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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 45ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia

O número de filhos por casal diminui rapidamente. Para a maioria dos economistas, isso representa um alerta para o futuro.

Uma consequência socioeconômica para os países que vivenciam o fenômeno demográfico ilustrado é a
diminuição da

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Demografia e Transição Demográfica
  • ⚡ Nível: Médio — o gráfico é simples de ler, mas a questão exige raciocinar sobre o efeito futuro da queda da fecundidade, e três alternativas são pegadinhas que invertem o sentido da relação de causa e efeito
  • 🎯 Tema/Habilidade: Consequências socioeconômicas da queda da taxa de fecundidade (transição demográfica e estrutura etária)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual grandeza socioeconômica DIMINUI como consequência da queda contínua da fecundidade mostrada no gráfico?"
  • Palavras-chave decisivas: diminui rapidamente, alerta para o futuro, consequência socioeconômica
  • Armadilha típica: associar "menos filhos" a "menos gasto com saúde" ou "menos gasto previdenciário" — na prática, o envelhecimento populacional decorrente disso faz essas duas variáveis aumentarem, não diminuírem.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende o efeito de longo prazo da queda de natalidade sobre a estrutura etária, especificamente sobre o contingente de futuros trabalhadores.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Taxa de Fecundidade Total (TFT): número médio de filhos que uma mulher teria ao longo da vida reprodutiva; a taxa de reposição populacional (que mantém a população estável) é de aproximadamente 2,1 filhos por mulher.
  • Transição demográfica: modelo que descreve a passagem de um regime de alta natalidade e alta mortalidade para um regime de baixa natalidade e baixa mortalidade, culminando em crescimento populacional lento, nulo ou negativo.
  • Envelhecimento populacional: queda continuada da natalidade estreita a base da pirâmide etária (menos crianças) e amplia proporcionalmente o topo (mais idosos), alterando a relação entre população em idade ativa e população dependente.
  • Oferta de mão de obra / População Economicamente Ativa (PEA): contingente de pessoas em idade produtiva (geralmente 15 a 64 anos) disponível para trabalhar; depende diretamente do volume de nascimentos ocorridos duas ou três décadas antes.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (gráfico): a Taxa de Fecundidade Total do Brasil despenca de 5,8 filhos por mulher em 1970 para 1,9 por volta de 2010, convergindo para o mesmo patamar baixo de China, Coreia do Sul, Portugal, EUA e Japão → revela um país que completou rapidamente sua transição demográfica, passando de fecundidade altíssima a fecundidade abaixo do nível de reposição (2,1).
  • Evidência 2 (texto): "isso representa um alerta para o futuro" → revela que o impacto não é imediato: crianças que não nasceram hoje são trabalhadores que faltarão no mercado de trabalho daqui a 15-20 anos, quando essa geração deveria estar em idade ativa.
  • Síntese: menos nascimentos agora significa uma geração futura numericamente menor entrando na força de trabalho — ou seja, redução da oferta de mão de obra nacional no médio e longo prazo, mesmo que a população total ainda cresça por algum tempo por inércia demográfica.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Interpretar a curva do Brasil no gráfico

O gráfico "Taxa de fecundidade total" mostra, entre 1970 e cerca de 2010, o Brasil saindo de 5,8 filhos por mulher (1970) para 4,4 (1980), 2,9 (1990), 2,4 (2000) e 1,9 (próximo a 2010). Essa queda é a mais acentuada entre os países listados no período e leva o Brasil a convergir com nações que já tinham fecundidade baixa há décadas (Japão, EUA, Portugal), ultrapassando inclusive a linha de reposição populacional de 2,1 filhos/mulher.

Subpasso 4.2 — Projetar o efeito sobre a estrutura etária futura

Cada nascimento é, potencialmente, um futuro trabalhador. Se o número de nascimentos cai de forma continuada, a base da pirâmide etária se estreita ano após ano. Quando essas coortes menores atingem a idade adulta (15-64 anos), elas compõem uma População Economicamente Ativa proporcionalmente menor do que as gerações anteriores. É exatamente esse fenômeno — menos gente nascendo hoje resultando em menos trabalhadores amanhã — que caracteriza o "alerta para o futuro" mencionado no enunciado.

Subpasso 4.3 — Verificação cruzando com as alternativas

Ao testar cada alternativa, a única grandeza que realmente diminui como consequência direta da queda de fecundidade é a quantidade de pessoas disponíveis para trabalhar no futuro — ou seja, a oferta de mão de obra nacional. As demais alternativas descrevem variáveis que, na realidade, tendem a aumentar com o envelhecimento populacional (expectativa de vida, demanda por saúde, gasto previdenciário) ou que os países tendem a estimular, não reduzir (imigração de trabalhadores qualificados), confirmando a alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) oferta de mão de obra nacional.

✅ Correta: com menos crianças nascendo, as futuras gerações em idade produtiva serão numericamente menores. Isso reduz diretamente o contingente disponível para compor a força de trabalho nacional, gerando escassez de mão de obra no médio e longo prazo — justamente o "alerta para o futuro" que os economistas fazem.

B) média de expectativa de vida.

❌ Incorreta: a queda da fecundidade é parte da transição demográfica, que caminha junto com melhorias em saneamento, saúde pública e condições de vida. Isso tende a aumentar a expectativa de vida, e não a diminuir — o gráfico mostra justamente países (Japão, EUA, Portugal) com fecundidade baixa e expectativa de vida elevada.

C) disponibilidade de serviços de saúde.

❌ Incorreta: inverte a relação de causa e efeito. O envelhecimento populacional decorrente da queda de natalidade aumenta a demanda por serviços de saúde (tratamentos crônicos, geriatria), pressionando o sistema — o problema é excesso de demanda, não falta de disponibilidade por redução populacional.

D) despesa de natureza previdenciária.

❌ Incorreta: também é o oposto do que ocorre. Com proporcionalmente mais idosos aposentados e menos jovens contribuintes, a despesa previdenciária tende a aumentar, pressionando o sistema de aposentadorias e pensões — é exatamente esse desequilíbrio que motiva reformas da previdência em países com fecundidade baixa.

E) imigração de trabalhadores qualificados.

❌ Incorreta: para compensar a futura escassez de mão de obra, países com baixa fecundidade costumam estimular (e não reduzir) a entrada de imigrantes qualificados — política adotada por Japão, Alemanha, Portugal e Coreia do Sul, todos presentes no gráfico.

🏆 Gabarito: A — a queda continuada da taxa de fecundidade reduz o número de nascimentos e, consequentemente, o contingente de futuros trabalhadores, diminuindo a oferta de mão de obra nacional no médio e longo prazo.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa que representa uma diminuição real e coerente com o mecanismo demográfico descrito — todas as outras invertem o sentido do efeito ou preveem uma resposta política que os países adotam para compensar a queda de mão de obra, não para reduzi-la ainda mais.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente gráficos e pirâmides etárias relacionando natalidade, mortalidade e fecundidade a consequências socioeconômicas — é um dos temas mais clássicos de Geografia da população.
  • Generalização: sempre que a fecundidade cai, associe isso a "menos nascimentos hoje = menos trabalhadores amanhã"; por outro lado, expectativa de vida, gasto com saúde e gasto previdenciário tendem a subir por causa do envelhecimento populacional que acompanha esse processo.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que descreva uma "diminuição" de algo que o senso comum sobre envelhecimento populacional já indica que aumenta (saúde, previdência) — são pegadinhas construídas por inversão de sinal.
  • Conexões: pirâmide etária e bônus demográfico; política do filho único na China; reforma da previdência social; envelhecimento populacional no Japão e em Portugal.

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