Mapa de questões · 1º dia
Questão 54 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
Durante a primeira fase do projeto de uma usina de geração de energia elétrica, os engenheiros da equipe
de avaliação de impactos ambientais procuram saber se esse projeto está de acordo com as normas ambientais.
A nova planta estará localizada à beira de um rio, cuja temperatura média da água é de 25 °C, e usará a sua
água somente para refrigeração. O projeto pretende que a usina opere com 1,0 MW de potência elétrica e, em
razão de restrições técnicas, o dobro dessa potência será dissipada por seu sistema de arrefecimento, na forma de calor. Para atender a resolução número 430, de 13 de maio de 2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, com uma ampla margem de segurança, os engenheiros determinaram que a água só poderá ser devolvida ao rio com um aumento de temperatura de, no máximo, 3 °C em relação à temperatura da água do rio captada pelo sistema de arrefecimento. Considere o calor específico da água igual a 4 kJ/(kg °C).
Para atender essa determinação, o valor mínimo do fluxo de água, em kg/s, para a refrigeração da usina deve ser mais próximo de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Termologia (calorimetria, potência térmica e fluxo de massa)
- ⚡ Nível: Médio — envolve identificar corretamente a potência térmica dissipada (e não a elétrica) e manipular a equação da calorimetria em regime de fluxo contínuo.
- 🎯 Tema/Habilidade: Calorimetria aplicada a sistemas de refrigeração industrial — compreender a relação entre potência, calor específico e variação de temperatura em processos tecnológicos.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a menor vazão de água (em kg/s) capaz de absorver o calor dissipado pela usina sem que a água devolvida ao rio ultrapasse 3 °C de aquecimento?"
- Palavras-chave decisivas: o dobro dessa potência, aumento de temperatura de, no máximo, 3 °C, valor mínimo do fluxo
- Armadilha típica: usar a potência elétrica de 1,0 MW no lugar da potência térmica realmente dissipada (2,0 MW), ignorando a informação de que o sistema de arrefecimento dissipa o dobro da potência elétrica gerada.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de separar corretamente as grandezas do enunciado (potência elétrica × potência térmica dissipada), aplicar P = ṁ·c·ΔT e isolar ṁ com as unidades devidamente convertidas (MW → kW → kJ/s).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Potência térmica (P): quantidade de energia térmica transferida por unidade de tempo, medida em watts (J/s) ou seus múltiplos, como kW e MW (1 MW = 1000 kW = 1000 kJ/s).
- Calor específico (c): energia necessária para elevar em 1 °C a temperatura de 1 kg de uma substância. Para a água, o enunciado fornece c = 4 kJ/(kg·°C).
- Equação fundamental da calorimetria em regime de fluxo: Q = m·c·ΔT descreve o calor trocado por uma massa fixa; dividindo por um intervalo de tempo, obtém-se a versão para fluxo contínuo, P = ṁ·c·ΔT, em que ṁ é a vazão mássica (kg/s) — essencial para sistemas que operam continuamente, como o resfriamento de uma usina.
- Balanço de energia no arrefecimento: toda a potência térmica que a usina não converte em eletricidade precisa ser absorvida pela água de refrigeração, que sai do sistema mais quente do que entrou.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a usina opere com 1,0 MW de potência elétrica e, em razão de restrições técnicas, o dobro dessa potência será dissipada por seu sistema de arrefecimento, na forma de calor" → revela que a potência que efetivamente aquece a água de refrigeração NÃO é 1,0 MW, mas sim 2,0 MW — o dobro da potência elétrica gerada.
- Evidência 2: "a água só poderá ser devolvida ao rio com um aumento de temperatura de, no máximo, 3 °C" → define o ΔT máximo permitido pela legislação ambiental. Como se busca o fluxo mínimo de água, deve-se usar exatamente esse ΔT máximo: quanto maior a variação de temperatura permitida, menor a massa de água necessária para remover a mesma quantidade de calor.
- Síntese: o problema pede a menor vazão mássica de água capaz de absorver 2,0 MW de potência térmica elevando sua temperatura em no máximo 3 °C — basta isolar ṁ na equação P = ṁ·c·ΔT usando esses dois valores corretos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a potência térmica correta
A potência elétrica gerada é 1,0 MW, mas o enunciado é explícito: o sistema de arrefecimento dissipa o dobro dessa potência, na forma de calor. Logo:
P(dissipada) = 2 × 1,0 MW = 2,0 MW
Convertendo para as unidades do calor específico fornecido (kJ e segundos):
2,0 MW = 2000 kW = 2000 kJ/s
(pois 1 MW = 1000 kW e 1 kW = 1 kJ/s)
Subpasso 4.2 — Aplicar a equação de calorimetria em regime de fluxo
A potência térmica removida pela água é dada por:
P = ṁ · c · ΔT
Isolando a vazão mássica ṁ:
ṁ = P ÷ (c · ΔT)
Substituindo os valores identificados:
- P = 2000 kJ/s
- c = 4 kJ/(kg·°C)
- ΔT = 3 °C (o máximo permitido, que gera o fluxo mínimo)
ṁ = 2000 ÷ (4 × 3) = 2000 ÷ 12 ≈ 166,7 kg/s
Subpasso 4.3 — Verificação
Arredondando, ṁ ≈ 167 kg/s, valor que casa exatamente com a alternativa C. A análise dimensional confirma a coerência: (kJ/s) ÷ [(kJ/(kg·°C)) × °C] = (kJ/s) ÷ (kJ/kg) = kg/s ✓. Um teste de sanidade reforça a lógica inversa entre ΔT e vazão: se o ΔT permitido fosse maior (por exemplo, 6 °C), a vazão mínima cairia pela metade (≈ 83 kg/s) — exatamente o comportamento esperado, já que mais "espaço térmico" por quilograma de água exige menos água para remover o mesmo calor.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 42.
