Mapa de questões · 1º dia
Questão 11 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
TEXTO I

TEXTO II
A eleição dos novos bens, ou melhor, de novas formas de se conceber a condição do patrimônio cultural nacional, também permite que diferentes grupos sociais, utilizando as leis do Estado e o apoio de especialistas, revejam as imagens e alegorias do seu passado, do que querem guardar e definir como próprio e identitário.
ABREU, M.; SOIHET, R.; GONTIJO, R. (Org.). Cultura política e leituras do passado:
historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
O texto chama a atenção para a importância da proteção de bens que, como aquele apresentado na imagem, se identificam como:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Patrimônio Cultural, Memória e Identidade Nacional
- ⚡ Nível: Médio — exige articular um texto teórico abstrato sobre patrimônio a uma imagem concreta, identificando que o "bem" retratado é um saber-fazer, não um objeto pronto
- 🎯 Tema/Habilidade: Patrimônio cultural imaterial e a ampliação do conceito de bem cultural no Brasil (Competência de área 3 — ENEM, ciências humanas)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, a que categoria de bem cultural pertence o que está sendo protegido na imagem?"
- Palavras-chave decisivas: eleição dos novos bens, imagens e alegorias do seu passado, próprio e identitário
- Armadilha típica: olhar a foto e enxergar apenas "um pedaço de madeira sendo cortado" e marcar "heranças materiais", ignorando que o centro da cena é a MÃO em ação — ou seja, a técnica sendo executada, não o objeto acabado
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende a diferença entre patrimônio material (o objeto físico) e patrimônio imaterial (o saber, o modo de fazer, transmitido entre pessoas e gerações)
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Patrimônio cultural (Constituição de 1988, art. 216): o conceito deixou de se restringir a monumentos "de pedra e cal" (igrejas, fortes, prédios históricos) e passou a incluir bens de natureza imaterial, portadores de referência à identidade e à memória dos grupos que formam a sociedade brasileira.
- Decreto nº 3.551/2000: criou o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, organizado em quatro livros — Saberes, Celebrações, Formas de Expressão e Lugares. O livro dos Saberes reúne conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades, como ofícios artesanais tradicionais.
- Ampliação do sujeito do patrimônio: "diferentes grupos sociais" passam a reivindicar, com apoio de especialistas e do Estado, o reconhecimento daquilo que consideram parte da própria identidade — algo antes fora do olhar oficial, voltado a monumentos das elites.
- Saber-fazer (know-how) como bem cultural: uma técnica artesanal transmitida por observação e prática — como entalhar madeira para construir um instrumento — é um conhecimento incorporado à experiência de quem o pratica; por isso se enquadra como imaterial, mesmo resultando em um produto físico ao final.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a eleição dos novos bens, ou melhor, de novas formas de se conceber a condição do patrimônio cultural nacional" → sinaliza a ampliação do que pode ser considerado patrimônio, para além do monumento histórico clássico.
- Evidência 2: "diferentes grupos sociais, utilizando as leis do Estado e o apoio de especialistas, revejam as imagens e alegorias do seu passado, do que querem guardar e definir como próprio e identitário" → mostra que a patrimonialização é conduzida pelos próprios grupos sociais (aqui, artesãos), que usam a legislação (Decreto 3.551/2000, que rege o IPHAN) para proteger o que consideram parte de sua identidade — não necessariamente um objeto valioso, mas uma prática cultural.
- Imagem (fonte: portal.iphan.gov.br): mão idosa e experiente molda, com formão, o tampo de uma caixa de madeira em formato de instrumento de corda (semelhante a uma viola). O foco visual está no gesto do artesão, não no instrumento pronto, e a fonte — o próprio IPHAN — confirma tratar-se de um registro oficial de patrimônio.
- Síntese: o texto fala de bens "identitários" reconhecidos por meio de leis e especialistas, e a imagem, creditada ao IPHAN, retrata exatamente esse reconhecimento: um ofício artesanal tradicional sendo documentado como patrimônio. A resolução caminha para a categoria de bens imateriais ligados ao "saber fazer".
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que a imagem realmente mostra
A cena não apresenta um instrumento musical finalizado, exposto como objeto de museu. Ela mostra o processo de fabricação: uma mão segurando um formão, esculpindo a madeira que formará a caixa de ressonância. O elemento central da fotografia é o gesto técnico — a habilidade manual — e não o produto. Essa escolha de enquadramento é a chave visual da questão: o IPHAN, ao divulgar esse tipo de imagem, registra o ofício (a técnica de lutheria artesanal), não apenas o instrumento resultante.
