Mapa de questões · 1º dia
Questão 21 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
Pois quem seria tão inútil ou indolente a ponto de não desejar saber como e sob que espécie de constituição os romanos conseguiram em menos de cinquenta e três anos submeter quase todo o mundo habitado ao seu governo exclusivo — fato nunca antes ocorrido? Ou, em outras palavras, quem seria tão apaixonadamente devotado a outros espetáculos ou estudos a ponto de considerar qualquer outro objetivo mais importante que a aquisição desse conhecimento?
POLÍBIO. História. Brasília: Editora UnB, 1985.
A experiência a que se refere o historiador Políbio, nesse texto escrito no século II a.C., é a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Antiguidade Clássica (expansão territorial de Roma)
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer o contexto histórico de Políbio e descartar distratores de outras épocas (Grécia arcaica, cristianismo, Roma monárquica)
- 🎯 Tema/Habilidade: Imperialismo romano republicano; leitura e contextualização de fonte histórica primária (competência de análise de documentos históricos)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "A que processo histórico Políbio se refere ao descrever a conquista romana de quase todo o mundo habitado em menos de 53 anos?"
- Palavras-chave decisivas: submeter quase todo o mundo habitado, governo exclusivo, cinquenta e três anos
- Armadilha típica: confundir o contexto romano (século II a.C., já potência mediterrânea) com episódios de outras épocas — a fundação da República (expulsão dos etruscos, século VI a.C.) ou a organização militar grega arcaica (falanges hoplitas), que nada têm a ver com o recorte temporal do texto.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar, a partir de um trecho de fonte primária, o fenômeno histórico central que ele descreve — a expansão militar e política de Roma sobre o Mediterrâneo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Políbio e as Histórias: historiador grego levado como refém a Roma no século II a.C., testemunhou de perto a ascensão romana. Sua obra busca explicar como e por que Roma conseguiu, em tempo recorde, subjugar praticamente todo o Mediterrâneo conhecido.
- Os "53 anos": Políbio delimita esse intervalo entre 220 a.C. (véspera da Segunda Guerra Púnica) e 168 a.C. (vitória sobre a Macedônia na Batalha de Pidna) — período em que Roma derrota Cartago, submete a Grécia e a Macedônia, consolidando-se como potência hegemônica.
- Imperialismo romano republicano: política sistemática de guerras de conquista, anexação de territórios, exploração de tributos e escravização de povos vencidos, sustentada por uma máquina militar (a legião) e por uma elite senatorial que se beneficiava diretamente da expansão.
- Distinção temporal importante: a submissão dos etruscos ocorre na fundação da República (509 a.C.) e as falanges hoplitas são um modelo militar da Grécia arcaica/clássica — ambos anteriores e de escala muito menor que o processo descrito por Políbio.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "submeter quase todo o mundo habitado ao seu governo exclusivo" → indica domínio político-militar de escala continental, não um episódio local ou pontual.
- Evidência 2: "em menos de cinquenta e três anos" e "fato nunca antes ocorrido" → reforça a ideia de velocidade e ineditismo, características do avanço expansionista romano após as Guerras Púnicas.
- Síntese: o texto é um comentário reflexivo sobre a rapidez e a amplitude da conquista romana — ou seja, sobre a concretização do projeto de expansão territorial e dominação política de Roma sobre o mundo mediterrâneo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o autor, a obra e o momento histórico
Políbio escreve no século II a.C., como observador direto do apogeu expansionista de Roma. Ele não descreve a fundação da cidade, nem instituições religiosas ou sociais isoladas: ele quer entender o mecanismo que levou Roma a dominar "quase todo o mundo habitado".
Subpasso 4.2 — Traduzir o vocabulário histórico do texto
"Submeter... ao seu governo exclusivo" é a definição clássica de conquista imperialista: um poder central que anexa territórios estrangeiros e os subordina política e economicamente. "Menos de cinquenta e três anos" ancora esse processo num intervalo específico da história romana (aproximadamente 220–168 a.C.), correspondente às Guerras Púnicas contra Cartago e às Guerras Macedônicas contra os reinos helenísticos.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando o vocabulário ("submeter", "governo exclusivo", "todo o mundo habitado") com o recorte temporal (século II a.C., já na fase republicana avançada), a única leitura coerente é a de que Políbio narra a concretização de um projeto de dominação territorial — isto é, o desígnio imperialista romano se tornando realidade histórica. Nenhuma das demais opções corresponde a esse recorte de tempo, escala geográfica ou natureza do processo.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ampliação do contingente de camponeses livres.
❌ Incorreta: esse é um tema ligado às reformas agrárias dos irmãos Graco (final do século II a.C.), motivadas justamente pela crise causada pela expansão (concentração de terras, uso maciço de mão de obra escrava). Não é o que o texto de Políbio descreve — ele fala de conquista territorial, não de política agrária interna.
B) consolidação do poder das falanges hoplitas.
❌ Incorreta: a falange hoplita é um modelo de organização militar típico das cidades-Estado gregas da Antiguidade arcaica e clássica (séculos VIII–V a.C.), não do exército romano do século II a.C., que já operava com o sistema de legiões. É um anacronismo geográfico e cronológico em relação ao texto.
C) concretização do desígnio imperialista.
✅ Correta: o texto de Políbio descreve exatamente a materialização de um projeto expansionista — a submissão de "quase todo o mundo habitado" ao governo romano em tempo recorde é a própria definição histórica de imperialismo em ação, sustentado pela força militar e pela vontade de dominação política de Roma.
D) adoção do monoteísmo cristão.
❌ Incorreta: anacronismo evidente — o cristianismo só surge a partir do século I d.C. e só se torna religião oficial do Império Romano no século IV d.C., mais de duzentos anos depois do texto de Políbio, que escreve no século II a.C.
E) libertação do domínio etrusco.
❌ Incorreta: refere-se à fundação da República Romana, por volta de 509 a.C., quando Roma expulsou os últimos reis de origem etrusca. Trata-se de um evento local, restrito ao Lácio, e muito anterior ao processo de dominação de "quase todo o mundo habitado" narrado no texto.
🏆 Gabarito: C — o texto de Políbio descreve a rápida e inédita submissão de territórios ao governo romano, ou seja, a concretização prática do projeto expansionista/imperialista de Roma no século II a.C.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C corresponde à escala geográfica (quase todo o mundo habitado), ao recorte temporal (século II a.C.) e à natureza do processo (dominação política-militar) descritos no texto de Políbio.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa fontes históricas primárias (historiadores antigos, cronistas, viajantes) para testar se o estudante consegue contextualizar um trecho dentro do processo histórico correto, sem se perder em armadilhas de outras épocas.
- Generalização: ao interpretar um excerto de fonte histórica antiga, sempre localize o autor, a data de composição e o recorte temporal mencionado no próprio texto — isso elimina imediatamente alternativas anacrônicas ou fora de escala.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer opção que mencione um fenômeno posterior ao texto (como o cristianismo, alternativa D) e qualquer opção que se refira a um contexto geográfico ou militar incompatível (falanges gregas, alternativa B); isso já elimina duas alternativas em segundos.
- Conexões: Guerras Púnicas e Guerras Macedônicas; teoria da anaciclose de Políbio (ciclo das formas de governo); crise agrária e reformas dos Graco como consequência do próprio imperialismo romano.
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