Mapa de questões · 1º dia
Questão 7 — ENEM 2016Caderno azul · 1º Dia
TEXTO I

TEXTO II
Metade da nova equipe da Nasa é composta por mulheres
Até hoje, cerca de 350 astronautas americanos já estiveram no espaço, enquanto as mulheres não chegam a ser um terço desse número. Após o anúncio da turma composta 50% por mulheres, alguns internautas escreveram comentários machistas e desrespeitosos sobre a escolha nas redes sociais.
Disponível em: https://catracalivre.com.br. Acesso em: 10 mar. 2016.
A comparação entre o anúncio publicitário de 1968 e a repercussão da notícia de 2016 mostra a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → gênero, estereótipos sociais e análise comparativa de discurso
- ⚡ Nível: Médio — exige comparar dois textos de épocas diferentes e identificar o elemento estrutural comum entre eles, e não apenas as diferenças superficiais
- 🎯 Tema/Habilidade: Persistência de estereótipos de gênero na sociedade; competência de leitura crítica de textos midiáticos (comparação diacrônica de discursos sobre o papel da mulher)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a comparação entre um anúncio de 1968 e uma notícia de 2016 revela sobre a sociedade?"
- Palavras-chave decisivas: comparação, anúncio publicitário de 1968, repercussão da notícia de 2016
- Armadilha típica: focar em apenas um dos dois textos (só a propaganda antiga ou só a notícia da Nasa) e escolher uma alternativa que descreve um deles isoladamente, ignorando que a questão pede o elemento em comum entre as duas épocas
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que os dois textos, apesar de separados por quase 50 anos, expõem o mesmo fenômeno social — a persistência de papéis de gênero rígidos e a resistência a mulheres ocupando espaços historicamente masculinos
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Estereótipo de gênero: conjunto de expectativas sociais fixas sobre como homens e mulheres "devem" se comportar, quais profissões "devem" exercer e quais espaços "devem" ocupar, reproduzido por diferentes gerações e meios de comunicação.
- Divisão sexual do trabalho: padrão histórico que associa mulheres a atividades domésticas, de cuidado e reprodução, e homens a atividades públicas, técnicas e de prestígio — incluindo carreiras científicas como a de astronauta.
- Sexismo em rede/discurso digital: manifestação contemporânea do preconceito de gênero, expressa por comentários hostis quando mulheres ocupam posições de destaque tradicionalmente masculinas, revelando que o preconceito não desapareceu, apenas mudou de suporte (do papel impresso para as redes sociais).
- Análise comparativa (diacronia): técnica de leitura que cruza dois textos de tempos distintos para identificar continuidades e rupturas; aqui, a permanência é o achado central, não a mudança.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "cerca de 350 astronautas americanos já estiveram no espaço, enquanto as mulheres não chegam a ser um terço desse número" → mostra que, historicamente, a presença feminina na ciência espacial sempre foi minoritária — um desequilíbrio de décadas.
- Evidência 2: "Após o anúncio da turma composta 50% por mulheres, alguns internautas escreveram comentários machistas e desrespeitosos" → revela que, mesmo em 2016, a simples notícia de paridade de gênero em uma equipe de elite científica provoca reação hostil, evidenciando que o preconceito continua vivo na sociedade.
- Síntese: o Texto I (o anúncio de 1968, contextualizado no comando da questão como uma peça publicitária que reforçava o lugar da mulher em papéis subordinados ou domésticos) e o Texto II (a reação machista de 2016 à conquista espacial feminina) mostram, juntos, que o tempo passou, os discursos e os suportes mudaram, mas a lógica de limitar e desvalorizar a mulher em espaços de prestígio permaneceu praticamente intacta.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o eixo comum entre os dois textos
A questão pede o resultado de uma comparação, então o primeiro passo é isolar o que os dois textos têm em comum, não o que os diferencia. O anúncio de 1968 pertence à cultura publicitária de uma época em que era comum vincular a imagem feminina a tarefas domésticas ou a papéis decorativos/subordinados, reforçando a ideia de que existe um "lugar natural" da mulher na sociedade. O Texto II, quase 50 anos depois, mostra que, mesmo diante de uma conquista científica notável — metade da turma de astronautas da Nasa sendo composta por mulheres —, a reação de parte do público foi de rejeição e deboche machista.
