Mapa de questões · 1º dia
Questão 36 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

Conforme a análise do documento cartográfico, a área de concentração das usinas de dessalinização é explicada pelo(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Recursos hídricos, climas do mundo e leitura de mapas temáticos
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de símbolos proporcionais no mapa com o conhecimento sobre o clima árido do Oriente Médio
- 🎯 Tema/Habilidade: Distribuição espacial da dessalinização de águas salobras/salinas no mundo; competência de interpretação cartográfica associada a problemas socioambientais
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que explica o fato de certos países concentrarem as maiores capacidades de dessalinização de água do mundo, segundo o mapa?"
- Palavras-chave decisivas: análise do documento cartográfico, área de concentração, explicado por
- Armadilha típica: trocar a causa real (necessidade hídrica) por efeitos ou justificativas "nobres" que soam plausíveis, como tecnologia avançada ou preocupação ambiental, sem relação direta com o padrão espacial mostrado no mapa
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ler os símbolos proporcionais do mapa, identificar onde eles se concentram e relacionar esse padrão a uma característica geográfica estrutural da região — não a um fator secundário ou pontual
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Dessalinização de águas: processo industrial que remove sais da água do mar ou de águas salobras (subterrâneas ou superficiais com alta salinidade), transformando-a em água potável; é uma alternativa cara e energointensiva, usada onde as fontes convencionais de água doce são insuficientes.
- Clima árido e escassez estrutural no Oriente Médio: a Península Arábica e o entorno do Golfo Pérsico têm precipitações anuais baixíssimas (muitas vezes abaixo de 100 mm), rios praticamente inexistentes e aquíferos fósseis (não renováveis) em esgotamento — condições que tornam a água doce um recurso naturalmente escasso.
- Petrodólares e viabilidade energética: países do Golfo, exportadores de petróleo, dispõem de capital e de fontes de energia baratas para arcar com o alto custo energético de dessalinizar água em larga escala — o que permite que a resposta à escassez se materialize em usinas de grande capacidade.
- Leitura de mapas com símbolos proporcionais: nesse tipo de mapa, o tamanho/tipo do símbolo representa a magnitude de um fenômeno (aqui, m³/dia de água dessalinizada); a tarefa do leitor é identificar onde os maiores símbolos se agrupam e por quê.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: o mapa "Dessalinização das águas" mostra, na legenda, uma escala de "Capacidade instalada (m³/dia)" que vai de 5.001–50.000 até "acima de 1.000.000", representada por símbolos crescentes → quanto maior o símbolo, maior a produção de água dessalinizada naquele país.
- Evidência 2: os maiores valores absolutos do mapa estão concentrados no Oriente Médio — Arábia Saudita (6.879.869 m³/dia), Emirados Árabes Unidos (6.228.017 m³/dia) e Kuwait (2.111.558 m³/dia) — superando inclusive potências como Estados Unidos (5.653.941), Espanha (2.588.658) e Japão (1.054.274) → revela um agrupamento denso de altíssima capacidade justamente na região de clima desértico do planeta.
- Síntese: o padrão espacial do mapa não é aleatório: ele reproduz a geografia da aridez. A concentração de usinas de dessalinização de maior capacidade recai exatamente sobre os países que menos dispõem de água doce naturalmente — indicando que a variável explicativa é a necessidade hídrica, não um diferencial tecnológico ou uma escolha ambiental voluntária.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o padrão espacial no mapa
Ao observar o mapa-múndi, percebe-se que os símbolos de maior capacidade instalada (a categoria "acima de 1.000.000 m³/dia") aparecem em pontos isolados nos Estados Unidos, na Espanha e no Japão, mas formam um verdadeiro aglomerado contínuo na Península Arábica: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e adjacências reúnem os maiores números do planeta em uma área geográfica relativamente pequena. Esse é o "documento cartográfico" que a questão pede para analisar.
