. (Org.). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-2001) . Rio de Janeiro: Letras & Expressões, 2001.

A imagem faz referência a uma intensa mobilização popular e pode ser traduzida como

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Republicano, Ditadura Militar (1964-1985) e processo de redemocratização
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer o contexto histórico da charge (Diretas Já, 1984) e diferenciar "eleições indiretas" de temas próximos, mas distintos, presentes nas alternativas
  • 🎯 Tema/Habilidade: A campanha das Diretas Já como reação popular ao sistema de eleição indireta imposto pela ditadura militar; competência de leitura de fontes iconográficas (charge) associada a processos históricos
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Identifique a que movimento histórico a charge de Henfil se refere e qual é o seu significado político."
  • Palavras-chave decisivas: Henfil, Diretas Já! (1984), intensa mobilização popular
  • Armadilha típica: confundir o movimento Diretas Já com outras pautas de redemocratização (fim da ditadura em geral, abertura "lenta e gradual" do próprio regime militar, ou reivindicações eleitorais que não existiram nesse contexto, como eleição para o Senado ou voto feminino) — todas soam plausíveis para quem não fixou o objetivo específico da campanha.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o movimento retratado tinha um alvo político concreto — contestar o mecanismo de escolha indireta do presidente da República, herança do regime militar, exigindo eleições diretas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Eleições indiretas no regime militar: desde 1964, os presidentes brasileiros eram escolhidos por um Colégio Eleitoral (formado por deputados, senadores e delegados estaduais), e não pelo voto direto da população. Esse mecanismo garantia ao regime controlar a sucessão presidencial.
  • Campanha Diretas Já (1983-1984): movimento suprapartidário que reuniu milhões de brasileiros em comícios nas principais capitais (o de São Paulo, na Praça da Sé, reuniu cerca de 1 milhão de pessoas) para pressionar o Congresso a aprovar a Emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria o voto direto para presidente.
  • Resultado imediato: a emenda foi rejeitada em abril de 1984 por falta de quórum, e a eleição de 1985 (que levou Tancredo Neves à Presidência) ainda ocorreu de forma indireta, via Colégio Eleitoral — a vitória das diretas só viria com a Constituição de 1988.
  • Henfil: cartunista mineiro, um dos grandes cronistas visuais da resistência à ditadura, retratou massas anônimas com faixas de protesto como recurso para expressar a força coletiva do movimento.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "HENFIL. Diretas Já!, 1984" → o próprio título da obra já nomeia o movimento retratado, eliminando ambiguidade sobre qual mobilização está em jogo.
  • Evidência 2: faixas na imagem como "QUERO VOTAR!", "O VOTO É NOSSO!", "DIRETAS JÁ?" e "QUEREMOS VOTAR!" → o clamor da multidão é explicitamente pelo direito de votar diretamente, não por outra pauta (não há menção a Senado, a gênero ou a outro país).
  • Evidência 3: a figura de autoridade ao fundo empunhando uma arma e um megafone, dizendo "VOLTEM PARA SUAS CASAS! O POVO É ILEGAL..." → representa a repressão do Estado ao movimento popular, reforçando que a mobilização confrontava diretamente a ordem político-eleitoral vigente (imposta pelo regime militar).
  • Síntese: a charge retrata um povo em massa exigindo o direito de escolher diretamente seus representantes, em oposição a uma autoridade que tenta calar essa exigência — isso corresponde exatamente à campanha Diretas Já, cujo alvo era o fim das eleições indiretas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o evento histórico retratado

O título da charge ("Diretas Já!, 1984") e as faixas erguidas pela multidão ("QUERO VOTAR!", "O VOTO É NOSSO!", "DIRETAS JÁ?") remetem, sem margem de dúvida, à campanha das Diretas Já, movimento de massas que tomou as ruas do Brasil entre 1983 e 1984 exigindo o restabelecimento do voto direto para presidente da República.

