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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 27ENEM 2016 PPL

A eugenia, tal como originalmente concebida, era a aplicação de “boas práticas de melhoramento” ao aprimoramento da espécie humana. Francis Galton foi o primeiro a sugerir com destaque o valor da reprodução humana controlada, considerando-a produtora do aperfeiçoamento da espécie.

ROSE, M. O espectro de Darwin . Rio de Janeiro: Zahar, 2000 (adaptado).

Um resultado da aplicação dessa teoria, disseminada a partir da segunda metade do século XIX, foi o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Eugenia, darwinismo social e racismo científico (séculos XIX-XX)
  • ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um conceito teórico (eugenia) às suas consequências históricas concretas, e não apenas decorar uma definição.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Eugenia e racismo científico como ideologias de exclusão; competência de identificar transformações e permanências nas relações de dominação (H12/H13 — Ciências Humanas).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi um resultado prático da aplicação da teoria eugênica a partir da segunda metade do século XIX?"
  • Palavras-chave decisivas: eugenia, melhoramento da espécie, resultado da aplicação
  • Armadilha típica: confundir o discurso "científico" e supostamente benevolente da eugenia (falar em "aprimoramento", "saúde", "progresso") com práticas humanitárias ou inclusivas — as alternativas A, C e E exploram justamente essa inversão de sentido.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a eugenia, na prática histórica, não gerou inclusão nem avanço social, mas sim mecanismos estatais de segregação, controle reprodutivo e violência contra grupos considerados "inferiores".

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Eugenia: doutrina formulada por Francis Galton (primo de Charles Darwin) na segunda metade do século XIX, que propunha "melhorar" geneticamente a espécie humana por meio do controle da reprodução, incentivando a reprodução de indivíduos considerados "aptos" (eugenia positiva) e impedindo a de indivíduos considerados "inaptos" (eugenia negativa).
  • Darwinismo social: aplicação distorcida das ideias de seleção natural de Darwin às sociedades humanas, usada para justificar hierarquias raciais, sociais e a ideia de que grupos "mais fortes" deveriam prevalecer sobre os "mais fracos".
  • Racismo científico: conjunto de teorias pseudocientíficas do século XIX e início do XX que buscavam legitimar, com aparência de ciência, a inferioridade biológica de determinados grupos étnicos, embasando políticas de exclusão.
  • Eugenia negativa em prática: conjunto de políticas de Estado — leis de esterilização compulsória, internação, segregação e, em seu extremo, extermínio (como no nazismo) — aplicadas a pessoas com deficiência, doenças mentais, "degenerados sociais" e minorias étnicas, em países como Estados Unidos, Suécia, Alemanha e também no Brasil (onde a eugenia influenciou debates sobre imigração e "branqueamento" da população).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "aplicação de 'boas práticas de melhoramento' ao aprimoramento da espécie humana" → revela que a eugenia se apresentava com um verniz científico e "positivo", mas seu critério de "melhoramento" implicava necessariamente excluir quem era classificado como "não desejável".
  • Evidência 2: "reprodução humana controlada" → aponta diretamente para o mecanismo central da eugenia: o Estado ou instituições interferindo em quem podia (ou não) se reproduzir, o que historicamente se traduziu em leis de esterilização forçada.
  • Evidência 3: "disseminada a partir da segunda metade do século XIX" → situa o fenômeno no contexto do imperialismo europeu, do darwinismo social e das políticas raciais que culminaram, no século XX, em programas estatais de segregação e extermínio (auge nos EUA das décadas de 1900-1930 e na Alemanha nazista).
  • Síntese: o enunciado descreve a teoria em seus próprios termos ("melhoramento", "aprimoramento"), mas a questão pede o resultado histórico real dessa teoria — que foi a perseguição institucionalizada de grupos marginalizados, não a inclusão deles.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo conceitual da eugenia

A eugenia, criada por Francis Galton em 1883, parte da premissa de que características humanas (inteligência, comportamento, saúde) são hereditárias e podem ser "aperfeiçoadas" por seleção artificial, como se faz com plantas e animais. Isso divide a humanidade entre os "aptos" (a serem incentivados a se reproduzir) e os "inaptos" (a serem impedidos de se reproduzir).

