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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 16ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

Questão 016 – ENEM 2016 -

Dentro das atuais redes produtivas, o referido bloco apresenta composição estratégica por se tratar de um conjunto de países com

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Globalização econômica, blocos regionais e redes produtivas globais
  • ⚡ Nível: Médio — exige ler o mapa da Parceria Transpacífica e relacionar a diversidade de países ao conceito de complementaridade nas cadeias produtivas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Blocos econômicos e nova divisão internacional do trabalho — competência de área de Geografia voltada à análise das transformações no mundo do trabalho e nas relações econômicas internacionais
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que um bloco formado por países tão diferentes entre si é estratégico dentro da produção globalizada atual?"
  • Palavras-chave decisivas: redes produtivas, composição estratégica, conjunto de países
  • Armadilha típica: supor que todo bloco econômico exige semelhança entre os membros — como se precisasse haver moeda comum (à moda da União Europeia), nível tecnológico parecido ou cultura compartilhada. O candidato desatento projeta o modelo europeu de integração para qualquer bloco.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a força estratégica do bloco vem da complementaridade — cada país entra com um recurso diferente (mão de obra, tecnologia, matéria-prima, mercado consumidor, posição geográfica) dentro da mesma cadeia de produção.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Parceria Transpacífica (TPP): acordo de livre comércio assinado em 2016 por 12 países banhados ou diretamente ligados ao Oceano Pacífico, com o objetivo de reduzir tarifas alfandegárias e integrar cadeias produtivas entre economias muito distintas.
  • Redes produtivas globais (cadeias globais de valor): modelo de produção em que as etapas de fabricação de um mesmo bem são distribuídas por vários países, cada um assumindo a fase para a qual oferece a melhor condição (custo, tecnologia, insumo, logística).
  • Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT): repartição das tarefas produtivas em escala mundial — países centrais concentram pesquisa, design e tecnologia de ponta, enquanto países periféricos e semiperiféricos fornecem mão de obra barata, matérias-primas e etapas de montagem.
  • Vantagem locacional: benefício que um território oferece a determinada atividade econômica (proximidade de portos, custo da mão de obra, disponibilidade de recursos naturais, tamanho do mercado consumidor); não é fixa nem natural — pode ser construída por infraestrutura e política econômica.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: o mapa "Parceria Transpacífica" reúne Canadá e Estados Unidos (potências industriais e tecnológicas), México, Peru e Chile (economias emergentes ricas em recursos naturais e mão de obra), Japão, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia (desenvolvidos, mas com perfis produtivos diferentes entre si) e Vietnã, Malásia e Brunei Darussalam (economias de industrialização recente com mão de obra barata) → revela que o critério de formação do bloco não é semelhança de renda, tecnologia ou cultura, e sim posições diferentes — e complementares — dentro da produção globalizada.
  • Evidência 2: o enunciado fala em "atuais redes produtivas" → sinaliza que a chave de leitura é a fragmentação internacional da produção, não uma integração política, cultural ou monetária.
  • Síntese: a alternativa correta precisa expressar exatamente essa lógica — países muito diferentes que se completam dentro da cadeia produtiva — e não qualquer forma de uniformidade entre os membros.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Lendo a composição do bloco no mapa

Observe os doze países em cinza-escuro: na América do Norte, Canadá, Estados Unidos e México; na América do Sul, Peru e Chile; na Ásia, Japão, Vietnã, Cingapura, Malásia e Brunei Darussalam; na Oceania, Austrália e Nova Zelândia. São quatro continentes, línguas distintas, rendas per capita que vão de altíssimas (EUA, Austrália, Japão) a bem mais modestas (Vietnã, Brunei) e histórias culturais sem unidade entre si. O único traço comum é estarem voltados ao Oceano Pacífico — indício de que a lógica do agrupamento é logística e produtiva, não identitária.

