Mapa de questões · 1º dia
Questão 87 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
Portadores de diabetes insipidus reclamam da confusão feita pelos profissionais da saúde quanto aos dois tipos de diabetes: mellitus e insipidus. Enquanto o primeiro tipo está associado aos níveis ou à ação da insulina, o segundo não está ligado à deficiência desse hormônio. O diabetes insipidus é caracterizado por um distúrbio na produção ou no funcionamento do hormônio antidiurético (na sigla em inglês, ADH), secretado pela neuro-hipófise para controlar a reabsorção de água pelos túbulos renais.
Tendo em vista o papel funcional do ADH, qual é um sintoma clássico de um paciente acometido por diabetes insipidus?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia Humana (Sistema Endócrino e Sistema Urinário)
- ⚡ Nível: Médio — exige articular o mecanismo do ADH sobre os rins com a diferenciação entre os dois tipos de diabetes
- 🎯 Tema/Habilidade: Hormônio antidiurético (ADH) e regulação da reabsorção de água nos túbulos renais; competência de interpretar um texto científico e aplicar conceitos de fisiologia humana
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Se o ADH não produz seu efeito normal sobre os rins, qual sintoma surge no paciente?"
- Palavras-chave decisivas: hormônio antidiurético (ADH), reabsorção de água, túbulos renais
- Armadilha típica: confundir diabetes insipidus com diabetes mellitus e marcar a alternativa sobre glicemia, ignorando que o próprio enunciado já avisa que os dois quadros não têm relação
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a falha do ADH compromete a reabsorção de água no rim, e não o metabolismo da glicose
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- ADH (hormônio antidiurético ou vasopressina): produzido por neurônios do hipotálamo, é armazenado e liberado pela neuro-hipófise. Sua função é aumentar a permeabilidade à água nos túbulos distais e nos ductos coletores dos néfrons.
- Mecanismo de ação: o ADH se liga a receptores nas células tubulares e estimula a inserção de canais de aquaporina na membrana, permitindo que a água filtrada retorne ao sangue e a urina saia concentrada.
- Diabetes insipidus: distúrbio na produção do ADH pela hipófise (forma central) ou na resposta dos rins a esse hormônio (forma nefrogênica). Em ambos os casos, o néfron não reabsorve água adequadamente.
- Diabetes mellitus (contraste proposital do enunciado): decorre da deficiência ou resistência à insulina, hormônio pancreático que controla a entrada de glicose nas células — mecanismo totalmente distinto do ADH, mas frequentemente confundido por causa do nome "diabetes" em comum.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o segundo [diabetes insipidus] não está ligado à deficiência desse hormônio [insulina]" → elimina de saída qualquer sintoma relacionado à glicose no sangue
- Evidência 2: "hormônio antidiurético (ADH), secretado pela neuro-hipófise para controlar a reabsorção de água pelos túbulos renais" → aponta exatamente qual função fisiológica está comprometida na doença
- Síntese: o enunciado monta o raciocínio pronto — se o ADH controla a reabsorção de água e está deficiente ou ineficaz, a consequência lógica é a perda de água pela urina, não qualquer alteração metabólica de glicose
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entendendo a via fisiológica normal do ADH
Quando o organismo está desidratado, osmorreceptores no hipotálamo detectam o aumento da osmolaridade do sangue e disparam a liberação de ADH pela neuro-hipófise. O hormônio viaja pela corrente sanguínea até os rins e age nos túbulos distais e ductos coletores, tornando-os permeáveis à água. Assim, grande parte da água que havia sido filtrada nos glomérulos volta para o sangue, e a urina eliminada sai pouca e concentrada. Esse é o mecanismo homeostático que evita a perda excessiva de água corporal.
Subpasso 4.2 — O que ocorre quando o ADH falha (diabetes insipidus)
No diabetes insipidus, ou a neuro-hipófise não secreta ADH suficiente (forma central), ou os rins não respondem adequadamente ao hormônio presente (forma nefrogênica). Em qualquer um dos casos, os túbulos e ductos coletores permanecem pouco permeáveis à água, de modo que a água filtrada não é reabsorvida. O resultado é a eliminação de um volume muito grande de urina diluída — a chamada poliúria, que pode chegar a vários litros por dia. Como essa água não retorna ao organismo, o paciente perde continuamente líquido corporal, o que leva à desidratação, acompanhada de sede intensa e constante (polidipsia) como tentativa do corpo de compensar a perda.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando o raciocínio com as alternativas: a única consequência diretamente compatível com "reabsorção de água comprometida → perda excessiva de água pela urina" é a desidratação. Isso confirma que a alternativa E é a resposta que fecha o raciocínio proposto pelo enunciado.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Alta taxa de glicose no sangue.
❌ Incorreta: hiperglicemia é sintoma característico do diabetes mellitus, ligado à falta ou resistência à insulina — hormônio pancreático sem relação com o ADH. O próprio texto avisa que o diabetes insipidus "não está ligado à deficiência desse hormônio [insulina]", eliminando essa opção.
B) Aumento da pressão arterial.
❌ Incorreta: a perda contínua de água pela urina reduz o volume de líquido circulante (hipovolemia), o que tende a diminuir a pressão arterial, e não aumentá-la. O efeito descrito na alternativa é o oposto do que a fisiologia prevê.
C) Ganho de massa corporal.
❌ Incorreta: como o paciente perde grandes volumes de água pela urina, o esperado é perda de massa corporal (por desidratação), e não ganho. Retenção de líquido e ganho de peso estariam associados ao excesso de ADH (como na síndrome de secreção inapropriada do ADH), situação oposta à do diabetes insipidus.
D) Anemia crônica.
❌ Incorreta: anemia envolve redução de hemácias ou hemoglobina, sem relação direta com a ação do ADH. Pelo contrário, a desidratação tende a concentrar o sangue (hemoconcentração), aumentando relativamente a proporção de células no plasma — efeito inverso ao da anemia.
E) Desidratação.
✅ Correta: sem ADH funcional, os túbulos renais não reabsorvem água de forma eficiente, gerando poliúria com urina diluída. A perda contínua de água leva à desidratação, sintoma clássico e diretamente decorrente da função do ADH descrita no enunciado.
🏆 Gabarito: E — a falha na ação do ADH impede a reabsorção de água nos túbulos renais, causando poliúria e, consequentemente, desidratação — o único sintoma coerente com a função hormonal descrita no texto.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a desidratação decorre logicamente da perda da capacidade renal de reabsorver água quando o ADH está ausente ou ineficaz; nenhuma outra alternativa se conecta a essa função hormonal.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar fisiologia hormonal a partir de contextos clínicos reais (diabetes, distúrbios da tireoide, hormônios sexuais), exigindo que o estudante relacione a função normal do hormônio com o que acontece na sua ausência ou excesso.
- Generalização: para questões desse tipo, identifique a função normal do hormônio no texto e raciocine pelo "efeito contrário": se o hormônio promove X, sua ausência causa a falta de X (e não um sintoma qualquer aleatório).
- Dica de eliminação rápida: corte de imediato qualquer alternativa que mencione glicose ou insulina (pertence ao diabetes mellitus, não ao insipidus) e desconfie de alternativas que sugiram retenção de líquido ou ganho de peso, pois o quadro descrito é de perda de água, não de acúmulo.
- Conexões: síndrome de secreção inapropriada do ADH (SIADH), em que o excesso do hormônio causa retenção de água e hiponatremia; e o sistema renina-angiotensina-aldosterona, outro eixo hormonal que também regula volume sanguíneo e pressão arterial.
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