Subpasso 4.2 — Traduzir a teoria em política de Estado

A partir do final do século XIX e ao longo do século XX, diversos países transformaram esse discurso pseudocientífico em legislação concreta: nos Estados Unidos, mais de 30 estados aprovaram leis de esterilização compulsória de pessoas com deficiência intelectual, doentes mentais e criminosos entre 1907 e as décadas seguintes; na Alemanha nazista, a eugenia radicalizou-se em programas de esterilização em massa (Lei de Prevenção de Descendência com Doenças Hereditárias, 1933) e, posteriormente, no extermínio de judeus, ciganos, deficientes e outros grupos classificados como "racialmente inferiores". Em todos os casos, o "melhoramento da espécie" significou, na prática, prender, segregar e esterilizar pessoas.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando esse resultado histórico com as alternativas, apenas a opção D descreve corretamente essa consequência: "prisão e esterilização de pessoas com características consideradas inferiores". As demais alternativas descrevem o oposto do que a eugenia produziu (inclusão, combate às divisões sociais, reabilitação), o que confirma que a resposta converge para a letra D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) aprovação de medidas de inclusão social.

❌ Incorreta: a eugenia é, por definição, uma teoria excludente — ela classifica pessoas em "aptas" e "inaptas" para fins reprodutivos, o oposto de qualquer política de inclusão. Não há relação histórica entre eugenia e legislações inclusivas.

B) adoção de crianças com diferentes características físicas.

❌ Incorreta: a eugenia não tratava de adoção, mas de controle reprodutivo e hereditariedade biológica; ao contrário de valorizar a diversidade de características físicas, a teoria buscava eliminá-las, selecionando apenas traços considerados "desejáveis".

C) estabelecimento de legislação que combatia as divisões sociais.

❌ Incorreta: a legislação eugênica fez exatamente o contrário — institucionalizou e aprofundou divisões sociais e raciais, distinguindo juridicamente cidadãos "aptos" de "inaptos" e restringindo direitos reprodutivos e civis destes últimos.

D) prisão e esterilização de pessoas com características consideradas inferiores.

✅ Correta: esse foi o resultado histórico documentado da eugenia negativa — leis de esterilização compulsória e internação (institucionalização/prisão) de pessoas com deficiência, doenças mentais ou pertencentes a grupos étnicos discriminados, aplicadas em diversos países (EUA, Alemanha nazista, países escandinavos, entre outros) entre o final do século XIX e meados do XX.

E) desenvolvimento de próteses que possibilitavam a reabilitação de pessoas deficientes.

❌ Incorreta: a lógica eugênica não visava reabilitar ou incluir pessoas com deficiência — ao contrário, as classificava como "inaptas" e alvo de controle reprodutivo compulsório, o oposto de uma política de reabilitação.

🏆 Gabarito: D — a aplicação histórica da eugenia resultou em políticas de Estado de prisão (internação compulsória) e esterilização de pessoas consideradas "inferiores" biologicamente, e não em medidas de inclusão, reabilitação ou combate às desigualdades.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra D é a única alternativa compatível com os registros históricos sobre eugenia: leis de esterilização forçada e internação de pessoas com deficiência, doenças mentais ou de grupos étnicos discriminados vigoraram em diversos países entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a distinção entre o discurso "científico" ou "civilizatório" de teorias como a eugenia e o darwinismo social e suas consequências reais de exclusão, violência e genocídio — sempre pedindo que o estudante desmonte a retórica "positiva" do texto-base.
  • Generalização: sempre que um enunciado apresentar uma teoria do século XIX-XX com linguagem de "progresso", "aprimoramento" ou "civilização" (eugenia, darwinismo social, imperialismo, higienismo), desconfie de alternativas que soem benevolentes ou inclusivas — o gabarito costuma apontar para a consequência excludente e violenta real dessas teorias.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa com palavras como "inclusão", "combate às divisões", "reabilitação" ou "adoção" quando o tema for eugenia/racismo científico — esses termos são armadilhas que contradizem a lógica intrínseca da teoria (segregação e seleção reprodutiva).
  • Conexões: o tema se conecta ao nazismo e ao Holocausto (radicalização extrema da eugenia), e ao higienismo e às políticas de "branqueamento" no Brasil do início do século XX, que também usaram argumentos pseudocientíficos para justificar hierarquias raciais e sociais.

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