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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 4ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

O Rio de Janeiro tem projeção imediata no próprio estado e no Espírito Santo, em parcela do sul do estado da Bahia, e na Zona da Mata, em Minas Gerais, onde tem influência dividida com Belo Horizonte. Compõem a rede urbana do Rio de Janeiro, entre outras cidades: Vitória, Juiz de Fora, Cachoeiro de Itapemirim, Campos dos Goytacazes, Volta Redonda – Barra Mansa, Teixeira de Freitas, Angra dos Reis e Teresópolis.

Disponível em: http://ibge.gov.br. Acesso em: 9 jul. 2015 (adaptado).

O conceito que expressa a relação entre o espaço apresentado e a cidade do Rio de Janeiro é:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Urbana (rede urbana, hierarquia de cidades e regionalização)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto é direto, mas as alternativas trazem conceitos urbanos parecidos que exigem definição precisa
  • 🎯 Tema/Habilidade: Rede urbana brasileira e o conceito de região polarizada — competência de aplicar conceitos geográficos à análise da organização do espaço
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Como se chama a relação em que uma grande cidade exerce influência e comanda fluxos sobre cidades espalhadas por vários estados?"
  • Palavras-chave decisivas: projeção, influência, rede urbana, influência dividida com Belo Horizonte
  • Armadilha típica: confundir área de influência (relação funcional, que pula fronteiras e não precisa de continuidade física) com conurbação (colagem física entre manchas urbanas vizinhas). São coisas completamente diferentes.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que o texto descreve hierarquia e comando funcional de uma metrópole sobre uma área ampla e descontínua, não uma vizinhança física.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Rede urbana: conjunto de cidades articuladas entre si por fluxos (mercadorias, serviços, capitais, informação, pessoas). Nela existe hierarquia: cidades maiores oferecem serviços mais raros e comandam as menores.
  • Região polarizada (ou região funcional): área organizada em torno de um polo — uma cidade que atrai e comanda os fluxos das cidades ao redor. Sua unidade não vem de a paisagem ser parecida, mas da dependência funcional em relação ao centro.
  • Região homogênea: o contraponto — área delimitada por semelhança interna (mesmo clima, mesma vegetação, mesma economia). Não é o caso aqui.
  • Conurbação: encontro físico das manchas urbanas de dois ou mais municípios vizinhos, formando tecido urbano contínuo (ex.: São Paulo–Guarulhos–Osasco). Exige contiguidade territorial.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O Rio de Janeiro tem projeção imediata no próprio estado e no Espírito Santo, em parcela do sul do estado da Bahia, e na Zona da Mata, em Minas Gerais" → a influência do Rio atravessa quatro unidades federativas. É um alcance regional amplo, que ignora limites político-administrativos — típico de área de influência, não de vizinhança física.
  • Evidência 2: "Compõem a rede urbana do Rio de Janeiro, entre outras cidades: Vitória, Juiz de Fora, Cachoeiro de Itapemirim, Campos dos Goytacazes, Teixeira de Freitas…" → cidades distantes centenas de quilômetros do Rio e distantes entre si. Não há continuidade urbana nenhuma: o que as une é a dependência de serviços e do comando econômico da metrópole.
  • Evidência 3: "onde tem influência dividida com Belo Horizonte" → duas metrópoles disputam a mesma zona. Só faz sentido falar em "dividir influência" se estivermos tratando de polarização, isto é, de força de atração exercida a distância.
  • Síntese: o texto descreve uma metrópole que funciona como polo de uma área extensa e descontínua. O nome geográfico disso é região polarizada.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de relação descrita

O trecho vem do estudo REGIC (Regiões de Influência das Cidades), do IBGE, que hierarquiza as cidades brasileiras justamente pelo alcance de sua influência. Note o que o texto mede: até onde chega o comando do Rio de Janeiro. Ele não mede se o Rio "encosta" fisicamente em Vitória — mede se Vitória depende do Rio para serviços de alta complexidade (universidades, hospitais especializados, sedes de empresas, finanças, aviação).