Subpasso 4.2 — Relacionar o padrão à condição física da região
A Península Arábica está inserida em uma faixa de clima desértico quente, com índices pluviométricos ínfimos, ausência de rios perenes de porte (não há um Nilo ou um Tigre-Eufrates cortando a maior parte do território saudita, por exemplo) e dependência histórica de aquíferos fósseis que vêm se esgotando com o crescimento populacional e urbano acelerado das últimas décadas. Diante dessa realidade, a água do mar — abundante no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho — passa a ser a fonte mais viável de água doce, e países ricos em petróleo (logo, com energia barata disponível) investem pesado em plantas dessalinizadoras de grande porte para garantir o abastecimento de suas populações e de suas economias urbanas.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação lógica
Testando as demais hipóteses contra o mapa: não é "pioneirismo tecnológico", pois a tecnologia de dessalinização é conhecida e aplicada em diversos países do mundo, sem que isso explique a concentração regional observada. Não é efeito de "mudanças climáticas", pois o mapa retrata capacidade industrial já instalada — uma resposta estrutural de longo prazo, e não uma reação a um evento climático recente. Também não é "busca de sustentabilidade ambiental", já que a dessalinização é um processo de altíssimo gasto energético e gera rejeito salino concentrado (salmoura) devolvido ao mar, com impacto ecológico reconhecido — o oposto de uma escolha "verde". Restam, portanto, apenas a escassez de água potável e a condição hidropedológica; como esta última trata de solo (pedologia) e não é o fator determinante retratado no mapa, a única explicação coerente com os dados é a escassez de água potável.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) pioneirismo tecnológico.
❌ Incorreta: a tecnologia de dessalinização não é exclusividade dos países do Oriente Médio — Estados Unidos, Espanha e Japão também a dominam e aplicam. O mapa mostra volume de produção por necessidade, não quem detém ou pioneirou a técnica; logo, tecnologia não é a variável que explica a concentração regional.
B) condição hidropedológica.
❌ Incorreta: "hidropedológica" refere-se à relação entre água e solo (capacidade de infiltração, retenção hídrica dos solos), um conceito da pedologia. O mapa não traz nenhuma informação sobre tipos de solo; ele trata exclusivamente de capacidade industrial de dessalinização, o que torna essa alternativa conceitualmente deslocada do fenômeno representado.
C) escassez de água potável.
✅ Correta: a maior concentração de usinas de alta capacidade ocorre exatamente nos países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait), região de clima árido, chuvas escassas e ausência de rios perenes significativos. Esses países recorrem à água do mar como fonte alternativa justamente porque sofrem escassez estrutural de água doce — a dessalinização é a resposta direta a essa carência.
D) efeito das mudanças climáticas.
❌ Incorreta: o mapa retrata capacidade instalada consolidada (infraestrutura já construída ao longo de décadas), e não uma alteração recente atribuível ao aquecimento global. A aridez do Oriente Médio é uma condição climática histórica e estrutural da região, não um efeito emergente das mudanças climáticas contemporâneas.
E) busca da sustentabilidade ambiental.
❌ Incorreta: a dessalinização é um processo de elevadíssimo consumo energético e gera como rejeito uma salmoura concentrada, devolvida ao mar com potencial de impacto sobre ecossistemas marinhos costeiros. Trata-se, portanto, de uma solução emergencial para garantir água potável, e não de uma escolha motivada por sustentabilidade ambiental.
🏆 Gabarito: C — a concentração das maiores usinas de dessalinização no Oriente Médio, região de clima árido e sem fontes hídricas superficiais expressivas, evidencia que a escassez de água potável é o fator que explica esse padrão cartográfico.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a escassez de água potável explica de forma coerente por que os países mais áridos do planeta — e não necessariamente os mais tecnológicos ou os mais "sustentáveis" — concentram as maiores capacidades de dessalinização do mundo.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente utiliza mapas temáticos com símbolos proporcionais (população, energia, recursos hídricos, produção industrial) e pede que o candidato associe o padrão espacial observado a um processo geográfico-causal, e não apenas descreva o que vê.
- Generalização: diante de um mapa que mostra "onde" um fenômeno se concentra, a explicação correta quase sempre está nas condições físicas ou socioeconômicas estruturais daquela região — pergunte sempre "por que ali, e não em outro lugar?".
- Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas com termos "positivos" soltos, como tecnologia ou sustentabilidade, quando o mapa mostra puramente volume/necessidade de um recurso; esses costumam ser distratores que soam bem mas não respondem à causa geográfica real do padrão observado.
- Conexões: climas áridos e semiáridos, geopolítica da água no Oriente Médio, matriz energética dos países exportadores de petróleo, impactos ambientais de grandes obras de infraestrutura hídrica.
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