Subpasso 4.2 — Conectar o dado histórico ao dado atual
O detalhe numérico do Texto II ("mulheres não chegam a ser um terço" dos 350 astronautas) não é decorativo: ele prova que a sub-representação feminina em carreiras de prestígio científico é estrutural e antiga, e não um acidente estatístico recente. Quando essa desigualdade histórica é finalmente confrontada por uma seleção paritária, a reação nas redes sociais reproduz o mesmo tipo de julgamento presente no anúncio antigo — a ideia de que a mulher "não pertence" a determinados espaços ou funções. Ou seja: muda o suporte (propaganda impressa → comentário em rede social), muda o contexto (produto de consumo → seleção da Nasa), mas o conteúdo ideológico — o estereótipo de gênero — se mantém.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando a leitura contra o comando: "a comparação... mostra a..." — o verbo pede um substantivo que resuma o padrão comum revelado pelos dois textos. Entre as opções, apenas uma nomeia diretamente essa permanência de um padrão social ao longo do tempo: "manutenção de estereótipos de gênero". As demais alternativas tratam de temas ausentes da comparação (classe social, indústria, família), confirmando que a leitura está correta.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) elitização da carreira científica.
❌ Incorreta: a elitização se refere a barreiras de classe social ou de acesso econômico a uma profissão, mas em nenhum momento os textos comparam a origem socioeconômica dos astronautas ou o custo/acesso à carreira. O eixo da comparação é gênero, não classe.
B) qualificação da atividade doméstica.
❌ Incorreta: essa alternativa inverte o sentido crítico da comparação. Os textos não valorizam ou "qualificam" o trabalho doméstico; pelo contrário, mostram como a associação da mulher a papéis domésticos ou subordinados é usada para limitar seu acesso a carreiras científicas, o que é o oposto de uma valorização.
C) ambição de indústrias patrocinadoras.
❌ Incorreta: não há, em nenhum dos dois textos, qualquer menção a interesses comerciais de patrocinadores ou a estratégias de marketing corporativo como tema central da comparação; trata-se de um elemento fora do escopo do que é comparado.
D) manutenção de estereótipos de gênero.
✅ Correta: é exatamente isso que a justaposição do anúncio de 1968 com a repercussão machista de 2016 evidencia — passadas quase cinco décadas, a sociedade ainda reproduz a ideia de que existem papéis "próprios" para homens e mulheres, reagindo com hostilidade quando essa fronteira é rompida por conquistas femininas em áreas de prestígio.
E) equiparação de papéis nas relações familiares.
❌ Incorreta: os textos não tratam de dinâmica familiar nem de divisão de tarefas dentro do lar; o assunto é a presença feminina no espaço público-profissional (a carreira espacial), o que torna essa alternativa temtaticamente deslocada do que foi comparado.
🏆 Gabarito: D — a comparação entre os dois textos, separados por quase 50 anos, revela que o preconceito de gênero não desapareceu: apenas trocou de forma, permanecendo como um padrão social recorrente que se manifesta tanto em peças publicitárias antigas quanto em reações contemporâneas nas redes sociais.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa D nomeia o fenômeno comum aos dois textos — a repetição, ao longo do tempo, do mesmo padrão de discriminação baseado no gênero; as demais alternativas descrevem temas que não estão em jogo na comparação proposta.
- Padrão de cobrança: o Enem costuma usar pares de textos de épocas diferentes (um "antigo" e um "atual") justamente para testar se o estudante consegue enxergar continuidades históricas de desigualdade — de gênero, raça ou classe — e não apenas descrever cada texto isoladamente.
- Generalização: em questões de comparação entre dois textos, a resposta correta quase sempre nomeia o que há de comum estrutural entre eles, e as alternativas erradas tendem a descrever aspectos presentes em apenas um dos textos ou completamente ausentes de ambos.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que mencione um assunto que só aparece implicitamente ou não aparece em nenhum dos dois textos (aqui, classe social, indústria e família) — sobra a que fala diretamente do tema central, gênero.
- Conexões: este tema dialoga com questões sobre divisão sexual do trabalho, sub-representação feminina em carreiras de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (as chamadas áreas STEM) e com discussões sobre sexismo e discurso de ódio em ambientes digitais — temas recorrentes na prova de Ciências Humanas do Enem.
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