Mapa de questões · 1º dia
Questão 32 — ENEM 2016 PPL
Carta de princípios
As alternativas propostas no Fórum Social Mundial contrapõem-se a um processo de globalização comandado pelas grandes corporações multinacionais e pelos governos e instituições internacionais a serviço de seus interesses, com a cumplicidade de governos nacionais.
Disponível em: http://fsmpoa.com.br. Acesso em: 16 ago. 2013.
O fórum mencionado tem como objetivo discutir propostas que concretizem a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Globalização, movimentos sociais e organismos internacionais (Fórum Social Mundial × Fórum Econômico Mundial)
- ⚡ Nível: Médio — o texto é curto e não define o Fórum; é preciso deduzir seus objetivos a partir daquilo a que ele se opõe
- 🎯 Tema/Habilidade: Movimentos altermundistas e a crítica à globalização neoliberal; identificar propostas de reorganização das relações internacionais a partir de um documento-fonte
- 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Sabendo que o Fórum Social Mundial se opõe à globalização comandada por corporações, o que ele defende no lugar dela?"
- Palavras-chave decisivas: contrapõem-se, grandes corporações multinacionais, alternativas propostas
- Armadilha típica: confundir o Fórum Social Mundial (Porto Alegre, movimentos sociais, "um outro mundo é possível") com o Fórum Econômico Mundial (Davos, grandes empresas) e marcar a alternativa que fala em intensificar relações econômicas — que é justamente o que o texto critica.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende o FSM como espaço de proposição de uma globalização alternativa, baseada em cooperação e solidariedade entre povos, e não na lógica de mercado.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fórum Social Mundial (FSM): encontro criado em 2001, em Porto Alegre, reunindo ONGs, sindicatos, movimentos sociais e ambientalistas. Nasceu como contraponto explícito ao Fórum Econômico Mundial de Davos e adotou como lema "Um outro mundo é possível". Não é um organismo de Estado nem um bloco econômico — é um espaço de articulação da sociedade civil.
- Globalização neoliberal: modelo de integração mundial regido pela lógica do mercado — livre circulação de capitais, desregulamentação, protagonismo das multinacionais e de instituições como FMI, Banco Mundial e OMC. É exatamente o "processo de globalização comandado pelas grandes corporações" citado no texto.
- Altermundismo (ou movimento antiglobalização): corrente que não rejeita a integração mundial em si, mas o modo como ela ocorre. Propõe outra globalização — pautada por justiça social, sustentabilidade, direitos humanos e solidariedade entre os povos, em vez de competição e lucro.
- Solidariedade internacional: princípio de cooperação entre países e povos que coloca as necessidades sociais acima dos interesses do capital — o oposto da relação de subordinação entre centro e periferia que o FSM denuncia.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "As alternativas propostas no Fórum Social Mundial contrapõem-se a um processo de globalização comandado pelas grandes corporações multinacionais" → o texto define o FSM por oposição. Logo, para achar o que ele defende, basta inverter aquilo que ele combate.
- Evidência 2: "pelos governos e instituições internacionais a serviço de seus interesses, com a cumplicidade de governos nacionais" → o alvo da crítica é a captura das instituições públicas pelos interesses econômicos privados. O que o FSM quer, portanto, é uma relação internacional que não seja regida pelo lucro das corporações.
- Síntese: se o inimigo declarado é uma globalização mercantil, hierárquica e movida por interesses corporativos, a alternativa proposta só pode ser uma globalização de outro tipo — cooperativa, humanista, entre povos e países em pé de igualdade. Esse é o vocabulário da solidariedade.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o Fórum e sua posição no tabuleiro
O nome já entrega metade da resposta: é o Fórum Social Mundial, não o Econômico. Nasceu em Porto Alegre (2001), reunindo movimentos sociais, sindicatos, ONGs e ambientalistas de todo o mundo, e foi concebido como contraponto simbólico e político ao Fórum Econômico Mundial de Davos — o encontro anual das grandes corporações e dos governos alinhados a elas. Seu lema, "Um outro mundo é possível", resume o programa: não se trata de abolir a integração mundial, e sim de disputar qual integração mundial teremos.
Subpasso 4.2 — Ler o texto como uma negação e inverter o sinal
A Carta de Princípios não diz diretamente o que o FSM quer; diz a que ele se opõe. O texto lista três alvos:
- as grandes corporações multinacionais que comandam o processo;
- os governos e instituições internacionais que servem aos interesses dessas corporações;
- a cumplicidade dos governos nacionais com esse arranjo.