Subpasso 4.2 — Conectar a imagem ao conceito de patrimônio imaterial
Se o "bem" a ser protegido fosse o instrumento pronto, estaríamos diante de um bem material (um objeto). Mas a fotografia evidencia o saber-fazer em ação: o conhecimento sobre proporções, madeiras, curvas e acabamento, transmitido de geração em geração, geralmente sem registro escrito, apenas pela prática e pela oralidade. Esse conhecimento técnico-cultural é exatamente o que o Decreto 3.551/2000 e a Constituição de 1988 passaram a reconhecer como patrimônio imaterial, na categoria "Saberes" — ofícios e modos de fazer tradicionais de comunidades específicas.
Subpasso 4.3 — Verificação
Voltando ao Texto II: ele fala em bens "identitários" reconhecidos com apoio de leis estatais e especialistas — o que corresponde ao trabalho do IPHAN ao registrar ofícios tradicionais. A imagem reforça essa leitura ao enquadrar o processo (o saber), não o produto (o objeto). Cruzando as duas evidências, a única alternativa que nomeia corretamente esse bem — um conhecimento técnico-cultural transmitido entre gerações — é "conhecimentos tradicionais", confirmando a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Artefatos sagrados.
❌ Incorreta: nada no texto ou na imagem remete a religiosidade, ritual ou sacralidade. Trata-se de um ofício artesanal de natureza secular (construção de instrumento musical), não de um objeto de culto.
B) Heranças materiais.
❌ Incorreta: é a alternativa mais tentadora, mas erra o foco. "Herança material" designaria o objeto físico em si (o instrumento pronto, um prédio, uma peça de museu). A imagem, no entanto, mostra deliberadamente o processo — a mão trabalhando —, evidenciando que o bem protegido é a técnica, o saber, e não o objeto resultante.
C) Objetos arqueológicos.
❌ Incorreta: arqueologia estuda vestígios materiais de sociedades e práticas do passado, muitas vezes já extintas, recuperados por escavação. Aqui, ao contrário, trata-se de uma prática viva, exercida no presente por um artesão em atividade.
D) Peças comercializáveis.
❌ Incorreta: reduz o sentido do texto a uma lógica de mercado (valor de venda), quando o Texto II é explícito ao definir o critério de proteção como algo "próprio e identitário" — ou seja, ligado à identidade cultural do grupo, não ao potencial comercial do produto.
E) Conhecimentos tradicionais.
✅ Correta: o texto trata da ampliação do conceito de patrimônio para incluir bens ligados à identidade de grupos sociais, reconhecidos com apoio do Estado e de especialistas — e a imagem, ao focar no gesto do artesão esculpindo a madeira, retrata precisamente um saber-fazer tradicional (ofício de lutheria), categoria classificada pelo IPHAN como patrimônio cultural imaterial ("Saberes").
🏆 Gabarito: E — a fotografia flagra um saber-fazer artesanal em plena execução, e o texto de apoio descreve exatamente esse tipo de bem: um conhecimento identitário, reconhecido e protegido pelo Estado a pedido do próprio grupo social que o detém.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só "conhecimentos tradicionais" capta simultaneamente o conteúdo do texto (bens identitários protegidos por lei, a pedido dos grupos sociais) e o que a imagem mostra (o processo de um ofício manual, não o objeto pronto).
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a distinção entre patrimônio material e imaterial, quase sempre usando o marco da Constituição de 1988 (art. 216) e a atuação do IPHAN como pano de fundo — muitas vezes com imagens de festas populares, ofícios artesanais ou celebrações religiosas afro-brasileiras e indígenas.
- Generalização: sempre que a imagem mostrar uma AÇÃO ou PROCESSO (alguém fazendo, dançando, cozinhando, esculpindo) em vez de um OBJETO estático e acabado, a resposta tende a apontar para patrimônio imaterial (saberes, celebrações, formas de expressão) — e não para "herança material" ou "objeto arqueológico".
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que remetam a valor econômico ("comercializáveis") ou a categorias muito específicas e não sugeridas pelo texto (sagrado, arqueológico); depois, decida entre "material" e "imaterial/tradicional" observando se a imagem foca no objeto pronto ou no processo/gesto de criação.
- Conexões: o mesmo raciocínio aparece em questões sobre capoeira, roda de samba, festa do Divino, ofício das baianas de acarajé e outras manifestações registradas pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.