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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 1ENEM 2016 PPL

Os gargalos rodoviários do Brasil e o caótico trânsito das suas metrópoles forçam os governos estaduais e federal a retomar os planos de implantação dos trens regionais. Durante as últimas quatro décadas, a malha ferroviária foi esquecida e sucateada, tanto que hoje, em todo o país, apenas duas linhas de passageiros estão em funcionamento. Transportam 1,5 milhão de pessoas entre Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES) e entre São Luís (MA) e Carajás (PA) ― as duas operadas pela mineradora Vale. Nos anos 1960, mais de 100 milhões de passageiros utilizavam trens interurbanos no território nacional.

Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 2 set. 2010.

O sucateamento do meio de transporte descrito foi provocado pela

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia dos Transportes e Rede Técnica do território brasileiro
  • ⚡ Nível: Fácil — exige conhecimento geral e contextual sobre a política de transportes no Brasil, sem cálculos ou dados escondidos
  • 🎯 Tema/Habilidade: Matriz de transportes brasileira e o rodoviarismo como projeto de modernização territorial (competência de análise de processos históricos e geográficos na organização do espaço)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi a causa histórica do abandono e da decadência das ferrovias de passageiros no Brasil?"
  • Palavras-chave decisivas: sucateamento, últimas quatro décadas, retomar os planos
  • Armadilha típica: confundir causa com consequência — o candidato aponta a "precarização tecnológica" ou a "queda de demanda" como origem do problema, quando na verdade esses são efeitos de uma decisão política anterior
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o abandono da malha ferroviária resultou de uma escolha deliberada de política de Estado, que direcionou investimentos para outro modal de transporte

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Rodoviarismo: modelo de desenvolvimento adotado no Brasil a partir dos anos 1950, sobretudo no governo JK (Plano de Metas, 1956-1961), que privilegiou rodovias e a indústria automobilística como símbolo de modernização
  • Matriz de transportes: conjunto dos modais (rodoviário, ferroviário, hidroviário, aéreo, dutoviário) usados para deslocar pessoas e cargas; no Brasil é fortemente desequilibrada, com predomínio do modal rodoviário
  • Sucateamento: deterioração de uma infraestrutura por ausência de manutenção e novos investimentos, geralmente decorrente de decisão política de desviar recursos para outra prioridade
  • Modernização do espaço: reorganização da rede técnica de um território segundo um projeto de desenvolvimento; no caso brasileiro, foi conduzida em torno do automóvel e da rodovia, não do trem

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "os gargalos rodoviários [...] forçam os governos [...] a retomar os planos de implantação dos trens regionais" → o trem foi abandonado no passado e hoje se tenta corrigir esse abandono; o excesso de rodovias saturadas é herança direta da opção anterior pelo transporte rodoviário
  • Evidência 2: "durante as últimas quatro décadas, a malha ferroviária foi esquecida e sucateada" → situa o processo entre 1970 e 2010, período em que o país já havia consolidado sua matriz rodoviária
  • Evidência 3: "nos anos 1960, mais de 100 milhões de passageiros utilizavam trens interurbanos" → comprova demanda expressiva antes do sucateamento, descartando a ideia de que as pessoas deixaram de precisar do trem por vontade própria
  • Síntese: o texto encadeia um "antes" (ferrovia forte) e um "depois" (duas linhas restantes, operadas por mineradora) — mudança que só se explica por uma política de Estado que investiu em rodovias e negligenciou os trilhos, não por fatores técnicos, ambientais ou de extensão territorial

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituir o contexto histórico da matriz de transportes brasileira

A malha ferroviária foi construída entre o final do século XIX e o início do XX, voltada ao escoamento de produtos de exportação (café, sobretudo) até os portos. A partir dos anos 1950, o Brasil muda de rota: o governo JK lança o Plano de Metas ("50 anos em 5"), com o automóvel como ícone. O Estado atraiu montadoras estrangeiras (Volkswagen, Ford, GM) e investiu pesadamente em rodovias (como a Belém-Brasília) para conectar a nova capital ao país. Esse padrão se aprofundou no regime militar (1964-1985), com grandes obras rodoviárias, enquanto a rede ferroviária não recebia aportes equivalentes.