Essa é uma relação funcional, não física.

Subpasso 4.2 — Testar a descontinuidade espacial

Um teste rápido e decisivo: Teixeira de Freitas fica no extremo sul da Bahia, a mais de 900 km do Rio de Janeiro. Entre elas há centenas de quilômetros de área não urbanizada e várias outras cidades. Portanto:

  • não pode ser conurbação (não há tecido urbano contínuo);
  • não pode ser periferia metropolitana (não faz parte da mancha metropolitana do Rio);
  • pode, sim, ser polarização — porque a atração exercida por um polo age a distância, como um campo de força.

Subpasso 4.3 — Verificação

A única alternativa que descreve uma área organizada pela atração de uma cidade-polo, com influência que se sobrepõe e se divide com outro polo (Belo Horizonte), é a alternativa C — Região polarizada. Ela responde exatamente ao que o comando pediu: "o conceito que expressa a relação entre o espaço apresentado e a cidade do Rio de Janeiro".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Frente pioneira.

Incorreta: frente pioneira designa a borda em expansão da ocupação econômica sobre áreas ainda pouco incorporadas ao mercado — historicamente, o avanço da agropecuária sobre o Centro-Oeste e a Amazônia. O texto trata do Sudeste, região consolidada e urbanizada há mais de um século, e fala de influência urbana, não de avanço de fronteira agrícola.

B) Zona de transição.

Incorreta: zona de transição é uma faixa de mudança gradual entre dois domínios distintos (o Agreste entre a Zona da Mata e o Sertão, por exemplo). O texto não descreve gradação entre paisagens ou domínios naturais: descreve uma área comandada por um centro urbano.

C) Região polarizada.

Correta: o texto descreve exatamente uma cidade-polo (Rio de Janeiro) que organiza, por meio de fluxos e dependência funcional, uma área ampla e descontínua espalhada por RJ, ES, sul da BA e Zona da Mata mineira. A menção à "influência dividida com Belo Horizonte" confirma que se trata de campos de atração concorrentes — o traço definidor da polarização.

D) Área de conurbação.

Incorreta: conurbação exige continuidade física entre manchas urbanas vizinhas, que se fundem num tecido único. Vitória, Teixeira de Freitas e Juiz de Fora estão a centenas de quilômetros do Rio, separadas por vastas áreas não urbanizadas. Não há colagem de malhas urbanas — há influência a distância.

E) Periferia metropolitana.

Incorreta: periferia metropolitana é o entorno imediato da metrópole, dentro da própria região metropolitana (Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São Gonçalo, no caso do Rio). O texto extrapola muito esse recorte: cita capital de outro estado (Vitória) e cidades de outras regiões metropolitanas. A escala está completamente errada.

🏆 Gabarito: C — o Rio de Janeiro é apresentado como cidade-polo que estrutura, por fluxos e dependência funcional, um espaço amplo e descontínuo à sua volta. Isso é, por definição, uma região polarizada.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a letra C admite uma influência descontínua e compartilhada com outra metrópole. Os demais conceitos exigem contiguidade física (D, E) ou tratam de outro fenômeno (A, B).
  • Padrão de cobrança: o REGIC/IBGE é fonte frequente do ENEM. O enunciado costuma listar cidades sob influência de uma metrópole e pedir o conceito — a resposta é sempre ligada a hierarquia urbana ou região de influência.
  • Generalização: se o texto falar em influência, comando, atração, rede ou hierarquia de cidades, pense em polarização. Se falar em malhas urbanas que se encontram, tecido contínuo ou municípios que se fundiram, pense em conurbação.
  • Dica de eliminação rápida: olhe as distâncias. Se o enunciado cita cidades em estados diferentes, qualquer alternativa que dependa de vizinhança física (conurbação, periferia metropolitana) morre na hora — D e E caem em 15 segundos.
  • Conexões: hierarquia urbana brasileira (metrópole nacional × regional × capital regional), Teoria dos Lugares Centrais de Christaller e a distinção clássica entre região homogênea, região polarizada e região-programa.

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