Subpasso 4.2 — Reconstituir o que estava em disputa

Desde o golpe de 1964, o presidente era eleito indiretamente por um Colégio Eleitoral controlado pela base aliada do regime militar. Isso significava que o cidadão comum não escolhia seu presidente nas urnas. A campanha das Diretas Já nasceu justamente para reverter esse mecanismo, pressionando o Congresso Nacional a aprovar a Emenda Dante de Oliveira. Portanto, o alvo do movimento não era "a ditadura em geral" de forma abstrata, nem uma pauta setorial (Senado, gênero): era, especificamente, a legitimidade do sistema de eleição indireta.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando o conteúdo da imagem (multidão pedindo para votar + repressão do Estado) com o contexto histórico (1984, ano de auge da campanha, antes da rejeição da Emenda Dante de Oliveira em abril daquele ano), a única alternativa que descreve com precisão esse confronto entre povo e sistema eleitoral indireto é a que menciona diretamente a contestação da legitimidade das eleições indiretas — o que corresponde à alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) a campanha popular que confrontava a legitimidade das eleições indiretas no país.

✅ Correta: descreve com exatidão o núcleo da campanha Diretas Já — a mobilização popular questionava frontalmente o direito do regime militar de escolher o presidente por via indireta (Colégio Eleitoral), exigindo que essa escolha voltasse a ser feita pelo voto direto do povo, exatamente o que as faixas da charge expressam.

B) a manifestação de milhares de pessoas em prol da realização de eleições para o Senado.

❌ Incorreta: a campanha Diretas Já tinha como objeto a eleição para presidente da República, não para o Senado. As eleições para o Senado já eram diretas mesmo durante o regime militar (com a exceção pontual dos "senadores biônicos" de 1978); misturar essa pauta com a das Diretas Já é um erro conceitual sobre o alvo real do movimento.

C) as passeatas realizadas em prol do fim da Ditadura Militar no Brasil e na Argentina.

❌ Incorreta: a charge retrata um movimento nacional brasileiro, sem qualquer referência à Argentina (cuja ditadura, aliás, já havia terminado em 1983, antes do auge das Diretas Já no Brasil). Generalizar o movimento como luta contra "a ditadura" em dois países distorce seu recorte específico — a exigência de voto direto no Brasil.

D) os comícios e manifestações populares pela abertura política de forma lenta e segura.

❌ Incorreta: essa expressão ("abertura lenta, gradual e segura") era, na verdade, o projeto do próprio regime militar (formulado por Geisel e Golbery), que buscava controlar o ritmo da liberalização política. As Diretas Já representavam exatamente o oposto: a pressa e a urgência popular ("Já!") em contraposição ao gradualismo imposto de cima para baixo pelo governo.

E) o movimento que exigia o direito à igualdade de voto para homens e mulheres.

❌ Incorreta: o sufrágio feminino já havia sido conquistado no Brasil em 1932 (Código Eleitoral) e confirmado pela Constituição de 1934, décadas antes da cena retratada. A pauta de 1984 não era sobre quem podia votar, mas sobre como o voto seria exercido (direto ou indireto) na escolha do presidente.

🏆 Gabarito: A — a charge de Henfil ilustra a mobilização popular das Diretas Já, cujo propósito era romper com o mecanismo de eleição indireta herdado da ditadura militar, exigindo que o povo escolhesse diretamente seu presidente.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A nomeia com precisão o alvo político do movimento retratado — a legitimidade das eleições indiretas —, sem confundi-lo com pautas paralelas (Senado, gênero, outro país) nem inverter seu sentido (como fazer parecer que ele defendia a "abertura lenta e segura" do próprio regime).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a charges e caricaturas de Henfil, Ziraldo e outros cartunistas da imprensa alternativa como fonte para questões sobre a ditadura militar e a redemocratização, exigindo que o estudante associe elementos visuais (faixas, multidões, figuras de autoridade) a processos históricos específicos.
  • Generalização: em questões de análise de charge histórica, a resposta certa costuma ser aquela que traduz literalmente o que está escrito/desenhado na imagem, sem acrescentar elementos externos (outros países, outras pautas) nem inverter o sentido do conflito retratado.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que introduzam um elemento ausente da imagem (Senado, Argentina, gênero) — se a charge não mostra isso, a alternativa é ruído. Depois, atente para armadilhas de "inversão de sentido", como a expressão "lenta e segura", que soa parecida com o tema mas descreve o projeto do regime, não o da oposição popular.
  • Conexões: Emenda Dante de Oliveira (1984) e Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves (1985); processo de redemocratização culminando na Constituição Cidadã de 1988, que restabeleceu definitivamente as eleições diretas para presidente.

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