Subpasso 4.2 — Ligar a política de investimento ao sucateamento descrito no texto

Com os recursos concentrados no modal rodoviário, as ferrovias de passageiros deixaram de receber manutenção, renovação de material rodante e expansão de linhas. Sem investimento, o serviço piorou, afastou passageiros e justificou novos cortes — um círculo vicioso que culminou no cenário do texto: de mais de 100 milhões de passageiros nos anos 1960 para apenas duas linhas remanescentes, geridas por uma mineradora (Vale) e voltadas a carga, não a passageiros.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com as alternativas, apenas uma nomeia a causa estrutural e política corretamente: a opção do Estado por priorizar a rodovia no processo de modernização do território, relegando a ferrovia a segundo plano. As demais descrevem sintomas do problema (queda de demanda, obsolescência) ou fatores sem respaldo no texto (extensão territorial, meio ambiente), não a causa raiz.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) redução da demanda populacional por trens interurbanos.

❌ Incorreta: inverte causa e efeito. O texto mostra que em 1960 havia mais de 100 milhões de passageiros de trem — a demanda existia e era alta. Ela só diminuiu depois, como consequência da falta de investimento e da piora do serviço, não como fator que originou o sucateamento.

B) inadequação dos trajetos em função da extensão do país.

❌ Incorreta: a grande extensão territorial do Brasil é, na verdade, argumento a favor do transporte ferroviário, mais eficiente que o rodoviário para longas distâncias e cargas volumosas. O texto não menciona problema de traçado ou de rota das ferrovias existentes.

C) precarização tecnológica frente a outros meios de deslocamento.

❌ Incorreta: confunde consequência com causa. A defasagem tecnológica dos trens foi resultado do longo período sem investimentos, não o fator que iniciou o abandono da malha ferroviária. É o sucateamento que gerou a precariedade, não o contrário.

D) priorização da malha rodoviária no período de modernização do espaço.

✅ Correta: a partir de meados do século XX, sobretudo no governo JK e depois no regime militar, o projeto de modernização do território foi organizado em torno da rodovia e da indústria automobilística, direcionando investimentos públicos para estradas em detrimento dos trilhos — exatamente o processo que explica a queda de mais de 100 milhões para poucos milhões de passageiros ferroviários.

E) ampliação dos problemas ambientais associados à conservação das ferrovias.

❌ Incorreta: não há, no texto ou na realidade histórica, indicação de que problemas ambientais ligados à manutenção de ferrovias tenham motivado seu abandono. É alternativa sem lastro factual, criada para testar a atenção do candidato.

🏆 Gabarito: D — o sucateamento das ferrovias brasileiras é resultado direto de uma política de Estado que, desde os anos 1950-60, priorizou a construção de rodovias como projeto de modernização do território, relegando o transporte ferroviário de passageiros ao abandono.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa D aponta a causa estrutural e histórica (decisão política de investimento) por trás do sucateamento; as demais confundem sintomas (queda de demanda, obsolescência) com causas ou trazem fatores sem sustentação no texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a matriz de transportes brasileira e o rodoviarismo como chave para entender problemas atuais de mobilidade, logística e meio ambiente (como as emissões de CO₂ do transporte de cargas por caminhão).
  • Generalização: em questões de Geografia e História sobre infraestrutura, desconfie de alternativas que apontam "efeitos" do problema (precarização, queda de demanda) como se fossem a "causa" — o ENEM adora testar essa inversão lógica.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que contradizem dados explícitos do texto (A, pela demanda alta em 1960) e as que trazem elementos não mencionados no enunciado (B e E); sobra a disputa entre C (efeito) e D (causa), e a leitura atenta do "porquê histórico" resolve a favor de D.
  • Conexões: compare com temas de industrialização brasileira (Plano de Metas, indústria automobilística) e com questões de geografia urbana sobre mobilidade e congestionamento nas metrópoles, ambos derivados do mesmo desequilíbrio na matriz de transportes.

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