Mapa de questões · 1º dia
Questão 12 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
No início de maio de 2014, a instalação da plataforma petrolífera de perfuração HYSY-981 nas águas contestadas do Mar da China Meridional suscitou especulações sobre as motivações chinesas. Na avaliação de diversos observadores ocidentais, Pequim pretendeu, com esse gesto, demonstrar que pode impor seu controle e dissuadir outros países de seguir com suas reivindicações de direito de exploração dessas águas, como é o caso do Vietnã e das Filipinas.
KLARE, M.T. A guerra pelo petróleo se joga no mar. Le Monde Diplomatique Brasil, abr. 2015.
A ação da China em relação à situação descrita no texto evidencia um conflito que tem como foco o(a):
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica contemporânea e conflitos por recursos naturais e territórios marítimos
- ⚡ Nível: Médio — exige articular um evento noticioso pontual (2014) com o conceito estrutural de soberania territorial sobre águas marítimas
- 🎯 Tema/Habilidade: Conflitos geopolíticos no Mar da China Meridional — Competência de leitura crítica de textos geopolíticos e identificação de disputas por jurisdição territorial (Ciências Humanas, eixo de Geopolítica)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o verdadeiro objeto da disputa entre China, Vietnã e Filipinas revelado pela instalação da plataforma petrolífera no Mar da China Meridional?"
- Palavras-chave decisivas: águas contestadas, impor seu controle, reivindicações de direito de exploração
- Armadilha típica: o candidato lê "plataforma petrolífera" e "exploração" e marca imediatamente uma alternativa ligada a comércio ou tecnologia (C ou B), sem perceber que o petróleo é apenas o pretexto econômico de um conflito mais profundo, que é o de quem detém autoridade legal (soberania) sobre aquele espaço marítimo
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a disputa por recursos no Mar da China Meridional é, na essência, uma disputa por jurisdição territorial — ou seja, por reconhecimento internacional de quem tem o direito soberano de controlar e explorar aquelas águas
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Mar da China Meridional: área marítima estratégica cercada por China, Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan, disputada por conter rotas comerciais essenciais, reservas de petróleo e gás e recursos pesqueiros; não há consenso internacional sobre a demarcação das fronteiras marítimas da região.
- Soberania territorial (e sua extensão marítima): princípio do Direito Internacional segundo o qual um Estado exerce autoridade exclusiva sobre seu território, incluindo, conforme a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM/UNCLOS), mar territorial, zona contígua e Zona Econômica Exclusiva (ZEE); quando dois ou mais países reivindicam a mesma área, cria-se um conflito de jurisdição.
- "Linha dos nove traços" (nine-dash line): reivindicação histórica chinesa que abrange quase toda a extensão do Mar da China Meridional, sobrepondo-se às ZEEs declaradas por Vietnã, Filipinas e outros vizinhos — é essa sobreposição de reivindicações de soberania que gera o conflito descrito no texto.
- Geopolítica dos recursos energéticos: estratégia pela qual Estados usam a presença física (plataformas, bases, patrulhas navais) sobre um território para reforçar, na prática, uma reivindicação jurídica de soberania — o controle de recursos (petróleo) é consequência, não a causa primeira, do controle territorial.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "instalação da plataforma petrolífera de perfuração HYSY-981 nas águas contestadas do Mar da China Meridional" → o próprio enunciado classifica as águas como "contestadas", ou seja, sem consenso sobre a quem pertence a jurisdição sobre elas — o cerne já é territorial, não comercial
- Evidência 2: "Pequim pretendeu, com esse gesto, demonstrar que pode impor seu controle e dissuadir outros países de seguir com suas reivindicações de direito de exploração" → a ação chinesa não é apenas econômica: é um gesto político-militar de afirmação de autoridade, destinado a desencorajar Vietnã e Filipinas de exercerem direitos que também reivindicam sobre a mesma área — disputa clássica de soberania
- Síntese: o texto descreve três países (China, Vietnã, Filipinas) reivindicando simultaneamente o direito de explorar a mesma porção de mar. O petróleo é o recurso em jogo, mas o problema estrutural é que não está definido, sob o Direito Internacional, a quem pertence legalmente aquela água — logo, o conflito tem como foco a jurisdição da soberania territorial sobre o espaço marítimo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar os atores e o objeto da disputa
O texto apresenta três atores: China (que instala a plataforma), Vietnã e Filipinas (que também reivindicam "direito de exploração" da mesma área). Todos disputam a mesma porção do Mar da China Meridional. Isso já indica que o problema não é um conflito bilateral de comércio, mas uma sobreposição de reivindicações territoriais entre múltiplos Estados.
