Mapa de questões · 1º dia
Questão 31 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
TEXTO I
Mais de 50 mil refugiados entraram no território húngaro apenas no primeiro semestre de 2015.
Budapeste lançou os “trabalhos preparatórios” para a construção de um muro de quatro metros de altura e
175 km ao longo de sua fronteira com a Sérvia, informou o ministro húngaro das Relações Exteriores. “Uma
resposta comum da União Europeia a este desao da imigração é muito demorada, e a Hungria não pode
esperar. Temos que agir”, justificou o ministro.
Disponível em: www.portugues.r.fr. Acesso em: 19 jun. 2015 (adaptado).
TEXTO II
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) critica as manifestações de
xenofobia adotadas pelo governo da Hungria. O país foi invadido por cartazes nos quais o chefe do executivo insta os imigrantes a respeitarem as leis e a não “roubarem” os empregos dos húngaros. Para o ACNUR, a medida é surpreendente, pois a xenofobia costuma ser instigada por pequenos grupos radicais e não pelo próprio governo do país.
Disponível em: http://pt.euronews.com. Acesso em: 19 jun. 2015 (adaptado).
O posicionamento governamental citado nos textos é criticado pelo ACNUR por ser considerado um caminho
para o(a)
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da questão
- Matéria: Geografia → Migrações internacionais → refúgio, fronteiras e xenofobia
- Habilidade: H25 — identificar estratégias que promovam formas de inclusão social
- Nível: Fácil — o Texto II nomeia a crítica; o trabalho é não se perder nas alternativas de vocabulário político
- Gabarito: revelado no Passo 4
🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando
- O comando, em uma linha: por que o ACNUR critica a postura do governo húngaro.
- Palavras-chave decisivas: xenofobia, cartazes, "roubarem" os empregos dos húngaros, e não pelo próprio governo do país.
- A armadilha: responder pelo muro em vez de responder pela campanha. O Texto I fala de barreira física e fronteira, e três alternativas oferecem consequências territoriais ou institucionais. Mas o comando pergunta pela crítica do ACNUR, e o ACNUR se manifesta sobre o Texto II.
- O que a resposta precisa mostrar: que você identifica o efeito social de uma política oficial que atribui culpa a um grupo estrangeiro.
📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo
- Refugiado: pessoa que deixa o país de origem por fundado temor de perseguição, conflito armado ou violência generalizada. Diferente do migrante econômico, o refugiado tem proteção garantida por convenção internacional — e é por isso que a ONU acompanha o tratamento dado a ele.
- ACNUR: Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, órgão da ONU encarregado de proteger essas pessoas e de fiscalizar como os Estados as recebem. Quando ele critica um governo, a crítica é sobre a proteção devida, não sobre o regime político do país.
- Xenofobia: aversão, rejeição ou hostilidade ao estrangeiro. É uma forma de discriminação: trata um grupo inteiro como ameaça por causa da origem, não por conduta individual.
- Discurso de bode expiatório: a atribuição de um problema social — desemprego, insegurança, crise — a um grupo identificável e minoritário. É o mecanismo que a campanha húngara aciona ao dizer que os imigrantes "roubam" empregos.
- Xenofobia de Estado: o ponto que o Texto II sublinha. Quando a hostilidade parte de grupos radicais, ela é marginal e combatível pela lei. Quando parte do governo, ela ganha a autoridade do Estado e passa a orientar a conduta da população. Essa mudança de escala é a razão da crítica.
🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado
- Evidência 1: "Budapeste lançou os 'trabalhos preparatórios' para a construção de um muro de quatro metros de altura e 175 km ao longo de sua fronteira com a Sérvia" → medida de contenção física do fluxo. Note que essa é a informação do Texto I, e o ACNUR não é citado a respeito dela.
- Evidência 2: "O ACNUR critica as manifestações de xenofobia adotadas pelo governo da Hungria" → o objeto da crítica é nomeado com todas as letras. Xenofobia é discriminação por origem.
- Evidência 3: "cartazes nos quais o chefe do executivo insta os imigrantes a respeitarem as leis e a não 'roubarem' os empregos dos húngaros" → a campanha oficial associa o imigrante a ilegalidade e a furto de posto de trabalho. Constrói o estrangeiro como culpado antes de qualquer ato.
- Evidência 4: "a medida é surpreendente, pois a xenofobia costuma ser instigada por pequenos grupos radicais e não pelo próprio governo do país" → aqui está o núcleo da crítica: o problema não é só a mensagem, é a autoridade que a assina.