Subpasso 4.2 — Associando ao conceito de redes produtivas

Nas redes produtivas contemporâneas, uma mercadoria deixa de ser fabricada inteiramente em um único país: sua produção é fatiada em etapas, cada uma alocada onde é mais vantajosa. Chile e Peru contribuem com matérias-primas; Vietnã, Malásia e Brunei oferecem mão de obra barata; o México funciona como plataforma de montagem próxima ao mercado consumidor norte-americano; Japão, Cingapura e Estados Unidos entram com tecnologia e capital; Austrália e Nova Zelândia agregam recursos naturais e agropecuária de alto valor. Nenhum país sozinho concentra todas essas vantagens — juntos, formam uma cadeia produtiva completa. Esse encaixe de funções diferentes é o que os geógrafos chamam de vantagens locacionais complementares.

Subpasso 4.3 — Verificação

Voltando às alternativas, apenas a que menciona complementaridade de vantagens locacionais é compatível com um bloco tão heterogêneo em renda, tecnologia, cultura e moeda. Qualquer alternativa que exija uniformidade entre os membros (padrão social, tecnologia, cultura, sistema monetário) contradiz a própria composição do mapa, que mistura economias centrais e periféricas.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) elevado padrão social.

❌ Incorreta: o bloco reúne países com padrões sociais muito desiguais — Estados Unidos, Austrália e Japão têm IDH elevadíssimo, enquanto Vietnã, Brunei, Peru e Malásia apresentam indicadores sociais bem inferiores. Não há um "padrão social elevado" comum que justifique a união.

B) sistema monetário integrado.

❌ Incorreta: diferentemente da União Europeia (que possui o euro como moeda única em parte dos membros), a Parceria Transpacífica não cria moeda comum nem banco central compartilhado — cada país mantém sua própria moeda e política monetária autônoma.

C) alto desenvolvimento tecnológico.

❌ Incorreta: o alto desenvolvimento tecnológico é característica apenas de parte do bloco (Japão, Estados Unidos, Cingapura); países como Vietnã, Brunei, Peru e Malásia têm desenvolvimento tecnológico baixo ou intermediário, funcionando como fornecedores de mão de obra e recursos, não de tecnologia.

D) identidades culturais semelhantes.

❌ Incorreta: o bloco combina culturas latino-americanas (México, Peru, Chile), anglo-saxãs (EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia), asiáticas (Japão, Vietnã, Malásia, Cingapura, Brunei) e línguas completamente distintas — não existe identidade cultural compartilhada entre eles.

E) vantagens locacionais complementares.

✅ Correta: cada país contribui com um elemento diferente para as redes produtivas globais — mão de obra barata, matéria-prima, tecnologia, capital, posição logística estratégica no Pacífico ou proximidade de grandes mercados consumidores. É justamente essa complementaridade de vantagens locacionais que torna o bloco estrategicamente competitivo, mesmo reunindo países tão distintos.

🏆 Gabarito: E — a Parceria Transpacífica é estratégica porque reúne países com papéis diferentes e complementares dentro das cadeias produtivas globais, e não porque seus membros são parecidos entre si em renda, cultura, moeda ou tecnologia.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa E capta a lógica da fragmentação produtiva global — o bloco funciona pela complementaridade de vantagens locacionais, não pela uniformidade entre seus membros.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a formação de blocos econômicos (Mercosul, União Europeia, TPP/CPTPP, Nafta/USMCA, BRICS) pedindo que o estudante diferencie os critérios de formação — geográfico, econômico, produtivo ou político — evitando a generalização de que "todo bloco busca semelhança entre seus membros".
  • Generalização: sempre que um bloco reunir países muito diferentes entre si em renda, tecnologia e cultura, a resposta correta tende a envolver complementaridade econômica ou produtiva, e não semelhança.
  • Dica de eliminação rápida: observe primeiro a diversidade geográfica do mapa (quatro continentes, países ricos e pobres lado a lado); isso já elimina de cara qualquer alternativa que fale em "padrão", "identidade cultural" ou "moeda única" — critérios típicos de blocos de integração regional próxima (como a UE), não de redes produtivas globais.
  • Conexões: Nova Divisão Internacional do Trabalho, Cadeias Globais de Valor, Divisão Territorial do Trabalho e globalização econômica são temas que se articulam diretamente com esta questão.

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