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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 42ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou
lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Isso raramente ocorre atualmente.
Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Creio que sei o que está acontecendo.
Por mais de uma década venho passando mais tempo on-line, procurando e surfando e algumas vezes
acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor
como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em
minutos. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal
passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento.
E o que a net parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação.

CARR, N. Is Google making us stupid? Disponível em: www.theatlantic.com.
Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).

Em relação à internet, a perspectiva defendida pelo autor ressalta um paradoxo que se caracteriza por

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto argumentativo/jornalístico
  • ⚡ Nível: Médio — o texto é claro, mas as alternativas trazem paráfrases parecidas, e só uma reproduz com exatidão a relação de causa e efeito construída pelo autor.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificação de paradoxo em texto argumentativo; leitura crítica de relações lógicas implícitas no discurso.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual alternativa expressa a contradição (paradoxo) que o autor percebe na relação entre internet e sua capacidade de pensar?"
  • Palavras-chave decisivas: paradoxo, experiência superficial, abundância de informações
  • Armadilha típica: trocar o verdadeiro paradoxo — abundância de dados gerando pensamento raso — por ideias plausíveis mas ausentes do texto, como "desorganização da rede" (a internet é descrita como eficiente) ou "passividade da mídia" (o autor afirma o contrário, citando McLuhan).
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o problema não é a falta ou a desordem da informação, mas o efeito colateral do fácil acesso a muita informação: a perda da leitura profunda e da concentração.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Paradoxo: dois elementos aparentemente compatíveis produzem, juntos, um resultado contraditório. Aqui, "mais informação, mais rápido" gera "menos profundidade de pensamento".
  • Leitura profunda x leitura superficial: a imersão linear de livros e artigos longos contrasta com a leitura de varredura típica da navegação on-line, que privilegia velocidade em vez de aprofundamento.
  • Determinismo midiático (McLuhan): o meio não é um canal neutro — ele molda ativamente a forma como pensamos.
  • Abundância informacional: traço central da internet: tornar acessível em minutos dados que antes levavam dias para ser reunidos.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Pesquisas que antes exigiam dias de procura... agora podem ser feitas em minutos" → mostra a abundância e a velocidade de acesso à informação — o lado aparentemente positivo.
  • Evidência 2: "minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas" / "pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação" → mostra o efeito colateral: pensamento disperso e superficial.
  • Síntese: o autor conecta esses dois fatos como causa e consequência: quanto mais fácil e abundante o acesso à informação, mais rasa se torna a forma de processá-la. Esse ganho quantitativo com perda qualitativa é o paradoxo cobrado pela questão.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear a estrutura argumentativa

O texto parte de uma constatação pessoal ("Não estou mais pensando como costumava pensar"), descreve o hábito de leitura fragmentado, soma um dado objetivo sobre a eficiência da internet (buscas de dias viram minutos) e recorre a McLuhan para generalizar: todo meio molda o pensamento de quem o usa. A conclusão é que a internet está "pulverizando" sua concentração.

Subpasso 4.2 — Isolar o núcleo do paradoxo

O autor não reclama de excesso nem de desordem informacional. Ele descreve algo contraintuitivo: quanto mais fácil e abundante o acesso à informação, mais superficial fica o processamento dela. Esse é exatamente o par descrito na alternativa A: "associar uma experiência superficial à abundância de informações".

Subpasso 4.3 — Verificação

"Experiência superficial" = atenção que "divaga" e concentração "pulverizada"; "abundância de informações" = pesquisas resolvidas "em minutos". Nenhuma outra alternativa reproduz essa dupla relação de causa (abundância) e efeito (superficialidade) com fidelidade ao texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) associar uma experiência superficial à abundância de informações.

✅ Correta: reproduz o paradoxo do texto — a facilidade e o excesso de acesso à informação (buscas "em minutos") vêm acompanhados de leitura rasa e atenção fragmentada ("divagar", "pulverizar minha capacidade de concentração"). É essa junção entre "mais informação disponível" e "processamento mais superficial" que o autor descreve.

B) condicionar uma capacidade individual à desorganização da rede.

❌ Incorreta: o texto não atribui o problema a uma rede "desorganizada" — pelo contrário, a internet é eficiente, e é justamente por isso que buscas de dias viram minutos. O problema é o efeito cognitivo do uso, não a organização da rede.

C) agregar uma tendência contemporânea à aceleração do tempo.

❌ Incorreta: a rapidez das buscas aparece no texto, mas o foco argumentativo não é a "aceleração do tempo" como fenômeno geral. O cerne do paradoxo é cognitivo (perda de concentração), não uma discussão sobre velocidade temporal.

D) aproximar uma mídia inovadora à passividade da recepção.

❌ Incorreta: contraria diretamente o texto. O autor cita McLuhan para afirmar o oposto: "a mídia não é apenas um canal passivo... também molda o processo de pensamento". A mídia é ativa, não passiva.

E) equiparar uma ferramenta digital à tecnologia analógica.

❌ Incorreta: não há no texto nenhuma comparação entre tecnologia digital e analógica. É uma relação sem respaldo textual.

🏆 Gabarito: A — o paradoxo está em mostrar que a mesma internet que oferece acesso rápido e abundante a informações é responsável por tornar superficial a forma como o autor lê e pensa.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A conecta os dois polos reais do paradoxo — abundância de informação (causa) e superficialidade da leitura/pensamento (efeito) — sem inventar elementos ausentes do texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM usa recorrentemente textos sobre tecnologia e comportamento para testar se o candidato identifica contradições construídas na argumentação, não apenas o tema geral.
  • Generalização: em questões sobre "paradoxo", localize dois elementos que o senso comum diria compatíveis, mas que o autor mostra colidirem — e confira se a alternativa reproduz exatamente essa colisão, sem trocar termos por sinônimos que distorcem o sentido.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que contradigam uma afirmação explícita do texto (como D, sobre "passividade") e as que tragam elemento nunca mencionado (como E, sobre tecnologia analógica) — isso elimina metade das opções em segundos.
  • Conexões: o tema dialoga com a "cultura do imediatismo" e com a "modernidade líquida" de Zygmunt Bauman, além de textos sobre letramento digital e leitura hipertextual.

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