- Síntese: o ACNUR não critica a existência da fronteira nem a soberania húngara. Critica um governo que usa a máquina oficial para difundir hostilidade contra estrangeiros.
🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo
4.1 — Separar os dois textos
O Texto I traz a resposta material: um muro. O Texto II traz a resposta simbólica: uma campanha de cartazes. O comando pergunta pelo que o ACNUR critica, e o ACNUR aparece só no Texto II. Isso já orienta a leitura.
4.2 — Ler o que a campanha faz
Os cartazes fazem três movimentos ao mesmo tempo:
- dirigem-se aos imigrantes como se todos fossem propensos a desrespeitar a lei
- afirmam que eles "roubam" empregos, verbo que transforma disputa por trabalho em crime
- circulam com a assinatura do chefe do Executivo, isto é, com autoridade pública
O resultado é a legitimação oficial de uma visão hostil do estrangeiro.
4.3 — Traduzir a crítica em consequência
O ACNUR observa que essa hostilidade normalmente vem de grupos radicais pequenos. Vindo do governo, ela deixa de ser desvio e vira orientação. Uma população que recebe do próprio Estado a mensagem de que o estrangeiro rouba tende a reproduzi-la — em contratações, em atendimento, em convivência. Ou seja: a política governamental funciona como caminho para ampliar e legitimar a discriminação.
4.4 — Verificação
A alternativa correta precisa nomear discriminação e precisa apontar reforço, não criação isolada. Gabarito: E.
✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas
❌ (A) alteração do regime político — Extrapolação institucional. Nada nos textos indica ruptura democrática, suspensão de eleições ou mudança de forma de governo. O ACNUR fala de xenofobia, um problema de direitos humanos, não de arquitetura constitucional. Confundir política discriminatória com mudança de regime é ampliar a crítica muito além do que ela diz.
❌ (B) fragilização da supremacia nacional — Inverte o sentido dos fatos. Muro e campanha são exatamente afirmações de soberania sobre o território e sobre quem entra nele — o ministro justifica agir sozinho porque "uma resposta comum da União Europeia é muito demorada". A política fortalece a autoridade nacional; não a enfraquece.
❌ (C) expansão dos domínios geográficos — Troca de objetivo. Um muro de 175 km ao longo da fronteira com a Sérvia fecha o limite existente; não avança sobre território alheio. Fortificar fronteira é o oposto de expandir domínio.
❌ (D) cerceamento da liberdade de expressão — Troca de sujeito. Quem se expressa nos cartazes é o próprio governo. Não há nos textos censura a jornalistas, a manifestantes ou a imigrantes. A crítica do ACNUR recai sobre o conteúdo da mensagem oficial, não sobre uma restrição imposta à fala de outrem.
✅ (E) fortalecimento das práticas de discriminação — É a leitura literal do Texto II. O ACNUR aponta "manifestações de xenofobia adotadas pelo governo" e destaca que esse tipo de hostilidade "costuma ser instigada por pequenos grupos radicais e não pelo próprio governo do país". Ao assumir o discurso, o Estado dá respaldo oficial à rejeição ao estrangeiro e amplia o alcance dela na sociedade.
Gabarito: E — o ACNUR critica o fato de a xenofobia ter deixado de ser conduta de grupos marginais para virar política de governo, o que reforça e legitima a discriminação contra refugiados.
🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova
- Por que só E se sustenta: é a única que reproduz o termo do próprio texto — xenofobia é discriminação. As outras quatro deslocam a crítica para regime, soberania, território ou censura, temas que nenhum dos dois textos discute.
- Como o ENEM cobra isso: crise migratória europeia, muros de fronteira e discurso antimigração são recorrentes desde 2015. O comando costuma pedir a consequência social de uma medida, e a resposta quase sempre está na palavra técnica que o texto já usou.
- A regra geral: quando o texto nomeia o problema (xenofobia, racismo, intolerância), procure a alternativa que traduz essa palavra em português corrente. Discriminação é a tradução de xenofobia.
- Eliminação em 30 segundos: pergunte de quem é a crítica e sobre o que ela recai. É do ACNUR, órgão de refugiados, sobre cartazes do governo. Regime político, soberania e território saem de cena imediatamente.
- Temas que costumam vir junto: Convenção de Genebra de 1951 e o estatuto do refugiado, Acordo de Schengen e a crise de 2015, muros contemporâneos (Estados Unidos–México, Israel–Cisjordânia), migração forçada por conflito e por clima.
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