O denominador comum dos três é o mesmo: relações internacionais organizadas em função do lucro e do poder econômico, em que países e povos entram como peças subordinadas. Se esse é o problema, a alternativa proposta precisa substituir a lógica do interesse corporativo por outra lógica de vínculo entre as nações — uma lógica de cooperação, de ajuda mútua, de justiça social. Em uma palavra: solidariedade.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando a inversão contra as cinco alternativas: as opções que falam em intensificar relações econômicas (D) ou em homogeneizar o consumo (E) descrevem exatamente aquilo que o FSM combate — são a globalização de mercado, não a alternativa a ela. As que falam em igualdade cultural (A) e em fluxo populacional (B) tratam de temas que o FSM até discute, mas que o texto não menciona e que não respondem ao eixo econômico-político da crítica. Resta a construção de uma relação solidária entre os países — a única que se opõe, ponto a ponto, à globalização corporativa denunciada. É a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) proposição da igualdade cultural entre os povos.
❌ Incorreta: o FSM defende justamente o contrário no plano cultural — a diversidade e o respeito às diferenças, não a "igualdade cultural", que soa a uniformização das culturas. Além disso, o texto centra sua crítica no comando econômico e político da globalização (corporações, governos, instituições), e não em questões culturais.
B) ampliação do fluxo populacional entre os Estados.
❌ Incorreta: o trecho não trata de migrações, fronteiras ou circulação de pessoas em nenhum momento. A alternativa introduz um tema estranho ao texto — o alvo da Carta são as corporações multinacionais e as instituições a serviço delas, não as políticas migratórias.
C) construção de uma relação solidária entre os países.
✅ Correta: é a inversão exata do que o texto denuncia. Se a globalização criticada é comandada por interesses corporativos, com governos e instituições capturados por eles, a alternativa proposta pelo FSM é uma integração mundial pautada por cooperação, justiça social e ajuda mútua entre os povos — a solidariedade internacional sintetizada no lema "Um outro mundo é possível".
D) intensificação das relações econômicas entre as nações.
❌ Incorreta: é a armadilha central da questão — descreve precisamente o objeto da crítica, não a proposta. Intensificar relações econômicas nos moldes vigentes é a bandeira do Fórum Econômico Mundial (Davos); o Fórum Social Mundial existe para contestar essa agenda, não para reforçá-la.
E) homogeneização do consumo entre a população mundial.
❌ Incorreta: a padronização mundial de hábitos de consumo é um efeito da globalização de mercado — resultado direto da atuação das multinacionais que o texto acusa. O FSM denuncia essa uniformização consumista e defende modelos sustentáveis e culturalmente diversos, de modo que a alternativa inverte completamente a posição do Fórum.
🏆 Gabarito: C — o Fórum Social Mundial se define por oposição à globalização comandada pelas corporações; sua proposta é substituir a lógica do lucro por relações internacionais de cooperação e solidariedade entre os países.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que representa uma alternativa à globalização criticada. D e E descrevem a globalização corporativa em si (o alvo), enquanto A e B introduzem temas ausentes do texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a oposição FSM (Porto Alegre, sociedade civil, "um outro mundo é possível") × FEM (Davos, corporações), além de temas correlatos como movimentos altermundistas, ONGs, comércio justo e economia solidária.
- Generalização: quando um texto define uma entidade apenas pelo que ela combate, a resposta quase sempre é o inverso lógico da crítica. Monte a resposta invertendo o sinal de cada acusação: se acusa "comando das corporações", a proposta é "protagonismo dos povos"; se acusa "interesses privados", a proposta é "solidariedade e bem comum".
- Dica de eliminação rápida: risque de imediato qualquer alternativa que repita a lógica denunciada — aqui, "intensificação das relações econômicas" (D) e "homogeneização do consumo" (E) morrem em segundos, porque são a doença, não o remédio. Das três que sobram, escolha a que fala a linguagem dos movimentos sociais: cooperação, solidariedade, justiça.
- Conexões: Fórum Econômico Mundial de Davos e as instituições de Bretton Woods (FMI, Banco Mundial, OMC); economia solidária e comércio justo; divisão internacional do trabalho e a relação centro–periferia.
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