❌ Incorreta: esse valor surge de um erro de troca entre as grandezas do enunciado — ao interpretar erroneamente que o "dobro" se aplica ao ΔT (usando 6 °C) em vez de à potência (mantendo 1,0 MW = 1000 kJ/s como potência dissipada), chega-se a ṁ = 1000 ÷ (4 × 6) = 41,7 ≈ 42 kg/s. O erro conceitual é aplicar a duplicação à grandeza errada do problema.
B) 84.
❌ Incorreta: é a armadilha central da questão. Se o candidato usar a potência elétrica (1,0 MW = 1000 kJ/s) em vez da potência térmica dissipada (2,0 MW), obtém ṁ = 1000 ÷ (4 × 3) = 83,3 ≈ 84 kg/s. O erro é ignorar que o sistema de arrefecimento dissipa o dobro da potência elétrica gerada.
C) 167.
✅ Correta: resulta da aplicação correta de ṁ = P ÷ (c · ΔT), com P = 2,0 MW (a potência térmica de fato dissipada, o dobro da elétrica) e ΔT = 3 °C (o aumento máximo permitido pela Resolução CONAMA 430/2011), fornecendo ṁ = 2000 ÷ 12 ≈ 166,7 kg/s ≈ 167 kg/s.
D) 250.
❌ Incorreta: pode ser obtida ao usar somente a potência elétrica (1000 kJ/s) dividida apenas pelo calor específico, sem considerar o ΔT (ṁ = 1000 ÷ 4 = 250 kg/s). Esse erro combina duas falhas: esquecer de dobrar a potência para obter a dissipada e negligenciar completamente o fator de variação de temperatura de 3 °C fornecido no enunciado.
E) 500.
❌ Incorreta: surge ao usar corretamente a potência térmica dissipada (2,0 MW = 2000 kJ/s), mas ignorando o valor do ΔT de 3 °C e tratando a variação de temperatura como se fosse igual a 1 °C: ṁ = 2000 ÷ 4 = 500 kg/s. O erro conceitual é desconsiderar a condição ambiental central do problema — o aumento máximo de temperatura estabelecido pela norma.
🏆 Gabarito: C — o fluxo mínimo de água é obtido isolando ṁ na equação P = ṁ·c·ΔT com a potência térmica corretamente dobrada (2,0 MW) e o ΔT máximo permitido (3 °C), resultando em ṁ ≈ 167 kg/s.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa C nasce do uso simultâneo e correto das duas informações-chave do enunciado — a potência térmica dissipada (o dobro da elétrica) e o ΔT máximo de 3 °C exigido pela legislação ambiental; qualquer desvio em uma dessas duas grandezas leva a um dos distratores.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente contextualiza calorimetria em situações tecnológicas ou ambientais (usinas, chuveiros, trocadores de calor, resfriamento industrial), exigindo do estudante não apenas decorar a fórmula Q = m·c·ΔT, mas interpretar enunciados longos para extrair os dados corretos em meio a informações "de disfarce" (como a diferença entre potência elétrica e potência dissipada).
- Generalização: em problemas de potência térmica associada a fluxo contínuo de fluido, sempre reescreva a equação de calorimetria na forma P = ṁ·c·ΔT e, antes de substituir, confira com atenção redobrada qual grandeza do texto representa de fato a potência a ser trocada — ela raramente é a primeira informação numérica que aparece.
- Dica de eliminação rápida: converta todas as unidades para o mesmo sistema (kJ e segundos) antes de qualquer cálculo; isso elimina erros grosseiros de ordem de grandeza e ajuda a identificar rapidamente se um resultado "bate" com a ordem de grandeza esperada (dezenas versus centenas de kg/s).
- Conexões: o mesmo raciocínio de calorimetria em regime de fluxo aparece em questões sobre trocadores de calor, eficiência energética de usinas termelétricas e cálculo de consumo de água/energia em processos industriais — vale revisar também o conceito de rendimento térmico, que costuma acompanhar esse tipo de contexto.
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