Subpasso 4.2 — Diferenciar o pretexto econômico da causa estrutural
A instalação de uma plataforma de petróleo poderia sugerir, à primeira vista, que o conflito é sobre "quem explora o recurso energético" (o que remeteria a alternativas como B ou E). Mas o próprio texto explicita que o objetivo chinês é "impor seu controle" e "dissuadir" os vizinhos de suas "reivindicações de direito". Ou seja: a plataforma é usada como instrumento político para reforçar uma reivindicação de soberania, não como um fim comercial em si. Em geopolítica, essa é a lógica clássica de ocupação de território contestado — ocupar fisicamente para consolidar juridicamente.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao comparar essa leitura com as cinco alternativas, apenas uma trata diretamente de "quem tem autoridade legal/soberana sobre o território marítimo": a alternativa que fala em jurisdição da soberania territorial. As demais alternativas mencionam elementos que aparecem no texto de forma indireta (zonas econômicas, tecnologia extrativa, comércio, indústria), mas nenhuma delas capta o núcleo do conflito, que é a disputa por quem detém o direito soberano sobre aquelas águas.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Distribuição das zonas econômicas especiais.
❌ Incorreta: "zonas econômicas especiais" é um conceito distinto — refere-se a áreas com regime tributário e regulatório diferenciado para atrair investimento (como as ZEEs chinesas de Shenzhen ou Xiamen, criadas nos anos 1980 para o comércio interno/exterior), e não à Zona Econômica Exclusiva marítima nem à disputa territorial descrita no texto. É um termo-armadilha que soa parecido com "zona econômica exclusiva", mas designa outra coisa.
B) Monopólio das inovações tecnológicas extrativas.
❌ Incorreta: o texto não menciona disputa por tecnologia de extração de petróleo nem por know-how; a HYSY-981 é citada apenas como o instrumento usado para ocupar fisicamente a área. O conflito não é sobre quem detém melhor tecnologia, mas sobre quem tem o direito de estar ali.
C) Dinamização da atividade comercial.
❌ Incorreta: embora o petróleo tenha valor comercial, o texto não descreve uma disputa para "aumentar o comércio" ou fomentar trocas econômicas; ao contrário, descreve uma ação de afirmação de poder e dissuasão, que é política e territorial, não comercial.
D) Jurisdição da soberania territorial.
✅ Correta: o texto deixa claro que China, Vietnã e Filipinas reivindicam, cada um, o direito sobre a mesma área marítima ("águas contestadas"), e que a instalação da plataforma é um gesto para "impor controle" e "dissuadir" as reivindicações alheias. Esse é exatamente o núcleo de um conflito de jurisdição territorial: definir, na prática e diplomaticamente, a quem pertence a autoridade soberana sobre aquele espaço.
E) Embargo da produção industrial.
❌ Incorreta: não há, em nenhum momento do texto, menção a bloqueio, sanção ou impedimento de produção industrial entre os países citados; "embargo" é um conceito de política comercial/diplomática distinto do que está sendo narrado, que é uma disputa por controle territorial marítimo.
🏆 Gabarito: D — a ação chinesa evidencia uma disputa pela jurisdição da soberania territorial sobre águas do Mar da China Meridional, já que múltiplos países (China, Vietnã, Filipinas) reivindicam simultaneamente autoridade legal sobre a mesma área marítima.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra D é a única alternativa que descreve corretamente a natureza do conflito — uma disputa entre Estados por quem detém a autoridade soberana (jurisdição) sobre um território marítimo contestado, com o petróleo funcionando como estopim e instrumento, não como causa estrutural.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra conflitos geopolíticos contemporâneos (Mar da China Meridional, Ártico, Oriente Médio, Amazônia Azul brasileira) em que recursos naturais — petróleo, gás, pesca — servem de estopim para disputas mais profundas de soberania e controle territorial; a banca gosta de testar se o aluno confunde o recurso em disputa com a causa real do conflito.
- Generalização: sempre que um texto descrever um país ocupando fisicamente uma área contestada (com bases, plataformas, patrulhas) para "impor controle" sobre outros que também reivindicam aquele espaço, a resposta correta tende a apontar para soberania/jurisdição territorial, e não para o recurso econômico específico em jogo.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas que citem termos técnicos de política comercial ou industrial (zonas econômicas especiais, embargo, monopólio tecnológico) quando o texto não descrever negociação comercial nenhuma — presença de palavras como "impor controle", "dissuadir" e "reivindicações" quase sempre aponta para soberania/território, não para economia.
- Conexões: compare com a disputa do Ártico entre Rússia, Canadá, EUA, Noruega e Dinamarca por reservas de petróleo e novas rotas marítimas com o degelo, e com a "Amazônia Azul" brasileira, em que o Brasil reivindica ampliação de sua Zona Econômica Exclusiva junto à ONU — ambos são casos de geopolítica dos recursos naturais atrelada à jurisdição sobre o mar.
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