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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 113 — ENEM 2014Caderno azul · 2º Dia

Quando Deus redimiu da tirania

Da mão do Faraó endurecido

O Povo Hebreu amado, e esclarecido,

Páscoa ficou da redenção o dia.

Páscoa de flores, dia de alegria

Àquele Povo foi tão afligido

O dia, em que por Deus foi redimido;

Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.

Pois mandado pela alta Majestade

Nos remiu de tão triste cativeiro,

Nos livrou de tão vil calamidade.

Quem pode ser senão um verdadeiro

Deus, que veio estirpar desta cidade

O Faraó do povo brasileiro.

DAMASCENO, D. (Org.). Melhores poemas: Gregório de Matos. São Paulo: Globo, 2006.

Com uma elaboração de linguagem e uma visão de mundo que apresentam princípios barrocos, o soneto de Gregório de Matos apresenta temática expressa por

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Barroco brasileiro
  • ⚡ Nível: Médio — o elogio ao governador esconde a farpa.
  • 🎯 Tema/Habilidade: O soneto de Gregório de Matos ao governador.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: que traço o poema apresenta.
  • Estrutura da questão: o soneto compara a chegada do governador à libertação do povo hebreu por Deus.
  • Armadilha antecipada: ler o elogio como sincero. O exagero da comparação é o mecanismo da sátira barroca.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

A poesia satírica de Gregório de Matos usa o louvor hiperbólico como forma de crítica: quanto mais desproporcional o elogio, mais evidente a ironia.

Comparar um governador a Deus, que redimiu o povo hebreu do Faraó, é hipérbole que se denuncia sozinha.

O efeito é dizer, nas entrelinhas, que o cativeiro e a calamidade de que se fala vinham do próprio governo anterior — crítica velada à administração colonial.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

Observe a desproporção da comparação: o governador equiparado a Deus libertador.

Reconheça o procedimento satírico do Barroco: elogio excessivo como veículo de crítica.

O poema apresenta crítica velada à forma de governo vigente — alternativa C.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. O ceticismo não é o traço dominante: o poema opera pela ironia dirigida ao poder.
  • B) ✗ Incorreta. A preocupação com identidade nacional é questão do século XIX, não do Barroco colonial.
  • C) ✓ Correta. O elogio hiperbólico ao governador funciona como veículo de crítica à administração colonial.
  • D) ✗ Incorreta. A referência bíblica é instrumento da comparação, e não objeto de reflexão teológica.
  • E) ✗ Incorreta. Não há questionamento de práticas pagãs no soneto.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Elogio grande demais em Gregório de Matos é sempre sátira. A desproporção é o aviso.

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